Tribuna do Leitor

Por que um pode e outro não?


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Foi realizado nos dias 11 e 12 de agosto, pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru, o espetáculo "Macumba antropófaga", dirigido pelo diretor José Celso Martinez Corrêa. Em 2008, eu fui convidado para uma Oficina de Horror pelo mesmo Sesc. Lembro-me bem; na época fui censurado e proibido de levar para lá uma urna funerária, por preconceito do próprio Sesc.

Não entendo como foi liberado esse tipo de espetáculo pelo Sesc, usando a nudez e tantas outras barbaridades, que nem vou citar, por ética e por respeito, porque trabalho com o mesmo gênero teatral e admiro muito José Celso. Nunca fui a favor de proibições artísticas, sou contra o preconceito à arte, vindo de pessoas medíocres, sem visão cultural e sem qualquer respeito à linha teatral desenvolvida pelo artista.

Acho tudo isso uma falta de respeito, porque o que mais chama a atenção no artista é justamente a sua linguagem universal. José Celso é internacional, bem como o meu amigo e cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Por incrível que pareça, ele também já teve uma proposta vetada pelo Sesc de Bauru, por causa justamente da ousadia de sua linguagem. Será que se fosse o ator e diretor de teatro e do curta "Asfixia" não teriam proibido a nudez ou coisas parecidas? Talvez porque sou de Bauru? Se eu fizesse isso, com certeza, o público sairia falando: "que pouca vergonha".

Também quero lembrar para a minha querida cidade de Bauru o meu funeral fúnebre, em comemoração dos 30 anos de carreira da minha vida teatral, no qual percorri várias praças da cidade no domingo de 30 de outubro de 2011.

Em plena Praça da Paz, me aparece um indivíduo que chamou a polícia, pelo fato de simplesmente ver uma urna funerária em cena. Na época do evento, eu tive o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru, da Bauru Painéis e do conceituado Jornal da Cidade, que deram toda a cobertura necessária, além da autorização e presença da Polícia Militar, para garantir a segurança do evento.

Além disso, anos atrás, a Oficina Cultural "Glauco Pinto de Morais" vetou o meu projeto chamado "A Paixão segundo o Vampiro", para ser realizado naquela unidade o encontro teatral do Cristo tradicional com o Vampiro, o meu personagem de horror. Seria uma fusão de linguagem que Bauru jamais viu até hoje. Infelizmente, ainda não sei o motivo pelo qual o projeto não foi aceito. Então, pergunto: por que um pode e o outro não?

Roberto Malini

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