O uso prático da Internet ficou restrito por um bom período ao entretenimento e a um passatempo ligado ao lazer. Isso porque não se entendia bem qual seria o seu uso prático nas relações empresariais e na vida comum, até que a evolução deu à Internet a atribuição do que ela realmente é: uma ferramenta de otimização de tarefas e compartilhamento de conteúdos, segundo especialistas.
Para o filósofo e professor Fausi dos Santos, a mudança de percepção do indivíduo e das instituições em relação à Internet se deu de forma gradativa até que se tirou dela a ideia exagerada de salvadora ou símbolo moderno do mal.
Já a professora e pesquisadora em cultura digital Ângela Maria Grossi de Carvalho lembra que a primeira fase da Internet realmente foi pensada como fonte de puro entretenimento e mensagens instantâneas. Ideia que foi caindo com a própria evolução da tecnologia.
De acordo com a pesquisadora, na segunda fase da Internet entra o compartilhamento de informações e na terceira e atual, o conhecimento, com a produção de conteúdo. Como exemplo deste último, Ângela cita os conteúdos dos periódicos e das revistas científicas que hoje estão disponíveis na rede.
“Hoje, o objetivo é que ela sirva como espaço de compartilhamento de ideias. E os jovens criando, compartilhando e trocando informações vai ao encontro dos coletivos inteligentes, inseridos também no ciclo da própria criação e compartilhamento de conteúdos”.
‘Arte na rede’
Para Artur Faleiros, integrante do grupo Enxame Coletivo (www.enxamecoletivo.org), a Internet possibilita um espaço de formação livre, de trocas e de oportunidade cultural. Segundo ele, 90% do público do grupo são “capturados” no meio online. “É um meio que potencializa a voz de todos e que possibilita a criação de canais de diálogo, além da multiplicação da informação”.
Ligado a maior rede de cultura livre do país, o Circuito Fora do Eixo, o Enxame Coletivo é um empreendimento solidário de comunicação e cultura que atua no campo da cultura independente. O grupo existe desde 2006 e utiliza ferramentas de Internet e conceitos de economia solidária para realizar eventos e promover alternativas à cultura local. O grupo é formado por artistas, músicos, comunicadores e estudantes universitários.
“Hoje realizamos uma série de eventos que compõem uma grade anual de programação para estimular as movimentações da cultura independente. Para isso, Artur também destaca, entre outros pontos, a necessidade da produção de conteúdo veloz que compreenda a velocidade que a rede demanda.
Além de conferir a programação cultural, quem visita o site tem a oportunidade de se inteirar sobre notícias sobre cultura, desenvolvimento sustentável e movimentos sociais, entre outros.
“As redes sociais, como o Twitter e o Facebook também nos garantem articulação. Além de ser fundamental para a divulgação do nosso trabalho, a Internet é espaço para oferecer informação”, destaca.