Bairros

Engarrafamentos desafiam bairros

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru cresceu. À primeira vista a constatação pode até ser motivo de comemoração, afinal, o crescimento de uma cidade pressupõe seu desenvolvimento econômico, político e cultural. Por outro lado, dizer que Bauru cresceu significa também dizer que a cidade está sujeita aos problemas típicos dos grandes municípios, entre eles, os relacionados ao trânsito. E se até então mazelas como a sobrecarga de veículos nas ruas era problema apenas do Centro, hoje, os bairros também já sofrem, e muito, com isso.

A rua Bernardino de Campos, na região da Vila Giunta, e a avenida Castelo Branco, na região da Vila Independência, são exemplos clássicos de como a expansão da cidade está gerando uma sobrecarga nas ruas dos bairros. Passar por estas vias em horários de pico, geralmente entre 6h30 e 8h30, 11h30 e 13h30, e das 17h30 às 19h30, não é missão das mais fáceis.

Embora tanto a Castelo Branco quanto a Bernardino de Campos tenham sofrido mudanças recentes na sinalização de trânsito, como o impedimento de estacionar de qualquer um dos lados da via, o acréscimo de lombadas e semáforos, entre outras medidas emergenciais executadas com a intenção de fazer o trânsito fluir melhor, isso ainda não é suficiente.

Um dos agravantes da situação é o fato de estas vias serem pista simples, com espaço para apenas um carro em cada mão, além de serem ponto indispensável de ligação entre um bairro e outro e, por isso, receberem o fluxo de veículos de diversas outras vias. Na altura da quadra 11 da Bernardino de Campos, por exemplo, quem trafega pelo local tem a opção de cortar a pista tanto no sentido Vila Independência quanto no sentido Vila Giunta. Sempre que um motorista opta por este trajeto, ou carros que estão atrás dele são obrigados a parar e aguardar a conversão, que nem sempre é imediata.

“O trânsito por aqui é bem complicado. Além de supermovimentado, é confuso. Aqui é permitido seguir para diversas direções. Isso, somado ao fato de que nem sempre os motoristas dirigem como deveriam, tornam a situação caótica”, analisa Paulo Acácio da Siva, 41 anos, que tem um bar nesta rua.

O mesmo acontece com a Castelo Branco.

“É muito fluxo para pouca pista. O pior é que não tem nem como escapar. A Castelo é a única rota possível para quem mora deste lado da cidade acessar o Centro”, afirma Junho Katuaki, 45 anos, proprietário de um estacionamento localizado na avenida.

Além da Castelo Branco e da Bernardino de Campos, outras vias localizadas nos bairros de Bauru sofrem do mesmo problema. Entre elas, as avenidas Marcos de Paula Raphael e Rosa Malandrino Mondelli, no Núcleo Mary Dota; a alameda Flor do Amor, no Parque São Geraldo; a avenida Campos Salles, na Vila Falcão, entre outros. Já as avenidas Gabriel Rabello de Andrade, no Parque Jaraguá, e São Sebastião, próximo ao Núcleo Nova Esperança, também começam a apresentar os primeiros indícios de que, em breve, não suportarão o aumento no trânsito.


O JC está de olho

Não é a primeira vez neste ano que o Jornal da Cidade aborda os problemas do trânsito de Bauru. Em 11 de março, o jornalista Adilson Camargo, por meio de uma reportagem intitulada “Viaduto terá sentido único da Falcão ao Centro e trânsito fica sem solução”, escreveu a respeito das obras do famoso viaduto inacabado e sua ineficiência quanto ao desafogamento do trânsito no sentido Centro-Bairro. Na ocasião, Ewerton Mussi Hunzicker, diretor de sistemas viários e transportes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Eliseu Areco Neto, secretário municipal de Obras, e Adelmo Bertussi, servidor municipal recém-aposentado e autor do projeto original do viaduto, concordaram que a obra, estimada em R$ 6 milhões, é ineficiente em resolver o problema de congestionamento do trânsito na região.

Em 6 de maio, uma outra reportagem, desta vez de autoria do repórter Luiz Beltramim, intitulada “Trânsito sem planejamento cria vários becos sem saída” abordou novamente o problema do colapso no sistema viário bauruense. Desta vez, o repórter destacou pontos como a praça Chujiro Otake, a avenida Castelo Branco, a rua Bernardino de Campos, a rua Wenceslau Braz, a  rua Nilo Peçanha, além da rodovia Marechal Rondon, sobrecarregados pelo aumento da frota e pela inexistência de uma via expressa.

Em 22 de julho, a repórter Bruna Dias resgatou os problemas abordados anteriormente por Adilson e Luiz Beltramin e mostrou que, como parte da solução para o problema, a Emdurb estava realizando constantes modificações de sentido de vias nos bairros, alterando preferenciais e instalando semáforos. Contudo, conforme mostrado na matéria “O trânsito e suas metamorfoses”, muitas vezes, tais alterações tornavam-se mais confusas do que eficientes.

Dois meses depois, resgatamos o tema trânsito. Desta vez, para mostrar a você, leitor, como anda a situação de ruas que estão cada dia mais com cara de avenidas, quais as alternativas adotadas por quem convive diariamente com este problema e se há uma luz no fim do cada dia mais congestionado túnel. O JC está de olho!

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