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USP Bauru promove pesquisa sobre tabagismo e voz


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A prevalência de tabagismo e seu impacto na voz da população do campus de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) foi o tema de uma pesquisa desenvolvida pela enfermeira Gianne Cerqueira Leite Rodrigues Morais. A ideia surgiu da constatação de uma alta frequência de doenças crônicas em fumantes usuários da Unidade Básica de Saúde da USP de Bauru e da ausência de dados a respeito desta questão de saúde pública no câmpus.

A pesquisa revela que o nível de instrução foi um fator significativo tanto na prevalência quanto na dependência à nicotina, mesmo estando num ambiente universitário. “Nossos resultados se assemelham aos dados nacionais”, diz Gianne, que é chefe de seção Técnica da Unidade Básica de Assistência à Saúde do campus.

A enfermeira informa que o ambiente universitário é o lugar ideal para o início e continuidade de um programa de prevenção e cessação do tabagismo. “Há um projeto de estabelecermos inicialmente uma comissão para ações e prevenção do tabagismo no campus de Bauru e implantarmos na Unidade Básica de Saúde do campus um programa de cessação para os fumantes usuários deste serviço”, adianta.

A pesquisa integrou a dissertação de Mestrado da enfermeira apresentada à Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) para obtenção do título de Mestre em Ciências no Programa de Fonoaudiologia.  A orientação foi do professor José Roberto Pereira Lauris. A apresentação, defesa e aprovação da dissertação aconteceu no dia 27 de julho deste ano com a participação das professoras Alcione Ghedini Brasolotto e Maria Irene Bachega.

 

Resumo da pesquisa

O combate à epidemia do tabagismo é prioridade estabelecida pela Organização Mundial de Saúde. Objetivou-se estabelecer a prevalência do tabagismo e seu efeito na voz dos servidores e alunos do campus de Bauru da Universidade de São Paulo. Através da aplicação de um questionário autoexplicativo foram avaliadas as características sociodemográficas, saúde geral, voz, e comportamento em relação ao tabagismo.

Avaliou-se a prevalência do hábito, o grau de dependência à nicotina (Teste de Fagerstrom) e a motivação para interrupção do hábito (Teste de Richmond). O índice de resposta obtido foi de 62,8%, ou seja, 628 respondentes. A maioria dos entrevistados era do sexo feminino (74,5%), com idade entre 18 e 29 anos (46,2%) e com grau de instrução até o ensino médio (57,8%). O percentual de alunos fumantes (4,1%) foi significativamente menor comparado aos valores observados para funcionários (p<0,001).

A prevalência de tabagistas no campus USP/ Bauru foi de 10,5%, sendo significativamente maior entre o sexo masculino (15,0%), entre os indivíduos com mais de 50 anos (26,3%) e entre funcionários com menor nível de instrução ou menos anos de estudo (52,0%). O percentual de indivíduos com alto grau de dependência à nicotina foi significativamente mais elevado entre os tabagistas com menor nível de instrução ou menos anos de estudo (23,1%).

A motivação para interromper o hábito de fumar não diferiu entre os grupos, sendo considerada baixa para a maioria dos fumantes (48,5%). Entre os fumantes houve maior incidência de queixas relacionadas à voz. As sensações e sintomas vocais e laringofaríngeos relatados com maior frequência foram tosse seca, tosse com catarro, pigarro, secreção na garganta, garganta seca e rouquidão.

O percentual de satisfação com a própria voz foi 93% em ambos os grupos. Com relação aos cuidados com a voz, 54,3% da amostra havia recebido orientações prévias sobre o assunto. Os fumantes relataram maior prevalência de doenças crônicas e problemas emocionais.

 

Proposta para o campus

Os dados de prevalência e o perfil dos tabagistas disponibilizados podem subsidiar a implantação de programa de prevenção e cessação do tabagismo no campus USP/Bauru.

Hoje existem vários métodos propostos na literatura com o objetivo de dar suporte às pessoas que queiram deixar de fumar. O estabelecimento de campanhas preventivas e o treinamento dos profissionais da saúde que atuam na atenção primária são os elos iniciais para motivação dos tabagistas a procurarem ajuda para interromper o vício e o ponto de partida para a inclusão dos fumantes em programas especializados para cessação.

Os programas de cessação mais documentados são estruturados com base na atuação de equipe multiprofissional associando a abordagem cognitivo comportamental intensiva à terapia farmacológica. Em suma, as informações coletadas neste estudo reforçam a iniciativa de ações antitabagismo dentro do campus USP/Bauru. Abordagens multidisciplinares, envolvendo gestores, médicos, odontólogos, fonoaudiólogos e enfermeiros são passíveis de serem executadas e direcionadas aos profissionais e acadêmicos do campus, tornando esta unidade da USP um local livre de tabaco.

Foto Divulgação

(Da esquerda para direita) Profª Drª Alcione Ghedini Brasolotto,  Prof. Dr. José Roberto Pereira Lauris, Enfª Ms. Gianne Cerqueira Leite Rodrigues Morais e Dra. Maria Irene Bachega.

 

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