Nem o mais amado técnico da história recente do Palmeiras resistiu à ameaça de retorno à Série B. Campeão da Copa do Brasil há dois meses, o técnico Luiz Felipe Scolari foi demitido do cargo ontem. O treinador, que tinha contrato apenas até o fim do ano, sai deixando a equipe na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, a sete pontos do primeiro time fora do grupo dos quatro últimos.
Em nota, o Palmeiras afirmou que “em reunião realizada entre presidência, diretoria de futebol e comissão técnica, ficou decidido em comum acordo o encerramento do contrato de trabalho entre o técnico Luiz Felipe Scolari e o clube. Junto com Felipão, o auxiliar técnico Flávio Murtosa também deixa o clube”, escreveu o comunicado, que trata Scolari como “um maiores comandantes que o clube já teve em toda a sua história”.
Esta era a segunda passagem de Felipão pelo Palmeiras. A primeira, que começou em 1997, rendeu os títulos da Copa do Brasil e da Copa Mercosul de 1998, da Copa Libertadores de 1999, além dos vice-campeonatos brasileiro (1997) e da Libertadores (2000). A parceria chegou ao fim em meados de 2000, quando o treinador acertou a sua ida para o Cruzeiro. O auxiliar Murtosa ficou mais um pouco e levou o time ao título da Copa dos Campeões daquele ano.
Desta vez, com contrato apenas até o fim do ano, o treinador voltou a ter o seu passe valorizado depois do seu quarto título de Copa do Brasil. Mas ele deixava claro que sua permanência no clube não era certa, apesar da classificação para a Libertadores. Parte dos torcedores cobrava uma decisão rápida, preferindo que um possível novo treinador tivesse a possibilidade de montar o elenco para a competição continental.
O que os palmeirenses não imaginavam é que, antes da Libertadores, fossem ter que brigar para não cair no Brasileirão. Enquanto o time jogava a Copa do Brasil, as derrotas no Brasileirão, com o time reserva, pareciam normais. Mas quando a equipe foi ficando completa e as vitórias não vieram, a luz vermelha foi acesa. Nos últimos oito jogos, foram seis derrotas, um empate e apenas uma vitória, sobre o Sport, outro time da zona de rebaixamento.
‘Preferido’, Leão evita falar
Um dos nomes mais cotados para substituir Scolari, o técnico Emerson Leão evitou comentar ontem um possível interesse do Palmeiras em sua contratação. Atualmente ele comanda a equipe do São Caetano, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro. “Neste momento, estou em Natal e minha preocupação é ir para o treinamento dirigir o São Caetano para o jogo contra o América-RN”, disse o treinador, na véspera da partida contra o time potiguar, fora de casa.
Amigo de Felipão e do presidente Arnaldo Tirone, Leão disse que preferia não falar sobre uma eventual proposta palmeirense. “Me ligaram falando que o Tirone já demitiu o Felipão e perguntaram se eu aceitaria assumir o Palmeiras. Perguntei ao rapaz: ‘Você é o Tirone? Não, né? Então não tem como falar que o Felipão foi demitido e eu que eu iria para o seu lugar’. Não tenho que ficar falando sobre especulações”, disse o treinador, que negou ter conversado com algum dirigente do Palmeiras.
Mas outros nomes correm por fora. Conselheiros indicaram vários outros treinadores, mas os três que despertaram mais interesses foram: Jorginho, do Bahia e que já dirigiu o Palmeiras; Gilson Kleina, da Ponte Preta; e Paulo Autuori, que comanda a seleção do Catar.
O Palmeiras enfrenta o Corinthians domingo e depois tem uma semana livre. A intenção é que até quarta da semana que vem já consiga acertar a contratação de um novo treinador. Para o clássico não está decidido quem comanda a equipe. A tendência é que Luis dos Reis, técnico do time B, seja o técnico interino.