Internacional

Assange pede o fim da ?caça às bruxas?


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Londres - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, apareceu na sacada da embaixada do Equador em Londres ontem para falar à imprensa, fazendo sua primeira aparição pública desde que se refugiou no prédio, há dois meses.

A aparição de Assange na sacada foi vista como uma tentativa de evitar a prisão. O australiano, que recebeu asilo diplomático do Equador na última quinta-feira, é requerido pela Suécia por acusações de supostos crimes sexuais.

“Estou aqui hoje porque não posso estar aí com vocês”, disse Assange, dirigindo-se a seus apoiadores reunidos em frente à embaixada equatoriana.

“Na quarta-feira, depois que uma ameaça foi feita a esta embaixada e a polícia veio até aqui, vocês apareceram para vigiar”, continuou, fazendo referência ao grupo de manifestantes que realizou protestos em defesa do WikiLeaks e de seu fundador em frente ao prédio da embaixada. “Obrigada por sua determinação, por sua generosidade de espírito.”

“Se o Reino Unido não jogou fora a convenção de Viena, foi porque o mundo estava assistindo e se o mundo estava assistindo é porque vocês estavam vigiando”, acrescentou.

Assange, pediu que o presidente americano, Barack Obama, pare com sua “caça às bruxas” contra seu site.

“Eu peço para o presidente Obama fazer a coisa certa, os Estados Unidos devem renunciar a sua caça às bruxas contra o WikiLeaks”, disse Assange, em sua primeira declaração pública desde que recebeu asilo político do Equador.

“Não deve haver mais conversas tolas sobre perseguir qualquer meio de comunicação, seja o WikiLeaks, seja o “The New York Times””, acrescentou.

Assange também elogiou a “coragem” mostrada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, por aceitar conceder asilo a ele.

“Eu agradeço ao presidente (Rafael) Correa pela coragem que mostrou ao considerar e me conceder asilo político”, disse.

O fundador do WikiLeaks também pediu o fim da prisão do soldado americano Bradley Manning, acusado de ter colaborado com Assange.

Minutos antes do pronunciamento, o advogado de defesa de Assange, o ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, havia dito que ele estava com espírito “combativo” e havia lhe pedido “que recorra à justiça para proteger os direitos do WikiLeaks, os seus próprios e os de todas as pessoas que são alvo de uma investigação”. Estas declarações demonstram que o australiano não tem a intenção de se render.

Para poder sair da embaixada e viajar ao Equador, Assange precisa de um salvo-conduto das autoridades britânicas, que já anunciaram que não o fornecerão.

Ontem, Garzón especificou que entrará com uma ação judicial sobre “diferentes pontos, em diferentes países, tanto sobre a situação financeira do WikiLeaks, os bloqueios injustificados que foram feito, assim como para reivindicar a concessão de um salvo-conduto”.

A Suécia requer Assange por um suposto caso de agressão sexual e estupro, que ele nega. O australiano teme que o fato seja utilizado como desculpa para extraditá-lo aos Estados Unidos, para que responda por acusações de espionagem devido à divulgação em 2010 pelo WikiLeaks de centenas de milhares de documentos diplomáticos americanos.

O número 2 do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, assegurou ontem em declarações à AFP que se a Suécia se comprometesse a não extraditá-lo aos Estados Unidos, seria uma “boa base para negociar” uma saída pra Assange.

“Seria uma boa base para negociar, uma maneira de encerrar este assunto, se as autoridades suecas declarassem sem nenhuma reserva que Julian (Assange) nunca será extraditado da Suécia aos Estados Unidos”, indicou o porta-voz.

“Posso assegurar que ele (Assange) quer responder às perguntas do promotor sueco há muito tempo, há quase dois anos”, acrescentou Hrafnsson.

A Suécia reagiu rapidamente: “O suspeito não tem o privilégio de ditar suas condições”. “Se o WikiLeaks quer dar uma mensagem deste tipo, deve fazê-lo conosco diretamente, de maneira convencional”, disse um porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

“No estado atual das coisas, não podemos dizer o que vamos fazer”, sustentou, embora tenha assegurado que “não extraditamos ninguém que corre o risco de (ser condenado à) pena de morte”.

Em frente à embaixada equatoriana havia cerca de 50 simpatizantes de Assange, alguns com as máscaras do movimento Anonymous, cantando e gritando slogans contra as autoridades britânicas.

Meia centena de policiais protegia o edifício, perante o qual cerca de 300 jornalistas aguardavam.

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