Ampliando o que promete em sua propaganda na televisão, o candidato à reeleição, Rodrigo Agostinho (PMDB), afirmou ontem, na Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru e Região (Assenag), que a perfuração de poços não vai resolver o problema da falta de água de Bauru. Segundo ele, a solução está na captação de água superficial do córrego Água Parada. No entanto, a iniciativa não conta com recursos nem sequer projeto, apesar de o peemedebista admitir que a obra tem urgência ‘para ontem’.
O prefeito explicou que, apesar de prejudicada em períodos de seca, a captação superficial é mais vantajosa, não apenas por evitar grandes impactos ao aquífero, mas também sob o aspecto econômico. “O dinheiro que se gasta com energia elétrica nos poços teria como garantir outros investimentos importantes”.
Apesar disso, Agostinho diz que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) conta apenas com um estudo de viabilidade de uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA). O próximo passo seria a contratação do projeto executivo, que, segundo ele, deve ficar para o ano que vem, caso seja eleito.
O outro – e talvez principal entrave – é a falta de recursos disponíveis para a obra. Rodrigo diz que ela deve custar em torno de R$ 40 milhões. “O DAE não tem esse dinheiro. Precisamos buscá-lo”.
A União, recentemente, publicou editais para que municípios pleiteiem recursos a fundo perdido tanto para o tratamento de esgoto quanto para a produção de água, mediante apresentação de projetos. Como divulgou o JC, a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) será reivindicada pelo município.
No entanto, para a produção de água, Rodrigo afirma que vai priorizar o projeto para a reforma da ETA já existente. “Ela já tem 40 anos. Vaza água por todos os lados e a técnica de tratamento é ultrapassada. Mas ainda não tenho os valores de quanto isso vai custar”, pontua.
A ETA é responsável, atualmente, por cerca de 40% da água produzida em Bauru.
Contrapartida e tarifa provocam saia justa
Rodrigo Agostinho foi muito questionado sobre as contrapartidas exigidas pelo DAE para a viabilização de empreendimentos. Em muitos casos, a perfuração de poços atende não apenas à demanda do empresário, mas de toda a região. O prefeito afirmou que vai promover mudança no critério. “Defendo a contrapartida financeira proporcional ao número de unidades do empreendimento. Em relação aos poços, é preciso lembrar também que há diretrizes técnicas. Não posso autorizar um monte de poço pequeno, um perto do outro”, pontuou.
Agostinho foi colocado contra a parede também por, diante da situação do DAE, que, segundo ele, precisa de dinheiro, não ter aumentado a tarifa de água este ano. O prefeito respondeu que está esperando passar 12 meses do último reajuste, para corrigir a inflação no período. Acontece que o último decreto deste tipo foi publicado em agosto do ano passado, há 13 meses.
Reativo
Apesar de sempre justificar os problemas no abastecimento de água com o desenvolvimento e crescimento da cidade, Rodrigo Agostinho admitiu, ontem, que pode ter cometido o equívoco de achar que o que estava sendo feito era suficiente. Vale lembrar que, nos primeiros anos de sua administração, não foram perfurados poços. Na de Tuga Angerami, apenas uma.
Por outro lado, o prefeito se defendeu da informação publicada de que 40% da água produzida em Bauru é perdida em vazamentos. “Se isso fosse verdade, a cidade estaria alagada. Acontece que 40% da água não é medida nos hidrômetros. Vários fatores influem nisso”.
Novas estruturas
No debate junto à categoria de engenheiros, arquitetos e agrônomos, Rodrigo Agostinho defendeu a criação de uma Secretaria Municipal de Habitação. “É imprescindível para dar continuidade ao trabalho que temos executado. São 11 mil unidades para famílias com renda de ate três salários mínimos”.
Segundo o prefeito, a estrutura tem que ser enxuta e terá o papel de articular as políticas habitacionais junto a outras secretarias.
Agostinho também se disse favorável à criação de um Instituto de Planejamento. “Meus adversários falam que esta estrutura teria que ficar apresentando projetinhos nos governos federal e estadual. Eu não acredito nesse formato. Precisamos de pessoas que pensem a cidade”.