Após oito dias de greve, os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) voltam ao trabalho a partir da 0h de hoje. Por decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), eles terão reajuste de 6,5% nos salários e benefícios. Em Bauru, a categoria estava de braços cruzados desde o dia 20 de setembro, mas o movimento nacional começou no dia 11.
A decisão foi tomada em sessão extraordinária de julgamento do dissídio coletivo, realizada em Brasília durante quatro horas. A reunião contou com a participação de representantes dos Sindicatos Unificados, formados por Bauru, São Paulo, Rio de Janeiro e Tocantins. Eles reivindicavam 10,2% de reajuste, sendo 5,2% a título de reposição da inflação dos últimos 12 meses e outros 5% de aumento real.
Já a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), que representa 31 das 35 regionais sindicais, defendia 43,7% de reajuste. Desde a semana passada, duas audiências de conciliação foram realizadas pelo TST, mas os Correios e trabalhadores não chegaram a um acordo.
Ontem, os ministros do TST definiram o reajuste de 6,5% retroativo a agosto e determinaram que os trabalhadores retomem suas atividades já no primeiro horário de escala de trabalho. Se a decisão não for cumprida, a categoria deverá pagar multa de R$ 20 mil por dia.
Segundo a assessoria de imprensa da estatal, 98% dos trabalhadores continuavam trabalhando normalmente até ontem. Já o Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Bauru e Região (Sindecteb) afirma que 50% dos funcionários haviam aderido ao movimento.
Os grevistas, conforme definiu o TST, deverão compensar os dias parados em um prazo máximo de seis meses, sem o desconto na folha de pagamento pelos dias não trabalhados. “Ficamos satisfeitos com o resultado. Desde o começo, reivindicamos direitos conquistados com o suor do trabalhador. Nunca pedimos um reajuste utópico”, observa o presidente do Sindecteb, José Aparecido Gimenes Gandara, destacando o papel fundamental da ministra Kátia Arruda (relatora do caso) para o resultado obtido.
Na última audiência de conciliação, realizada anteontem, os Correios haviam oferecido reajuste de 5,2%, alegando que qualquer índice superior a este ultrapassaria a capacidade financeira da empresa. Segundo a assessoria dos Correios, o impacto anual com o reajuste de 6,5% estabelecido pelo tribunal será de R$ 602 milhões ao ano, tendo a folha total anual um valor de R$ 8 bilhões.
Além do aumento de 6,5% nos salários, os 120 mil trabalhadores da empresa terão reajuste de mesmo índice sobre benefícios sociais concedidos pela empresa, como vale-alimentação. Também será mantido o 13º vale-alimentação no fim do ano. Com o fim da paralisação, a empresa espera normalizar a entrega de correspondências já na próxima segunda-feira, a partir da realização de um mutirão nacional programado para este fim de semana.
No julgamento, ficou decidida ainda a criação de projeto piloto em três Estados da federação para a entrega de encomendas no turno matutino. Atualmente, a triagem das cartas é realizada pela manhã e a entrega, à tarde. A intenção é minimizar o impacto de temperatura e umidade adversas na rotina dos trabalhadores, além preservá-los quanto à incidência de doenças de pele.
Bancários
Os funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) que ainda permaneciam em greve decidiram retornar ao trabalho a partir de hoje, após assembleia realizada em todos os sindicatos do País. A proposta apresentada pela Federação Nacional de Bancos (Fenaban) ao Comando Nacional dos Bancários foi a mesma da última terça-feira - reajuste salarial de 7,5%, o que representa um aumento real de 2%.
A oferta já havia sido aceita anteontem pelos trabalhadores dos bancos privados, que voltaram ao trabalho na manhã de ontem. O mesmo ocorreu com o Banco do Brasil. Em Bauru, todos os funcionários haviam rejeitado a proposta, mas seguiram a decisão da maioria.
Em nova assembleia realizada ontem à noite, os principais sindicatos do País vinculados à Contraf/CUT - entre eles Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília - optaram pelo fim da greve também nas agências da CEF.
Novamente isolado, o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, vinculado ao Conlutas, teve de acompanhar a vontade da maioria. “Infelizmente, ficamos sem alternativas”, reclama um dos diretores da entidade, Carlos Alberto Castilho.
A categoria reivindicava 23% de reajuste, sendo 5,25% de reposição da inflação nos últimos 12 meses e 17,75% de recuperação das perdas salariais desde o lançamento do Plano Real, em 1994.
Com o fim da paralisação, as nove agências de Bauru reabrirão normalmente ao público a partir das 10h de hoje.