Nos últimos anos, o avanço da tecnologia, associado à falta de tempo do homem, moderno mudou os costumes. Comprar roupa pronta, ainda que precise de um ajuste, é mais prático do que ir à costureira, escolher o modelo, comprar o tecido, experimentar a roupa e só então usar. Este foi um dos motivos da quase extinção das costureiras. O mesmo aconteceu com o barbeiro, alfaiate, bordadeira, sapateiro e tantas outras profissões que ficaram quase que no passado. Na região, profissionais dessas áreas ainda prestam serviços nos moldes de 40 anos atrás.
Em Ibitinga (90 quilômetros de Bauru), por exemplo, as costureiras e bordadeiras são profissionais altamente valorizadas. Costuram enxovais de cama, mesa, banho e bebê. As bordadeiras dão glamour ao trabalho mais delicado. Estão em falta. Em função disso, algumas empresas adotaram as máquinas de bordar computadorizadas que agilizam o bordado, porém só o toque manual é que valoriza a peça.
Em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), um sapateiro é tido como um artista. Faz meia sola de sapato, mas também reforma sapatos novos, fazendo ajustes de salto, apertando ou alargando o cano de botas e até reformando peças do vestuário confeccionadas em couro.
Em Bocaina (69 quilômetros de Bauru), um único barbeiro atende toda a população. São poucos os moradores que se dão ao luxo de sentar por alguns minutos na cadeira para fazer a barba. O salão da década de 50 sobrevive com os cortes de cabelo.
Nos mesmos moldes, um salão de barbeiro de Pederneiras persiste oferecendo barba e cabelo na área central da cidade. Desde 1971 na profissão, o barbeiro conta que sustentou sua família fazendo barba com navalha. Para evitar a mudança de profissão, já com idade avançada, quem sempre viveu disso isso, se adaptou aos tempos modernos. Nas grandes cidades, as costureiras se transformaram em oficinas de consertos. É o tal de aperta aqui, solta ali, encurta ou aumenta a barra da saia, vestido ou calça.
O alfaiate ficou para os homens mais exigentes, que preferem tudo sob medida e abominam os pequenos consertos que a roupa comprada pronta sempre exige. O barbeiro vive de cortar cabelo e de aparar bigodes e cavanhaques. A bordadeira, para trabalhos especiais. Ao mesmo tempo, nas grandes metrópoles, esses profissionais ressurgem, em nova roupagem, com uma dose de nostalgia.
Para a analista de RH Natacha Nishihara, o avanço tecnológico fez com que novas profissões surgissem no mercado e outras fossem extintas. Em cidades de menor porte, é possível encontrar profissionais que fazem trabalhos que estão em extinção, porém que não estão deixando “herdeiros”.