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Novos estudos sobre DNA revolucionam

Reuters
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Nova York - Na maior série de descobertas sobre o DNA humano desde a realização do projeto genoma humano em 2003, 442 cientistas em laboratórios de três continentes divulgaram um pacote de 30 estudos com descobertas ontem.

As descobertas, representando o que a revista Nature classificou de “guia para o genoma humano”, vão do mais genérico - o que é um gene? - ao prático - que apenas 20 mudanças genéticas podem estar por trás de 17 tipos de câncer aparentemente não relacionados, dando às empresas um número exequível de metas para drogas.

Os estudos vêm de um projeto de 196 milhões de dólares chamado Enciclopédia dos Elementos do DNA, ou Encode, cujo objetivo é dar sentido à babel produzida pelo projeto do genoma humano - a sequência das 3,2 bilhões de “bases” químicas ou “letras” que constituem o genoma humano.

“Nós compreendemos apenas uma pequena porcentagem das letras do genoma”, disse Eric Green, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa sobre o Genoma Humano, que pagou pele maior parte do estudo.


Lista para o homo sapiens

O Encode foi lançado em 2003 para desenvolver uma “lista de peças” completa para o Homo Sapiens ao identificar e apontar a localização de todas as partes do genoma que fazem algo - “um mapa de referência de todos os elementos funcionais no genoma humano”, disse o geneticista Joseph Ecker, do Instituto Salk para Estudos Biológicos, de La Jolla, na Califórnia.

Os elementos mais bem conhecidos do genoma são os cerca de 21 mil genes que especificam quais proteínas são feitas por uma célula. O gene de receptor de dopamina produz receptores de dopamina em células do cérebro, por exemplo, e o gene da insulina produz insulina no pâncreas.


Lixo

Uma das mais relevantes descobertas do estudo indica que 80% do código genético, antes conhecido como junk DNA (DNA lixo, em tradução livre), tem, sim, papel importante no desenvolvimento e na manutenção do corpo humano.

Até então, acreditava-se que apenas uma parcela mínima do DNA - cerca de 2% - era funcional, sendo que o restante era considerado descartável.

Essa parcela majoritária do código genético, segundo os cientistas, pode trazer dados mais específicos de diversas doenças, o que pode implicar em novos e mais efetivos tratamentos.


Interruptor

Os cientistas também identificaram nesse “lixo” quatro milhões de “interruptores”, responsáveis por determinar quando e onde os genes são ligados ou desligados, conforme o tipo de célula.

“Isso vai nos ajudar na compreensão da biologia humana. Muitos desses interruptores que identificamos estão ligados a mudanças genéticas que podem causar desde doenças cardíacas até diabetes ou distúrbios mentais”, afirma Birney.

 

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