O candidato a prefeito de Bauru pelo Partido Verde, Clodoaldo Armando Gazzetta, dá sinais de que, apesar de seu estilo mais tranquilo, não está disposto a deixar de encarar politicamente seu amigo Rodrigo Agostinho (PMDB) quando o assunto for a discussão de temas da cidade na eleição 2012. Ontem, na entrevista à rádio Auri-Verde, com apoio do JC e gravação da TV Câmara, Gazzetta não titubeou em referendar o que se sabe: a dívida milionária da Cohab é insolúvel.
“Não tem como pagar os R$ 400 milhões que vencem nos próximos anos, no próximo mandato praticamente, e muito menos o total que passa de R$ 700 milhões. O fato é que a dívida da Cohab quebra a Prefeitura. Isso é problema do Governo Federal. Tem de correr em Brasília (DF) e apelar para que eles resolvam isso”, afirmou no programa que foi ao ar pela emissora de rádio ontem cedo (acompanhe a entrevista na íntegra pela TV Câmara na quinta-feira, às 20 horas, pelo canal 10 da Net).
Segundo ele, a primeira ação de governo, se eleito, será chamar os prefeitos que contam com companhias habitacionais como a de Bauru, e ir direto ao Governo Federal. “Veja a União não pode achar que isso não é problema de lá. Tem contratos dos anos 70 que tem esse sistema de gerar resíduos de milhões e o Governo Federal nunca acertou isso. A realidade hoje é outra e a União é quem tem de repor o FGTS, senão quebra um monte de prefeitura. Tem R$ 5 bilhões de dívidas iguais a essa acumuladas. E Bauru não tem como pagar também. Essa dívida não é nossa, é do Governo Federal”, repetiu.
Durante a convenção de seu partido, para dezenas de correligionários, no início da campanha, no mês passado, Gazzetta, entretanto, foi mais enfático quando falou da Cohab. A empolgação junto à militância o fez bradar que a companhia tinha de ser extinta e tinha até data: até 2015.
Quanto ao conteúdo da difícil situação financeira da Cohab, de outro lado, Gazzetta foi prático, mas certeiro. “Concordo que as dívidas já estão em fase de execução judicial, portanto, não tem muito discussão. Mas se tiver de pagar, não tem como pagar”, enfatizou.
Por fim, ainda sobre o tema habitação, o candidato do PV destacou que o déficit habitacional terá, pela condição atual, continuar de sendo atacado via Minha Casa Minha Vida, do governo Dilma (PT). Ele não citou nada a respeito da CDHU, cujo programa habitacional no Estado destina 1% do ICMS para moradias.
As ações da companhia estadual em Bauru são tímidas há anos. Gazzetta também deixou muito em aberto a definição sobre a extinção da companhia, falando na formação de uma espécie de conselho para avaliar o que se sabe: existem execuções judiciais milionárias em curso e contratos em vencimento da carteira existente em, no máximo, 10 anos. Apesar da Cohab ter prazo de validade, ninguém, até agora, atacou o maior problema financeiro do município na essência.
Críticas
Em 25 minutos de gravação, tempo destinado a todos os candidatos, Clodoaldo Gazzetta ainda teve tempo de comentar que o PV não tem intenção de apresentar nenhuma emenda ao Orçamento de 2013, cujo projeto será votado na Câmara. Para ele, a peça enviada ao Legislativo é de autoria do atual prefeito, Rodrigo Agostinho, e ele tem de responder por ela.
Ainda no final do programa de ontem, que contou com a coordenação de Nivaldo José pela Auri-Verde, o candidato verde atacou a gestão de Rodrigo no DAE. “Ele aparelhou o DAE com cargos e partido político. Vamos montar uma lista tríplice com nomes para serem indicados ao DAE e discutir a nomeação. Dá para licitar já a obra para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto principal. Tem R$ 50 milhões em caixa e arrecada R$ 15 milhões por ano. A gestão atual demora para definir questões vitais para a cidade. A proposta de adiantar parte do dinheiro que faltaria para o tratamento foi feita ao Rodrigo pela Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e não precisa entregar o DAE para isso. Tem de pagar, com a tarifa de esgoto já existente, o restante que falta. Mas a licitação tem de sair, não pode esperar mais”, finalizou.