A pequena garota de 3 anos foi levada pelos pais ao posto de saúde para tomar uma “picadinha” que iria protegê-la de uma “doença ruim”. No dia seguinte, como se os pais a tivessem enganado, estava com o braço esquerdo vermelho e inchado, quase com o dobro do diâmetro do membro direito.
A menina, que não será identificada a pedido da família, possivelmente sofreu uma reação alérgica à “picadinha” - na verdade, à vacina contra a gripe A (H1N1), ou gripe suína, ministrada na unidade básica do Jardim Redentor no último sábado. Até ontem, o braço da menina - que já está sendo medicada - continuava levemente inchado e vermelho.
Conforme o JC apurou, na creche onde estuda, no bairro Higienópolis, pelo menos mais uma criança enfrentou o mesmo problema na última semana. Consultada, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Educação informou que o Departamento de Saúde Coletiva ainda não tinha informações sobre casos de reação ou complicações alérgicas por conta da vacina. Especialistas, no entanto, afirmam que este tipo de intercorrência pode acontecer e que, até o momento, não há motivo para preocupação.
Segundo o pai da garota, um técnico de som de 57 anos, a menina foi vacinada na manhã do último sábado e, no domingo, seu braço já estava bastante inchado.
Como a filha reclamava de dor, ele a levou até o Pronto-Atendimento do Hospital da Unimed e o médico teria confirmado a reação alérgica.
“Enquanto esperava o atendimento, conversei com uma senhora que estava com sua filha pequena. A menina estava com mesmo problema no braço por causa da vacina, que tinha tomado no posto de saúde da Vila Cardia”, comenta o pai. Consultada, a assessoria de imprensa do hospital não confirmou a informação.
Na segunda-feira, o técnico de som levou a filha ao consultório da pediatra da família, que receitou apenas medicamento antialérgico, já que a menina não apresentava febre. Com quadro de saúde evoluindo positivamente, a paciente ainda se recupera da alergia. Mas a família, agora, tem medo de levá-la para receber a segunda dose da vacina, necessária para a imunização adequada a crianças de sua idade.
Caso incomum
Preocupado com a possibilidade de novas crianças sofrerem o mesmo problema, o pai da menina voltou ao posto de saúde do Jardim Redentor para comunicar o ocorrido. De acordo com ele, os funcionários disseram que irão analisar se houve erro na elaboração de algum lote da vacina ou se trata-se de um caso pontual.
O infectologista Marcelo Pesce explica que as vacinas fabricadas atualmente são bastante seguras e reações adversas são incomuns, ainda que possam ocorrer em algumas pessoas, principalmente àquelas mais sensíveis aos conservantes que são adicionados às doses.
“Mas, geralmente, são reações com sintomas leves, com vermelhidão e inchaço no local da aplicação. As complicações mais severas são bastante raras, até porque existe um controle muito grande no processo de produção deste tipo de produto”, pondera.
Conforme o especialista, em caso de complicações, somente um médico da própria unidade básica ou pediatra de confiança da família poderá determinar se a segunda dose é ou não recomendada. “De qualquer maneira, os pais devem informar o posto, para que o problema seja catalogado e estudado pelo município”, alerta.
Imunização
A Secretaria Municipal de Saúde continua imunizando pessoas que fazem parte dos chamados grupos de risco, que incluem crianças de seis meses a 2 anos incompletos, gestantes, adultos acima de 60 anos e seus cuidadores, pessoas obesas, doentes crônicos e profissionais da saúde. A vacinação é realizada nas unidades básicas de saúde, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.