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Universitária morre em sala de aula

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A universitária Angelita Pinto Simões Caldas, 28 anos, morreu anteontem à noite dentro de uma sala de aula na Faculdades Metropolitanas FMU) do Itaim Bibi, bairro da zona oeste de São Paulo.

Ela começou a passar mal, teve uma parada cardíaca e desmaiou. Foi socorrida primeiro por alunos e, depois, pelos bombeiros e Samu.   

Roberta Reis Lima e Edivania Lima, colegas de classe de Angelita, afirmaram que a  universidade demorou para se dar conta da gravidade do caso e para chamar o socorro. O marido dela, José Carlos dos Santos, 44 anos, afirma que a instituição não tinha estrutura para atendê-la ali.

O resgate levou 42 minutos para chegar, disse à polícia Alfredo Meletti, 47 anos, professor que dava aula para Angelita.

A FMU diz que o tempo foi bem menor: 14 minutos se passaram entre ela ter passado mal e o socorro ter chegado. A universidade diz ter chamado o socorro três minutos após saber do caso.

Em casos de parada cardíaca, o paciente tem que ser atendido nos primeiros cinco minutos para aumentar a sobrevida. A cada minuto, a chance de sobrevivência cai 10%, segundo especialistas.

Aluna do primeiro ano de ciências contábeis, Angelita sofria de arritmia cardíaca, disse o marido, e, no intervalo, afirmou estar cansada. Ela havia deixado de tomar remédio para a arritmia após ter ido ao médico.

 

Desfibrilador

A faculdade não a socorreu com desfibrilador, item obrigatório, segundo lei municipal, para instituições de ensino com circulação superior a 1.500 pessoas por dia. A FMU do Itaim tem cerca de 2 mil alunos.

A instituição foi autuada pela prefeitura em fevereiro por falta de desfibrilador. Em 16 de agosto, em nova fiscalização, os técnicos constataram que a unidade havia adquirido 11 equipamentos.

Angelita foi abanada pelos alunos e recebeu massagem cardíaca de uma colega de um estudante de outra classe. No boletim de ocorrência, o coordenador do curso de ciências contábeis disse que um bombeiro civil da universidade foi chamado, mas não prestou socorro.

O marido disse que irá processar a universidade. “Foi praticamente um homicídio.”

Duas irmãs da universitária disseram ter recebido da FMU apenas “meus pêsames”. “Fico me perguntando se ela tivesse recebido socorro se ainda estaria viva”, disse uma das irmãs, Rita, 41 anos.

Angelita foi enterrada ontem em Itapecerica da Serra.

 

Outro lado

A FMU lamentou a morte de Angelita Pinto Simões Caldas e disse estar à disposição dos familiares.

Por meio de nota oficial, a instituição disse que procurou ajuda três minutos após a aluna passar mal, mas não informou por que o desfibrilador não foi usado.

A reportagem questionou a FMU, que não respondeu.

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