Política

Toron defende nova atuação da OAB

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos três candidatos da oposição à presidência estadual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Alberto Zacharias Toron faz duras críticas à atual gestão, até então cabeçada por Luiz Flávio D’Urso e que tem Marcos da Costa como candidato. Utilizando-se de termos como ‘coronelista’ para se referir ao atual comando, ele afirma que a Ordem se tornou reativa diante dos problemas enfrentados pelos advogados.

Segundo Toron, esses profissionais são submetidos, dia a dia, a situações de constrangimento e humilhação diante do Poder Judiciário e do Ministério Público. Ele afirma, porém, que a OAB só age diante de algumas denúncias específicas. “É necessário que todas essas partes sentem juntas para que sejam acertadas formas de conduta”, pontua.

O advogado, com 31 anos de experiência na área Criminal, defende, inclusive, que a Ordem tenha voz diante das decisões do Poder Judiciário. “Ele não pertence aos juízes, mas sim à República. Portanto, nada mais coerente do que todos os atores envolvidos participem”, argumenta.

Toron faz coro junto aos demais oposicionistas ao dizer que os gastos da OAB, que em São Paulo tem orçamento próximo dos R$ 450 mil, não são transparentes e defende a autonomia administrativa e financeira das subseccionais.

Atualmente, para a subsede de Bauru, por exemplo, promover um ciclo de palestras precisa da autorização de São Paulo. O mesmo ocorre para conserto e compra de equipamentos, como um ar condicionado. “Eles utilizam isso para o clientelismo político. Se o comando da subseccional não for alinhado, não consegue comprar nem uma maçaneta. Existem, inclusive, casos em que nomes de palestrantes foram vetados”, critica.

Toron defende também o fim do voto obrigatório para as eleições da OAB e quer o conselho estadual da entidade mais plural. “Tem que ser algo parecido com um parlamento e a representatividade ser composta a partir da porcentagem de votos que cada chapa receber. Isso fortalece o caráter fiscalizador do conselho”, pontua.

O oposicionista fala ainda em combater o perfil ‘arrecadatório’ da Ordem, a partir da solidariedade com os advogados que apresentem dificuldades financeiras e abrindo mais possibilidades para o parcelamento da anuidade paga pelos associados.

 

Já apoiou

Por conta de profundas críticas de Alberto Toron à atual gestão da OAB em São Paulo, o candidato da situação, Marcos da Costa, deu declarações à mídia nacional, questionando a postura do adversário, que apoiou a gestão D’Urso durante seis anos.

Toron confirma a informação e diz que, inicialmente, o presidente representou importante novidade, mas que, com o passar dos anos, algumas fissuras surgiram. Entre elas, a desaprovação de Toron, que presidia o Conselho Federal da OAB, à adesão de D’Urso e da entidade paulista ao controverso movimento ‘Cansei’, em 2007.

Além disso, Toron afirma que o fortalecimento de seu nome, credenciando-o para a disputa, gerou desgastes, acompanhados por posicionamentos antagônicos diante de diversas questões.

Toron: “Não sou candidato do PT”

Alberto Toron, logo no início da entrevista, faz questão de enfatizar que não é o candidato do PT na eleição da OAB paulista. Ele é associado ao partido por ter sido filiado a ele no início da década de 1980, por ter o apoio de Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também por ser o advogado de defesa do deputado João Paulo Cunha (PT), no caso do ‘Mensalão’.

O candidato argumenta que tem o apoio de militantes do PSDB, lembrando, inclusive, que participou do governo Márcio Covas.

A postura defensiva de Toron não é à toa: ele é um dos principais críticos ao que chama de trampolim político de Flávio D’Urso, que deixou a OAB, inicialmente para disputar a Prefeitura de São Paulo, mas acabou como candidato a vice de Celso Russomano (PRB).

 

Casos famosos

Um dos advogados criminais mais reconhecidos do País, Alberto Toron é o advogado do deputado federal João Paulo Cunha, condenado por nove votos a dois no Supremo Tribunal Federal (STF), por peculato e corrupção passiva. Após a decisão, o petista abriu mão da disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Toron, porém, já atuou em Bauru, na defesa do ex-prefeito Antônio Izzo Filho.

 

Chapa de oposição em Bauru

Advogados da cidade aproveitaram a ocasião da visita de Alberto Toron a Bauru para lançar a primeira chapa de oposição à presidência da subsede da OAB. Encabeçada por Thiago Luís Rodrigues Tezani, ela é formada também por Viviane Lúcio Calanca, Karla Valverde Castilho, Lia Clélia Canova e Thiago Azevedo Guilherme.

Atualmente, a entidade é comandada por Caio Augusto Silva dos Santos. 

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