Regional

Conflito em escola preocupa pais

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Agudos – Os frequentes conflitos envolvendo aluno de 13 anos com deficiência, dentro de escola estadual em Agudos, tornaram-se motivo de preocupação para os pais do adolescente. Eles alegam que o garoto é agredido e ameaçado com frequência por outros estudantes e que está tendo seu direito à educação cerceado. Já a escola diz que uma equipe gestora acompanha o aluno desde 2010 visando garantir a convivência dele com os colegas.

Segundo o pai (a identidade dele será preservada para evitar constrangimentos ao garoto), seu filho possui dificuldades motoras e visuais e déficit de aprendizagem. Além disso, sob orientação médica, ele toma medicamentos para o sistema nervoso central.

Conforme divulgado pelo JC, em outubro de 2011, durante uma aula vaga, o aluno foi agredido por um menino, também da sua idade, dentro da escola, onde cursava a 6ª série. A “briga” foi gravada por uma estudante pelo aparelho celular e postada na Internet.

No mês passado, ainda de acordo com o pai do adolescente, ele teria sido provocado e ofendido por um colega durante uma atividade na sala de aula e os dois acabaram entrando em luta corporal. “Ele foi agredido inclusive com chutes e a professora viu tudo”, conta.

Eles foram para a sala da diretoria e, segundo ele, a professora teria pedido para que a classe ficasse “do lado” do aluno que iniciou a confusão. “O que me deixa indignado é que parece que meu filho não tem direito a Educação”, desabafa o pai do garoto.

Há duas semanas, o estudante voltou a se envolver em conflito na escola. Segundo a mãe dele, o aluno com quem ele brigou em agosto o teria ameaçado com canivete dentro da unidade. “Meu filho tem problema, mas ele é super-vaidoso. Ele me perguntou: mãe, se o menino retirar meu nariz, eu posso colocar de volta?”, relata.

A mulher conta que, quando chegou à escola, uma funcionária teria dito que seu filho estava tendo alucinações causadas pelos medicamentos dos quais faz uso. Ela nega e afirma que vai solicitar ao médico que o acompanha relatório sobre os efeitos dos remédios.

“Meu filho é um ser humano que está sofrendo, está tendo pesadelos, está tendo depressão”, revela. “Meu filho não tem direitos? Foi sancionada a lei da inclusão, não é? Uma criança que faz a sua queixa e o diretor da escola questiona a medicação passada pelo médico? O que eu posso fazer numa situação dessa?”.

 

Acompanhamento

A Diretoria Regional de Ensino de Bauru informou que, na sexta-feira da semana retrasada, quando o aluno envolveu-se em conflito com um colega, sua mãe foi convocada imediatamente à unidade. “A direção da escola revistou o material do colega de sala que o teria ameaçado com um canivete e não encontrou nenhum objeto do tipo”, diz.

“Ao comparecer à escola, a mãe do aluno se exaltou e danificou materiais da unidade e trabalhos de estudantes que estavam expostos no pátio da instituição. Por esse motivo, a direção acionou a Ronda Escolar, da Polícia Militar, e registrou boletim de ocorrência”.

Ainda segundo a Diretoria, uma equipe gestora acompanha constantemente o estudante, que apresentaria “dificuldades de convivência”, desde sua matrícula, em 2010, e vem tomando providências para evitar que ele se envolva em conflitos com outros alunos.

Na última quarta-feira, dia 5, uma equipe da unidade reuniu-se com a mãe do aluno e a direção da escola. “No encontro, foi enfatizada a importância da parceria da família na orientação constante ao estudante sobre a importância da resolução pacífica de conflitos e do respeito mútuo”, explica.

“Também foi solicitado que os responsáveis mantenham a equipe gestora informada sobre o tratamento médico que o aluno deve seguir. Durante a reunião, foi destacado ainda que a família e o aluno devem procurar a equipe gestora sempre que necessário. Além disso, os educadores da diretoria de ensino visitaram todas as salas de aula e orientaram os estudantes sobre as boas práticas de convivência. Os professores também foram orientados a intensificar ações preventivas regularmente desenvolvidas, como projetos de combate ao bullying”.

 

Apuração

De acordo com a Polícia Civil, a mãe do adolescente registrou boletim de ocorrência de ato infracional de ameaça para que seja esclarecida a suposta entrada de um aluno com canivete nas dependências da escola estadual. A documentação será remetida ao Ministério Público. O dano supostamente causado aos trabalhos dos alunos será objeto de investigação.

 

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