“Foram quase duas horas de nervoso no posto, e quando resolvi ligar e denunciar a situação para a mídia, eles resolveram que iriam fornecer o remédio.” O desabafo é do pastor Roberto Lima de Almeida, 63 anos, que sofre com problemas cardíacos desde o início deste ano e depende dos remédios fornecidos pela rede pública de saúde para reduzir os riscos de um infarto.
Na manhã de ontem, ele foi à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Núcleo Beija-Flor para conseguir o Monocordil, remédio com ação vasodilatadora que aumenta a quantidade de oxigênio para o coração.
Entretanto, funcionários do posto de saúde teriam negado o fornecimento do remédio, já que a dosagem prescrita na receita médica do paciente, de 20 miligramas, era inferior à dosagem do medicamento disponível para os usuários da unidade, de 40 miligramas. Para Almeida, a situação representa um descaso do poder público com os usuários da rede municipal.
“Isso não é um remédio qualquer, é um comprimido para a redução de risco de morte. Faz oito meses que pego a medicação aqui e agora eles decidiram negar. Deviam é ter comprado na dosagem certa”, reclama.
O medicamento em questão é um comprimido que, segundo o próprio paciente revela, já teria sido disponibilizado pela mesma unidade de saúde nos meses anteriores.
“Eu conseguia a medicação e o repartia na metade. Uma cartela de 15 (comprimidos) dava para quase um mês”, completa o homem, que após quase duas horas de espera conseguiu a medicação em dosagem superior pela unidade.
Compras e dosagens
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, as compras realizadas pela secretaria são feitas conforme as dosagens usuais nos postos.
Ainda segundo o secretário, nas situações em que há divergência, a orientação é de que o paciente volte ao médico e peça a alteração na receita, ou seja, a prescrição do remédio na dosagem disponível nas unidades de saúde, com a orientação do consumo fracionado pelo paciente.
“Os profissionais são orientados a não fornecer remédios em dosagem errada. O funcionário que atendeu o caso, às vezes, não era capacitado para realizar a conversão das doses e pode não ter conseguido expediente da área farmacêutica para atendê-lo naquele horário”, disse Fernando Monti, destacando que o serviço de conversão de dosagens somente pode ser realizado por profissionais da divisão de assistência farmacêutica de cada unidade de saúde.
“Não tem como adquirir remédios customizados com as dosagens de cada paciente. Adquirimos aqueles com mais apresentações, que possibilitem a fração”, fecha questão o secretário, afirmando que ainda ontem iria apurar a ocorrência no posto de saúde citado.
A assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal foi acionada no caso para checar as condições em que a negativa da medicação aconteceu, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
Farmácias funcionarão separadas das unidades básicas de saúde, diz Monti
A Secretaria Municipal de Saúde possui um planejamento de transferir as farmácias das Unidades Básicas de Saúde (UBS) para cinco unidades centrais de assistência farmacêutica nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). A informação foi repassada pelo secretário titular da pasta, Fernando Monti, na manhã de ontem em conversa com o Jornal da Cidade.
Em tese, os medicamentos serão retirados das unidades que prestam assistência para serem colocados em uma espécie de rede farmacêutica específica.
“Nesses locais teremos profissionais qualificados em farmácia com a competência de, por exemplo, realizar a conversão das doses de medicamentos”, explica Monti.
Atualmente, as medicações estão disponíveis aos usuários em salas dispostas no interior dos postos de saúde ou UBS.
Possivelmente, a primeira unidade de assistência farmacêutica que deverá ser implantada na cidade será próximo a UPA do Bela Vista, no prédio onde funcionava o antigo Pronto-Atendimento, mesmo local que deverá abrigar a rede de Saúde da Família. O prédio passa por reformas e tem data prevista para ser ocupado até o final deste ano.