Bairros

Sonhos, beleza e muita história para contar

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 9 min

Giovanna Manzato - O mundo debaixo de seus pés

“Bagunceira, desastrada, atrapalhada, desorganizada, ciumenta, orgulhosa, irritante e palhaça. Sou tudo, menos perfeita”. A frase que dá boas-vindas a quem visita o Facebook de Giovanna Manzato deixa transparecer suas características mais marcantes: o jeito de menina e a beleza exuberante, que rende a ela o rótulo de perfeita ao qual se refere na frase.

Dona de uma pele muito branca, de cabelos lisos, loiros e longos e de um olho de causar inveja a muita gente, Giovanna é uma das grandes promessas bauruenses.

“Minha referência é a Gisele (Bündchen). Quero ser como ela: top! Além disso, sonho em conhecer o mundo. Viajar muito”, planeja, empolgada.

Se depender do tempo que tem para realizar seus sonhos, ninguém deve duvidar que Giovanna chegará lá.  Com 14 anos, ela já passou uma temporada de quatro meses na Argentina e tem quase tudo acertado para fazer trabalhos na Ásia e na Europa no próximo ano.

Mas se engana quem pensa que a beleza e o talento da menina foram suficientes para esta conquista. Pelo contrário: Giovanna teve de batalhar muito para realizar o sonho.

“Eu comecei bem nova, com 8 anos. Mas, justamente por conta da minha pouca idade, não tinha muito trabalho. Então, durante muitos anos, corri atrás. Participei de vários concursos porém, sempre que era aprovada, recebia a notícia de que precisaria desembolsar em torno de R$ 5 mil reais para tentar dar andamento à carreira, sem nada garantido. Aí ficava difícil”, lamenta.

A carreira da modelo deslanchou quando, por acaso, ela decidiu se inscrever em um concurso escolar em que as garotas competiam em um desfile e a vencedora seria premiada com um curso de modelo na Mega Model Bauru.

“Eu venci e, desta forma, cheguei até a agência. Fechamos contrato e de lá para cá minha carreira está sendo traçada. Já fui para a Argentina e no próximo ano terei trabalho na Ásia e na Europa”, explica, ansiosa, ela que ainda não concluiu o ensino médio, mas que está certa de que estudo não será empecilho para seus planos.

“Com os estudos eu dou um jeito. Isso se arruma. O que não posso é desperdiçar a chance”, afirma, resoluta.

Com a voz doce, Giovanna sonha alto. Está claro que, para ela, os limites do Alto Alegre, bairro onde mora, são pequenos, apertados. Neste caso, o globo terrestre é limite.

 

Laleska Carvalho - O início de um sonho sem fim

Laleska Bianca de Carvalho Parga, 14 anos, é uma das bauruenses que nutre o sonho de ser top model com carreira internacional. Com 1,76 metros de altura e pesando 53 quilos, a menina caminha a passos largos e charmosos para seu objetivo.

“É meu sonho. Não me vejo fazendo outra coisa”, resume ela.

Mas antes se ser contratada pela RN Agency/Mega Model Bauru, Laleska teve de enfrentar muitos obstáculos.

“Sempre tive esse sonho, mas foi difícil chegar onde estou. Participei de muitos concursos, fiquei horas e horas na fila em cima do salto alto esperando chegar minha vez de ser avaliada e já fiz muita dieta e exercício. Mas hoje vejo que tudo valeu a pena”, considera.

Faz poucos meses que a vez de Laleska, enfim, chegou. Ela estava na escola quando foi abordada por uma garota que identificou nela o perfil de modelo, lhe passou alguns contatos e pediu que procurasse alguém da agência.

“Fui atrás e deu certo. Fiz meu book e fechei contrato. Agora é esperar os trabalhos aparecerem”, planeja, ansiosa.

Moradora do Jardim Redentor, ela sonha em viajar o mundo como modelo comercial e de passarela. Quando questionada se abriria mão de sua adolescência para realizar seu sonho, Laleska não titubeia. “É claro que sim! É isso que quero para mim. É o que amo. Não estou sendo forçada a nada”, reforça.


