Internacional

Violência na Síria deixa 370 mortos


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Damasco - Ao menos 370 pessoas morreram anteontem na Síria - sendo que pelo menos 200 em Daraya, perto de Damasco - anunciou ontem o OSDH (Observatório Sírio dos Direitos Humanos). O balanço é impossível de ser confirmado por fontes independentes pelas restrições impostas pelas autoridades sírias à imprensa.


Na madrugada de ontem, o OSDH informou a descoberta de dezenas de corpos não identificados na localidade de Daraya, na região de Damasco. As descobertas deste tipo, geralmente corpos de vítimas de execuções sumárias, se multiplicam na Síria nas últimas semanas.


Desde o começo da revolta contra o ditador Bashar al Assad, em março de 2011, a violência deixou 25 mil mortos, segundo o OSDH, e mais de 200 mil sírios fugiram para países vizinhos, segundo o Acnur (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados).


O OSDH tinha informado previamente da morte de cerca de 50 pessoas na mesquita Abu Suleiman al Dirani dessa cidade, mais tarde foram encontrados mais corpos pelo massacre nesta cidade, que estava há quatro dias assediada.


“As forças de Assad mataram a

sangue frio”, disse Abu Ahmad, 40 anos, um morador da cidade ao “New York Times”. “Eu vi dezenas de mortos, assassinados pelas facas nas pontas de Kalashnikovs ou por tiros. O regime acabou com famílias inteiras, pai, mãe e filhos. Eles só mataram, sem qualquer pretexto”.


Os ativistas divulgaram um vídeo no qual se pode ver dezenas de pessoas mortas e supostamente executadas, em sua maioria homens, no porão de um prédio, enquanto o autor da gravação acusa os “shabiha” pelo massacre, apesar de não se poder confirmar a autenticidade do vídeo.


A rede de ativistas Comitês de Coordenação Local situou o número de vítimas em mais de 300, o que, segundo seus cálculos, eleva o total de mortos nos últimos dias em Daraya para 633. O grupo também denunciou a detenção de outras 1.755 pessoas.


Embora a maior parte dos corpos esteja no porão da mesquita, os opositores denunciam que as forças do regime atacaram casa por casa para continuar com o massacre em Daraya, que tem seu nome ligado a outros massacres no conflito sírio como os de Houla e Tremseh.


“As forças do regime realizarão um de seus ataques mais bárbaros contra uma cidade que se tornou famosa por seu compromisso com a não violência”, assinalaram os Comitês em comunicado, onde asseguram, além disso, que há dezenas de mulheres e crianças entre os falecidos.


As tropas de Assad conseguiram tomar na sexta-feira o controle da cidade após vários dias de assédio e bombardeios com artilharia e aviação.



Deserção


O vice-presidente sírio Faruk al Shareh - objeto de intensas especulações sobre uma suposta tentativa de deserção - apareceu em público ontem pela primeira vez em mais de um mês.


Al Sharek foi visto em público pouco antes de um encontro com Alaedin Borujerdi, presidente da comissão parlamentar de política externa do Irã, principal aliado do regime na região.


Em 18 de agosto passado, a oposição informou sobre uma tentativa de Shareh desertar, o que foi imediatamente desmentido pelos meios oficiais.



Enterro


Centenas de corpos foram enterrados em valas comuns na cidade de Daraya ontem. Segundo o OSDH (Observatório Sírio para os Direitos Humanos), mais de 200 corpos foram encontrados na cidade somente ontem.

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