Washington - Uma igreja católica foi “totalmente destruída” e centenas de manifestantes entraram em choque com a polícia em mais um dia de protestos contra o filme anti-islâmico que detonou uma onda de violência em países muçulmanos.
Para o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, as manifestações que devem continuar pelos próximos dias, mas o nível de violência aparenta estar enfraquecendo.
“(O Pentágono) mobilizou nossos efetivos em vários locais da região, de modo a estar preparados para responder a qualquer pedidos [de ajuda] que recebermos, e assim proteger nosso pessoal e as propriedades da América”, disse.
Já foram despachados contingentes de “marines” para a Líbia e o Iêmen, mas ele evitou fornecer mais detalhes sobre novos deslocamentos de tropas americanas para o Oriente Médio, onde ocorreu boa parte dos episódios mais violentos.
“Acredito que vamos permanecer muito vigilantes porque eu suspeito que (...) essas manifestações provavelmente vão continuar por mais uns poucos dias, se não mais”, acrescentou, em conversa com jornalistas que acompanhavam sua viagem para a Ásia.
Protestos violentos de muçulmanos explodiram nos últimos dias, principalmente em países do norte da África e do Oriente, tendo por alvo preferencial as embaixadas dos EUA.
Em um dos desdobramentos mais dramáticos, quatro cidadãos americanos foram mortos durante um ataque ao consulado em Benghazi, na Líbia, na terça-feira
Saída de cidadãos
Os Estados Unidos decretaram que funcionários não essenciais deixem as embaixadas na Tunísia e no Sudão no sábado, depois que os dois postos diplomáticos foram atacados e Cartum rejeitou um pedido norte-americano para enviar um pelotão de fuzileiros a fim de aumentar a segurança de sua missão ali.
“Devido à situação de segurança em Túnis e em Cartum, o Departamento de Estado dos EUA ordenou a retirada de todos os familiares e do pessoal não emergencial de ambos os postos, e emitiu alertas paralelos de viagens aos cidadãos americanos”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, em um comunicado.
As embaixadas norte-americanas em Túnis e em Cartum foram atacadas na sexta-feira por manifestantes furiosos com um filme amplamente divulgado e anti-islâmico feito nos EUA, que insulta o profeta Maomé e vem provocando uma reação violenta em todo o mundo islâmico. Quatro pessoas foram mortas e 46 ficaram feridas no ataque à embaixada dos EUA em Túnis, segundo um funcionário de um hospital na cidade.
Presos na Líbia
As autoridades líbias prenderam pelo menos 50 pessoas relacionadas à morte do embaixador dos EUA no país Chris Stevens e outros três cidadãos americanos em Benghazi, segundo informou ontem o presidente do parlamento local.
“São em torno de 50 dos detidos”, disse Mohammed al Megaryef, presidente do Congresso nacional líbio em uma entrevista à rede de TV americana CBS.
O embaixador e os três funcionários morreram durante um ataque ao consulado americano em Benghazi, durante as violentas manifestações provocadas por um controverso filme anti-islâmico supostamente produzido nos EUA.
Embora inicialmente esse ataque tenha sido atribuído a manifestantes furiosos, as autoridades já consideram mais provável a hipótese de um ataque coordenado ao posto diplomático.