Tayná Richieri - Apaixonada pelo trabalho

Era tarde de quinta-feira, dia 3, quando a equipe do Jornal da Cidade ligou pela primeira vez no celular de Tayná Moreira Richieri, 16 anos. Uma voz doce vinda do outro lado da linha informou que, no momento, não poderia atender. Era a modelo, que havia dado uma pausa na sessão de fotos para atender a chamada ao telefone.

No mesmo dia, por volta das 19h, uma nova tentativa. Novamente frustrada: a sessão de fotos ainda não havia acabado e não tinha previsão de término. Combinamos a entrevista para o dia seguinte.

“Eu estava fazendo um ensaio. É que minha agência está acertando um trabalho para mim na China e eu precisava de um portfólio voltado para o segmento oriental”, justifica ela, que tem planos de morar no país da maior muralha do mundo no próximo ano. “Seria demais!”, considera, animada.

Moradora do Jardim Bela Vista, Tayná desde a infância sonha com a carreira de modelo. Muito desinibida, sempre gostou de ter os holofotes sobre si. Quando criança, arriscava-se nos palcos como bailarina. Agora que cresceu, prefere a passarela.

“É o que eu quero para minha vida, por isso todo esforço é válido. Tem dias, por exemplo, que eu tenho de sair da aula para fotografar. Neste caso, peço licença e dou um jeito de repor aula e estudar mais depois”, explica ela, que também faz aulas de inglês.

Tayná se engajou definitivamente na carreira há pouco tempo. Começou a trabalhar com uma agência por convite de olheiros, que identificaram nela um perfil exótico, ideal para trabalhos de passarela e comerciais.

“Acho que chegou minha hora. Sou muito grata, de coração, aos meus produtores Val Nogueira e Juliana. Sem eles, não estaria onde estou”, acrescenta ela, frisando a importância do agradecimento.

Mas quando o assunto é carreira, Tayná confessa que tem um plano B. “Quero fazer jornalismo ou psicologia. Sei que rostinho bonito envelhece, então, é preciso aproveitar o momento, sem deixar de ter em vista outras alternativas”, explica.

Com 1,73 de altura e pesando 49 quilos, Tayná conta que, em seu caso, a maior parte do esforço exigido pela carreira se resume às longas sessões de fotos.

“Eu mantenho uma alimentação regulada, mas não tenho problema com peso. Dei sorte: minha genética é boa”, comemora.


Larissa Godoi - Batalhando por um lugar ao sol

 

Era uma tarde qualquer, quando, ao caminhar pelo shopping, Larissa Gabriele Godoi, 15 anos, foi abordada por um olheiro de uma agência de modelos.

“Ele pediu meu telefone, o nome dos meus pais para contato e ficou de me ligar. Disse que eu tinha o perfil de modelo. Isso já havia acontecido algumas vezes mas, neste dia, resolvi levar a sério”, lembra.

Foi então que tudo começou. Larissa, que quando criança não tinha o sonho de desfilar passarelas Brasil a fora, em pouco tempo passou a cogitar a hipótese de ser uma top brasileira.  Em quase três anos de carreira, já fez fotos e desfiles para diversas empresas da cidade. Só não saiu do País por precaução.

“Acho que ainda não estou preparada. Estou melhorando meu inglês e vou terminar meus estudos. Nesta carreira, é muito importante planejar cada passo”, justifica.

E ter os pés no chão é uma das principais qualidades de Larissa. Esforçada, enquanto não se sente preparada para ganhar o mundo, trabalha como vendedora em uma loja de produtos naturais.

“Apesar de minha mãe ser meu porto seguro e me ajudar muito, acho importante batalhar pela minha independência”, conta ela, que entra no serviço às 10h e sai às 18h, e logo emenda o expediente com o horário do colégio.

“A não ser quando eu tenho algum trabalho como modelo para fazer. Nesses casos, eu dou um jeitinho, afinal, a carreira de modelo é mais importante”, pondera.


Isaele Gaioto - Desfilando pela passarela da vida

Animada e linda. Esses são os adjetivos que melhor definem a modelo Isaele Caroline Gaioto da Costa, 19 anos. E nem poderia ser diferente. Alta, magra e com um sorriso que dificilmente sai de seus lábios, Isaele tem motivos de sobra para comemorar.

