Faltando apenas 30 dias para o primeiro turno das votações, o processo eleitoral em Bauru ainda não cativou a população. A avaliação é dos cientistas políticos consultados pelo Jornal da Cidade Maria Tereza Kerbauy e Sebastião Clementino da Silva, o Macalé. Ambos classificam como morna a campanha eleitoral em seus dois primeiros meses, mesmo após o início da propaganda no rádio e na televisão.
Macalé, que dá aula de geopolítica na Universidade Sagrado Coração (USC), atribui a falta de empolgação dos eleitores, especialmente, à falta de propostas concretas para a solução dos problemas da cidade. “Os candidatos de oposição estão apontando os problemas, dizendo que vão resolvê-los, mas não mostram com quais recursos e como vão fazer o que prometem”, afirma.
Além disso, ele afirma que, depois de tantas campanhas políticas após a redemocratização, a população está enjoada de ver sempre os mesmos temas serem abordados pelos candidatos, como saúde, asfalto, segurança e geração de empregos. No entanto, Macalé acredita que, nestes 30 dias, a campanha pode esquentar caso os candidatos apostem mais nas caminhadas e nos carros de som. “Em 2008, a essa altura do campeonato, a eleição já estava na boca das pessoas”, lembra.
Já Kerbauy, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), acredita que a população de Bauru tem a característica de não se envolver de forma incisiva com o processo eleitoral. Ela entende que isso se dá em razão dos problemas ocorridos com as gestões dos últimos anos, anteriores a Rodrigo Agostinho (PMDB) e Tuga Angerami. “Acho que ainda há reflexos disso. Mesmo as pessoas que apoiam o prefeito atual, não há entusiasmo, não desperta paixões”, afirma.
Apesar disso, Tereza também avalia que os rumos da campanha podem mudar, pois os próximos 30 dias são aqueles em que o eleitor define seu voto. “Está chegando perto da eleição e as pessoas precisam decidir. Ainda há indecisos e, historicamente, os índices de brancos e nulos são baixos”, ressalta.
Segundo a cientista política, é nessa época também que as candidaturas podem alterar suas estratégias de campanha e propaganda.
Semelhanças
Maria Tereza Kerbauy diz conseguir identificar diferenças entre os perfis pessoas e programáticos de cada um dos candidatos à Prefeitura de Bauru. No entanto, admite que existe a sensação de que pelos menos os três principais soam muito parecidos à população. Segundo a cientista política, isso se deve ao formato da propaganda e as perspectivas de comunicação adotados pelas três campanhas. “É tudo muito semelhante, com a mesma narrativa”, encerra.
Analistas não acreditam em vitória certa
Apesar do favoritismo de Rodrigo Agostinho (PMDB), que a lidera a intenção de votos na única pesquisa até então registrada na Justiça Eleitoral, Maria Tereza Kerbauy e Macalé descartam a ideia de que a eleição já esteja ganha pelo atual prefeito. O segundo acredita que, apesar dos discursos abrangentes, Chiara e Gazzetta tenham chances de crescer em próximo levantamento.
Nesse sentido, Tereza também pondera a possibilidade de crescimento dos principais adversários de Agostinho, principalmente em função do horário eleitoral na televisão e no rádio. Quando a primeira pesquisa do Ibope foi feita, a propaganda nos veículo de comunicação de massa ainda não tinha começado.
Na ocasião, Rodrigo tinha 66% dos votos contra 6% de Gazzetta, 5% de Chiara e 2% de Paulo Sérgio Martins (PSTU). A rejeição do atual prefeito também foi a menor registrada: 8%.
“Apesar de ser um dado bastante significativo, o índice de rejeição é passível de alterações, assim como a intenção de voto. Alguns episódios podem interferir, como a questão da falta de água. Está sendo bastante explorada e alguém que sofreu com o problema pode ter pensado inicialmente em votar no Rodrigo, mas depois ter mudado”, exemplifica.
Prós e contras
Se a candidatura de Chiara Ranieri tem chances de crescer pelo fato de a candidata ter se colocado como a principal antagonista a Rodrigo Agostinho no processo eleitoral, Clodoaldo Gazzetta (PV) tem a seu favor um grau de conhecimento muito maior entre os eleitores. “Ele tem a possibilidade de, pelo menos, atingir os mesmos 16% da eleição anterior. Resta saber se o discurso dele vai pegar”, pondera Maria Tereza Kerbauy.
Por outro lado, Macalé pontua que os principais adversários do candidato à reeleição têm pontos negativos. Ele afirma que parte da rejeição a Gazzetta se dá em razão de o verde já ter disputado a prefeitura por outras três vezes, mas não ser muito visto em Bauru fora dos períodos de eleição.
Neste mesmo sentido, o professor avalia que o mandato de Chiara foi marcado por temas que não têm grande alcance à população. “Ela bateu muito na questão da Educação. Também teve a questão do Ficha Limpa, mas não foi uma parlamentar muito próxima das pessoas, que circulasse nos bairros”.
Por outro lado, Macalé afirma que Rodrigo, na televisão, conquista a empatia de eleitores. “Ele se apresenta do mesmo jeito em que é visto no dia a dia: de camisa, com as mangas arregaçadas. O Gazzetta, usando terno, passa um ar de intelectualidade e notoriedade”, avalia.
O professor diz também que Paulinho se dedica mais a apresentar o conteúdo ideológico de seu PSTU.