No esporte como um todo, para que os brasileiros cheguem à igualdade de condições com os demais competidores tem de evoluir muito.
“A leitura que faço é que não há perspectiva positiva ou negativa. Fala-se muito do papel do profissional de educação física como um suporte a essa melhoria no geral quando, na verdade, a preocupação, nesse momento, é em que posição o Brasil fica locado quando comparado ao resto do mundo no quadro de medalhas”, avalia o professor Márcio Pereira da Silva, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Bauru.
Para o professor, o esporte se tornou globalizado. “Anteriormente, era uma prática, algumas modalidades muito específicas de regiões ou países com poder aquisitivo maior.
Hoje, isso está massificado e tem um contingente maior de pessoas que reúnem condições de apresentar uma performance de alto nível e que vai fazer frente a todos os atletas do mundo, inclusive do Brasil, independente dele ter ou não suporte adequado para ter chegado lá. Nessas Olimpíadas, havia mais de 200 países participando”, avalia o professor Márcio Pereira da Silva
Silva ressalta que a vida de atleta é relativamente curta em relação às demais profissões e no Brasil são poucos aqueles que conseguem sobreviver do esporte.
“Os patrocínios surgem após resultados positivos do atleta. Isso não é um estímulo. É preciso mudar a maneira de pensar em relação a isso. Formar um atleta é um processo a longo prazo. Esse é um aspecto complicador. Depender da iniciativa privada para dar suporte requer resultados imediatos e às vezes é necessário um tempo maior .”
Falta ‘olheiro’
Ainda que nos projetos sociais ou recreativos oferecidos pelas prefeituras desponte uma criança com potencial para esporte de alta performance, quem vai identificá-lo? Essa pergunta quase sempre fica sem resposta. O Brasil não tem “olheiros” para atletas de alta performance e muitos daqueles que poderiam estar brilhando ficam sem desfrutar da chance.
A identificação de potenciais atletas de alta performance dificilmente é feita dentro da escola, segundo o professor da Unesp Márcio da Silva.
“O professor, dentro da escola, não é identificador de talentos. São vários os conteúdos a serem trabalhados. Eu acho que o olho clínico dos professores poderiam identificar, dentro de atividades propostas, características de um ou outro aluno favorável ao desenvolvimento de alguma modalidade.”
Mais oportunidades
Para ele, muitas vezes a identificação é feita de maneira errônea. “O processo de identificação é errôneo. Não se pode isolar ou especificar na formação desse jovem uma modalidade específica. Nos países onde aparecem grandes atletas, eles são treinados em várias modalidades para posteriormente focarem em uma na qual vão se destacar”, diz o professor.
Na opinião dele, deveria ser dada a oportunidade para essa criança ou jovem que apresente um potencial, uma diversidade de prática. “A diversidade de vivências em variadas atividades dão suporte no momento em que esse jovem vai entrar numa especificidade. Só então ele vai reunir condições específicas. Do contrário, teremos o ônus da repetição, os atletas não aguentam por muito tempo a rotina. O jovem precisa ter uma formação multiesportiva. Ele tem que ter potencial e motivacional. Na maioria dos casos, eles começaram muito cedo o trabalho específico” , valia o professor Márcio Pereira da Silva