Articulistas

Confiança e parcerias

Antonio Delfim Netto
| Tempo de leitura: 2 min

"Ousado, mas factível": a expressão parece registrar, na média, as reações dos empresários que compareceram em grande número a Brasília para assistir ao lançamento pela presidente Dilma Rousseff do maior programa de investimentos em infraestrutura de seu governo, em parceria com o setor privado e com forte apelo federativo, confirmado pela presença expressiva de governadores na solenidade.

Trata-se de agilizar as condições de investimentos da ordem de 133 bilhões de reais mediante a transferência, via concessões à iniciativa privada, da construção e administração de 7 mil e 500 quilômetros de rodovias e de 10 mil quilômetros de ferrovias. No seu discurso a presidente Dilma fez o reconhecimento público que seu governo considera as parcerias com o setor privado como essenciais à aceleração do crescimento e enfatizou ainda, textualmente que "estamos fazendo parcerias para ampliar a infraestrutura do país, em benefício de sua população e das empresas privadas e para saldar uma dívida de décadas de atraso em investimentos em logística".

Essa iniciativa de retomada de investimentos acontece num momento em que os brasileiros mostram em pesquisas de âmbito universal que têm os maiores níveis de confiança no país e de esperança que o futuro será melhor. Um país como o Brasil precisa de um crescimento médio do PIB da ordem de 5% ao ano e isso só é sustentável com um investimento médio da ordem de 25% do PIB.

Para conseguir 25% do PIB, como investimento, temos de poupar (ou importar poupança externa) no mesmo nível. A Contabilidade Nacional é indiferente à ideologia, cara feia, passeatas ou ameaças sindicais! A presidente Dilma tem absoluta razão quando diz que: "não se pode brincar com as finanças públicas! Se quisermos continuar a crescer com estabilidade não podemos transigir com os aumentos salariais que os servidores públicos estão "exigindo", monitorados pelo funcionalismo sindical. É preciso que os brasileiros e suas famílias que vivem do trabalho na iniciativa privada, os 196 milhões de cidadãos "excluídos do baile"... apoiem fortemente a disposição do governo de resistir.

O setor privado brasileiro continua investindo mais de 25% de sua renda líquida. Quem tradicionalmente vem desinvestindo liquidamente é o governo! Agora ele tomou a decisão de dar um passo avante e acelerar o crescimento através de investimentos de mais de 130 bilhões de Reais nos próximos 5 anos, em projetos de infraestrutura, com concessões melhor estudadas e com taxas de retorno capazes de atrair, numa dura competição, o que há de melhor e de mais confiável na engenharia nacional. Eles elevarão o baixo investimento no setor sem sobrecarregar o orçamento federal (no qual não cabe o que já está lá dentro!) fazendo crescer a renda e o consumo imediatamente e ampliando a capacidade produtiva futura (a produtividade total da economia) quando estiverem executados.

O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento e articulista do JC

Comentários

Comentários