“Embarco para uma viagem de seis meses para a Indonésia no dia 29 de agosto. Neste período, vou ficar lá trabalhando. Estou ansiosa e superfeliz”, comenta ela, que já tratou de pesquisar as principais características do país onde vai morar durante este tempo. “Eles comem bastante arroz e não comem carne de porco. Além disso, a temperatura de lá é bem parecida com a daqui. Acho que vou tirar de letra”, avalia.

Mas essa não é a primeira viagem internacional de Isaele. Trabalhando como modelo desde muito nova, ela já deixou o Núcleo Mary Dota uma outra vez, quando esteve na Argentina.

“Foi uma experiência legal, mas sofri bastante. Fui a trabalho. Me disseram que era uma coisa e, chegando lá, era outra completamente diferente. Morria de medo de sair fora das regras e ser deportada”, lembra, rindo.

O caso da viagem é apenas um exemplo de que nem tudo na carreira de uma top são flores e flashes. Isaele mesmo tem bastante história para contar.

“Nessa viagem da Argentina, as pessoas da agência queriam que eu bebesse na presença dos clientes para fazer um social. Mas eu era muito nova, tinha apenas 15 anos, e fiquei com medo. Como eles insistiam, eu pegava o copo, ficava com ele nas mãos e, quando não tinha ninguém olhando, despejava nos vasos de flores. Na época foi complicado. Hoje, quando lembro, acho graça”, conta.

Além disso, Isaele já sofreu bastante por conta do peso. Apesar de manter uma alimentação regulada, a modelo conta que não tem facilidade para manter o corpo escultural.

“Eu sempre me via mais gorda do que realmente era. Chegou uma época em que notei que estava quase anoréxica. Foi quando me toquei que precisava me cuidar melhor”, conta, demonstrando arrependimento.

Tantos episódios serviram de aprendizado para a modelo, que hoje se diz preparada para enfrentar o novo desafio na Indonésia.

“Já até fiz minha festa de despedida”, finaliza.

 

Bruna Souza - Beleza com personalidade

Foi caminhando pela passarela da vida real, mais especificamente pela avenida Rodrigues Alves, que Bruna Souza, 19 anos, recebeu o convite de um olheiro de uma agência de Bauru para se aventurar na carreira de modelo. Ela, que nunca havia cogitado a ideia de se dedicar a essa profissão, topou fazer algumas fotos e tentar a sorte.

“Fiquei muito surpresa com o convite e decidi arriscar. Por que não, né?”, questiona.

Morena, 1,73 metros de altura, e 54 quilos, Bruna chama a atenção por onde passa. Mas, para conseguir destaque na profissão, somente estas características não foram suficientes. Bruna precisou alisar o cabelo, que antes era afro, e emagrecer em torno de seis quilos.

“Depois que fiz as mudanças, mais trabalhos começaram a aparecer. Mas, para alcançar isso, alguns sacrifícios foram necessários”, conta.

Entre eles, o mais difícil foi emagrecer. Dona de um quadril largo, por mais que perdesse peso, ainda faltava muito para alcançar o formato de corpo ideal para modelos de passarela.

“Cheguei a pesar 48 quilos e ainda não era o bastante. Eu estava passando dos limites. Quando percebi isso, saí da agência e decidi me dedicar somente ao mercado comercial”, conta.

Com a decisão, Bruna focou seus esforços em trabalhos fotográficos. Da época em que participava de desfiles, ela se lembra de um episódio inusitado, ocorrido em um desfile de calçados, em Jaú.

“Fui fazer o desfile e, não sei por qual motivo, acharam que eu calçava 39, quando, na verdade, meu número é 36. Foi um superdesafio desfilar com o sapato sambando nos pés, mas deu tudo certo”, lembra, rindo.

Atualmente, além de atuar como modelo comercial, Bruna cursa a faculdade de psicologia e trabalha em uma loja de joias.

“Na carreira de modelo é preciso ter, além de beleza, muita paciência, perseverança e sorte. Por isso faço questão de manter minha vida paralela à profissão.” 

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