Polícia

Briga ?entre amigos? gerou crime

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Tudo teria começado e se desencadeado por conta de uma “briga em família”. Foi o que relatou o construtor civil Ailton Fagundes, 38 anos, ao confessar à Polícia Civil que matou Paulo Sérgio Euzébio, 29 anos, a facadas, no Núcleo Pousada da Esperança 1. O crime, conforme noticiado pelo JC, aconteceu à 0h25 do dia 29 de julho.

As informações registradas no boletim de ocorrência (BO) eram de que, após a chegada dos policiais, Solange da Silva, 49 anos, mulher da vítima, teria relatado que um garoto foi até sua casa e informou que seu marido estava sendo agredido, em local não informado. Por volta das 19h, Euzébio chegou à residência ferido, ensanguentado e pedindo ajuda. Ele não resistiu e morreu em frente à residência.

Na data, a equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru foi até o local e começou a coletar as informações preliminares para o início de mais uma investigação. Ao lado do corpo sem camisa havia uma bainha, que foi apreendida, bem como um facão.

Na cena, um rastro de sangue na casa de Euzébio e outro rastro de sangue também na casa vizinha. “O questionamento era: quem foi o autor do crime? Chegamos à informação de que ele tinha discutido com Antônio Marcos Fagundes, 37 anos, e o teria ferido com um facão”, contou o delegado titular da DIG, Kleber Granja.

Antônio Marcos era vizinho da vítima e residia ao lado da casa dele com sua esposa e irmã de Euzébio, Cirley Aparecida Euzébio, 34 anos. “Nós conversamos com o Antônio Marcos e ele disse: ‘Impossível. Houve uma discussão, mas neste momento eu estava na UPA do Mary Dota’. Fomos até lá e a ficha médica dava conta de que ele não estava mentindo. Então avançamos as investigações”, acrescentou.

 

Uma camisa

Depois de ouvir diversos depoimentos de testemunhas e vasculhar os locais do crime para a coleta de dados, uma prova foi crucial para a chegada até o acusado de matar Paulo Sérgio Euzébio: uma camisa. “A mãe do Paulo Sérgio achou a camisa e nos entregou. Encaminhamos para a perícia e foi constatado que realmente tinha sangue humano nela. Algumas testemunhas reconheceram a camisa como a usada por Ailton na data do crime”.

Diante de todas as provas iniciais, foi expedido o mandado de prisão temporária de 30 dias contra Ailton Fagundes, que foi abordado na manhã de ontem em sua casa, na Pousada da Esperança 2, quando saía para trabalhar e acabou confessando a autoria do crime.

 

Descontrole

O que já se sabia, desde o início das investigações, era que as partes envolvidas no crime tinham uma ligação muito próxima, de afinidade. Em depoimento na DIG, Ailton Fagundes contou que, no dia da morte de Euzébio, alguém teria ligado para o seu irmão, Antônio Marcos Fagundes, vizinho da vítima, dizendo que Euzébio estaria brigando com a mulher Solange.

“Ao chegar na casa com uma testemunha,  Paulo golpeou Antônio Marcos na cabeça com um facão. Então ele deixou o local e foi até a UPA do Mary Dota”, relatou o delegado Kleber Granja. Enquanto era socorrido, a testemunha que estava com Antônio Marcos ligou para Ailton dizendo: “Seu irmão está ferido. Vá até a casa dele porque a Eliane (irmã) está sozinha e o Paulinho está descontrolado”.

“Ailton disse que, ao chegar no local, viu Paulo na rua com uma faca na mão. Imediatamente, abriu o porta-malas e foi pegar um facão que tinha no seu carro. Neste momento, foi golpeado profundamente por Paulo e eles entraram em luta corporal.”

Ailton conseguiu apanhar a faca de Euzébio e o golpeou. A vítima correu em direção à casa de Antônio Marcos, onde foi golpeado diversas vezes, e conseguiu chegar até sua casa. “O Ailton conta que, neste momento, tirou a camisa, deixou a cena do crime e se embrenhou em um mato”, finalizou o delegado.

O acusado permaneceu algumas horas no matagal até ser resgatado por familiares. Ferido, ele dispensou atendimento médico.

 

Estopim do crime

O delegado Kleber Granja caracteriza como estopim do crime o envolvimento “familiar”, segundo o próprio Ailton Fagundes relatou à reportagem do JC. Ao ser questionado pelos motivos que o fizeram golpear Paulo Sérgio Euzébio, ele conta: “Ele agrediu meu irmão e eu fui lá ver o que estava acontecendo porque tenho uma irmã com problemas, obesa, que mora com ele (Antônio Marcos). Ele me esfaqueou primeiro”.

Ailton foi encaminhado à Cadeia Pública de Pirajuí. A Polícia Civil investiga duas linhas para o crime: homicídio duplamente qualificado com excesso doloso, levando em consideração o motivo torpe e o meio que impossibilitou a defesa da vítima, e legítima defesa, conforme justifica o acusado. 

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