Eder Azevedo |
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Avaliação prévia do DAE é de que o reparo onde houve o rompimento pode ser inútil, já que foi gerado por corrosão |
O problema crônico da falta de água em Bauru tem mais um agravante. O revestimento de aço do poço do Parque Roosevelt se rompeu na madrugada de sexta-feira, permitindo a entrada de areia no sistema e culminando no travamento da bomba.
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) não tem previsão para conserto e a solução pode estar na perfuração de um novo poço na região. Com isso, está prejudicado o abastecimento de bairros como Jardim Petrópolis, Vânia Maria, Fortunato Rocha Lima, Alto Alegre, Vila Lemos, Parque União, Nove de Julho e Jaraguá. A estimativa é de que 35 mil pessoas possam ser afetadas.
A maioria das manifestações de moradores da região se deu pelo Facebook, onde tentavam buscar respostas para as torneiras secas na tarde de um domingo em que a temperatura registrada beirou os 32 graus, e a umidade do ar chegou a 15%.
Os bairros citados recebem água do reservatório abastecido por três poços: Distrito 3, Jaraguá e Roosevelt. Com a inoperância do último, 139 mil litros de água deixam de ser produzidos por hora.
A constatação do rompimento foi feita pelo DAE na sexta-feira, através de filmagem realizada por empresa contratada. O diretor de Produção e Reservação da autarquia, Igor Fournier, afirma, porém, que a autarquia ainda não sabe qual será a solução para o problema, muito menos quando ela ocorrerá.
Ele diz que existem três possibilidades de ações que podem ser tomadas. No entanto, uma consulta será feita ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) para saber qual o caminho mais indicado e viável, até mesmo sob o aspecto econômico.
Novo poço?
Uma das possibilidades para o conserto do poço é praticamente descartada por Igor Fournier. Segundo ele, o reparo pontual do local onde houve o rompimento do revestimento de aço pode ser em vão, já que ele foi motivado por desgaste e corrosão. “Outros pontos da estrutura podem apresentar o mesmo problema em curto prazo de tempo”, argumenta.
O outro caminho seria a construção de um novo revestimento. No entanto, o DAE ainda não conhece o valor dessa intervenção e teme que o custo-benefício não valha a pena, já que essa solução reduziria a capacidade de produção do poço. “O preço vai ser o fato decisivo neste caso. Além disso, ela pode demorar cerca de 20 dias”, enfatiza o diretor da autarquia.
Caso o custo-benefício, de fato, não compense, uma alternativa ainda mais lenta pode ser a escolhida: a perfuração de um novo poço, que custa em torno de R$ 1 milhão e demora meses, até mesmo em função do processo licitatório que, rotineiramente, é alvo de entraves e dificuldades na autarquia.
Improviso
O diretor Igor Fournier admite que o abastecimento na região é prejudicado, mas argumenta que o DAE encontrou um caminho para amenizar o problema. Desde as 16h de ontem, o poço recém-perfurado do Bauru 16 entrou em operação de forma improvisada, funcionando a partir de geradores de energia.
Este poço abastece o reservatório do Caic, que terá ampliada a abrangência de atendimento, reduzindo a do reservatório desfalcado pela inoperância do poço do Roosevelt.
O problema, neste caso, é que, antes mesmo de ser inaugurado, o poço do Bauru 16 recebe a ‘missão’ de abastecer outra região que não aquela para qual foi projetado, que já sofre com a falta de água e atinge bairros como o Nova Esperança.
Vida útil
O problema do poço do Roosevelt escancara mais uma deficiência do DAE: a falta de manutenção nos seus poços. Igor Fournier diz que a vida útil de cada um é de 15 a 20 anos. Este tem 14 anos e muitos outros devem estar próximos ou já passaram disso. “Não temos condições de fazer a manutenção preventiva, pois teríamos que paralisar a produção e ela teria o mesmo efeito da corretiva”, afirma o diretor de Produção e Reservação da autarquia.
Casos de falta d’água se tornaram crônicos em várias regiões de Bauru
A falta de água vem sendo um problema que afeta o dia a dia da população bauruense nos últimos meses. Para tentar amenizar a crise, o governo Rodrigo Agostinho (PMDB) promete a inauguração de seis poços até o final deste ano. No entanto, problemas nos poços e na Estação de Tratamento de Água (ETA), frequentemente, ocasionam picos de torneiras secas.
No dia 17 de agosto, um reparo elétrico do DAE na estação colocou em xeque o abastecimento de 14 bairros, com população estimada em 140 mil pessoas. A ETA, que capta água do rio Batalha, ficou parada por seis horas, gerando déficit de 2 milhões de litros de água em um único dia.
Em abril, moradores do Jardim Marília chegaram a depredar um ônibus do transporte coletivo em protesto à falta de água no bairro. Na ocasião, a bomba do poço do Gasparini apresentou falhas técnicas e deixou 7 mil pessoas ‘na seca’. No ano passado, outra bomba do mesmo poço havia queimado, 15 dias após ter sido instalada.
Além disso, muitos bairros enfrentam o problema crônico da falta de água. Também em abril deste ano, uma moradora do Vânia Maria invadiu a sede do DAE com a intenção de tomar banho no local. Outro morador preferiu se banhar em uma bica do DAE, próxima à praça da Bíblia.
Ontem mesmo, foram muitas as reclamações de falta de água no Jardim Bela Vista. A população que ligava para o atendimento do DAE ouvia que o problema é comum e recorrente no local, em razão do alto consumo.
No Octávio Rasi
No último sábado, um dia depois do poço do Roosevelt apresentar sérios problemas, o DAE e a Rodobens Negócios Imobiliários inauguraram um poço de captação de água no Núcleo Octávio Rasi, com profundidade de 450 metros e vazão de 225 mil litros por hora (metros cúbicos por hora). Também foi entregue, no bairro, um reservatório, com capacidade de 1 milhão de litros de água.
O investimento de R$ 1 milhão foi uma das contrapartidas da empresa em função do lançamento do empreendimento imobiliário Terra Nova Bauru, que contemplará 844 unidades a serem entregues em sete etapas.
