Circula pela Internet um movimento ainda subterrâneo que cogita a candidatura de Joaquim Barbosa, ministro do STF e relator da Ação Penal 470, à sucessão de Dilma Rousseff em 2014. Só pode ser piada! Barbosa vem demonstrando arrogância, soberba e um comportamento pré-disposto à condenação de todos os réus no dito processo.
Tomou como verdade fundamental a mal ajambrada denúncia do procurador-geral da República e vem encontrando provas onde elas não existem. Ou deixando de considerar as que são contrárias ao seu interesse condenatório. Por cúmulo dos cúmulos, vem agredindo verbal e deselegantemente o sensato ministro Lewandowski, que cumpre seu papel de revisor com acurácia e sabedoria ímpares.
Para quem não sabe a condenação que pode resultar em privação de liberdade, além de perda de direitos políticos e cassação de mandato (não necessariamente, claro) só deve ocorrer quando não há nenhuma dúvida da prática do delito pelos réus. A dizer que havendo dúvidas face às lacunas da denúncia ou face às contradições nas oitivas é de se declarar a inocência.
Barbosa devia se dar por satisfeito por ganhar a relatoria do caso o que lhe deu a notoriedade nacional que tanto buscava. Que até então se limitava ao destempero verbal que teve com o também ministro Gilmar Mendes, em plenário, quando acusou Gilmar de ter "capangas em Mato Grosso". As sessões têm sido longas, muitas vezes repetitivas, porém instrutivas a todos que militam em torno do Direito. E é dos primeiros requisitos exigir dos operadores de direito respeito e lhaneza de trato.
Nestas sessões (talvez incomodado com suas dificuldades físicas ? o que se lamenta), Barbosa tem se pautado por não admitir qualquer contrariedade em seus votos condenatórios. O que não é, antes de tudo, democrático e mais do que tudo, deselegante. Em suas diatribes tem agredido seus pares e colocado em cheque a respeitabilidade e a transparência da nossa Suprema Corte. É esta pessoa que os que sabem de ouvir dizer ou acreditam em tudo que a revista Veja escreve pretendem propor à Presidência da República?
Deus nos livre e guarde. Imaginem este senhor formando um ministério ou discutindo temas com a oposição. Imaginem este senhor debatendo temas de relações exteriores na ONU. Tudo isto a despeito de falar diversas línguas e tocar piano e violino desde os 16 anos.
Marco Antônio de Souza