Paulo Martins (PSTU), Clodoaldo Gazzetta (PV), Rodrigo Agostinho (PMDB) e Chiara Ranieri (DEM) iniciaram o segundo debate da TV Preve na noite de anteontem descrevendo o que pretendem fazer em Bauru caso sejam eleitos. No primeiro bloco apresentaram em 3 minutos cada um suas propostas, muitas já exaustivamente discutidas durante a campanha. Restando uma semana para a eleição, nenhum dos quatro candidatos ousou alguma tática para se sobressair em relação aos demais concorrentes.
No segundo bloco, o candidato à reeleição Rodrigo Agostinho (PMDB) assumiu o compromisso de mudar o Departamento de Água e Esgoto (DAE), se reeleito. O peemedebista foi mais longe ao revelar que irá tirar o comando da autarquia de partidos e transformar a administração em uma gestão técnica. O tema foi o mais polêmico do debate de anteontem, que teve um total de seis blocos.
A polêmica da gestão do DAE começou quando o jornalista Duda Trevizani, da TV Preve, questionou Chiara de qual seria o “calcanhar de Aquiles” da administração Rodrigo, seu adversário que tenta a reeleição, Chiara apontou a nomeação de pessoas para ocupar importantes cargos no governo do peemedebista. Na pergunta seguinte, João Jabbour, diretor de Redação do Jornal da Cidade, interpelou Rodrigo se o DAE permaneceria, em uma eventual reeleição do peemedebista, sob controle de partidos – atualmente o PR comanda a autarquia.
Inicialmente, Rodrigo disse que fará uma reestruturação no DAE começando pelo corte de cargos que, na avaliação do prefeito, são um entrave na gestão da autarquia. O peemedebista disse que mandará para a aprovação da Câmara Municipal de Bauru dois projetos, um extinguindo cargos de chefia. O outro projeto de lei que será encaminhado ao Legislativo será o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS do DAE). Segundo Rodrigo, essas propostas serão encaminhadas após o período eleitoral. O candidato à reeleição frisou não ter compromisso algum com qualquer um dos 14 partidos que formam a sua coligação. “Não tem compromisso algum com partido em relação ao futuro do DAE. Diferente do atual governo”, frisou Rodrigo. Ele avaliou que a nomeação de Fábio Lara, atual presidente do DAE, já seria uma intervenção do Palácio das Cerejeiras no sentido de modificar o perfil de gestão da autarquia. No entanto, Lara é filiado ao PR. “O atual presidente (Lara) já é uma pessoa técnica e que está lá para colar em ordem o DAE”, ressaltou. Entre as necessidades, Rodrigo diz que avalia a troca da adutora que leva água do Rio Batalha até a Estação de Tratamento de Água (ETA) e garantiu que o setor administrativo já foi reestruturado e, agora, atacará a área técnica. Em resposta à réplica de Jabbour para que reafirmasse seu compromisso de ‘despartidarização’ do DAE, o candidato Rodrigo disse que a escolha do atual presidente já foi sua em virtude da boa administração de Lara frente ao Aeroclube de Bauru e da colaboração para a reestruturação da Emdurb, quando atuou no Conselho de Administração da empresa. O candidato à reeleição elencou várias obras em andamento pelo DAE, novos equipamentos para a autarquia e investimentos. Contudo assumiu a crise da falta d’água na cidade: “Infelizmente, temos regiões que falta água. Mas isso vai mudar”.
No terceiro bloco, quando os candidatos trocaram perguntas, Chiara fez uma manobra estratégica para fustigar Rodrigo sobre a crise do DAE. A demista perguntou para Paulo Martins sobre a suspeita que paira de que houve uma sabotagem no rompimento da adutora do sistema Batalha que fez Rodrigo pedir para Lara instaurar sindicância interna. Paulo, ligado ao sindicalismo, insinuou que os funcionários do DAE estariam sendo usados de bode expiatório porque “tem que culpar alguém”. Na réplica, a demista mostrou o real sentido da sua pergunta que era bater no peemedebista. “Tenho visto os servidores do DAE trabalharem sem condições de trabalho, sem equipamentos, sem materiais mínimos, com uma dedicação como nunca vista e num trabalho para recuperar uma estrutura que não teve investimento”. Ela prometeu, se eleita, valorizar o servidor do DAE, não somente com o PCCS, mas oferecendo as condições de trabalho. O como, a demista disse que há R$ 24 milhões desperdiçados anualmente e que podem ser revertidos em valorização do funcionalismo da autarquia e para resolver a crise da água.
Clodoaldo Gazzetta (PV) manteve o debate focado na questão da crise do DAE, agora questionando Chiara se o tratamento de esgoto será feito pelo DAE ou Sabesp, sugerindo que a empresa estadual seria do interesse de partidos ligados à coligação da demista. Chiara afirmou que o tratamento de esgoto será feito com recursos próprios da autarquia e do Fundo de Tratamento do Esgoto, descartando a possibilidade do tratamento ser passado para a Sabesp. O verde aproveitou, em sua réplica, para surfar no tema “DAE” ao prometer que irá licitar a obra de tratamento de esgoto, como primeiro ato de governo. “Vou honrar meus 20 anos de ambientalismo no Estado de São Paulo. Em 2016, vou entregar a obra de tratamento de esgoto pronta e liquidada financeiramente”, frisou Gazzetta.
Em sua tréplica, Chiara insinuou que dinheiro a fundo perdido do governo federal, apresentada por Rodrigo que já apresentou projeto ao governo federal, é “eleitoreiro”.
Infraestrutura
No quarto bloco, os jornalistas Duda Trevizani e João Jabbour fizeram mais uma rodada de perguntas aos candidatos. No quinto bloco era a vez dos candidatos se perguntarem livremente podendo um mesmo candidato ser perguntado pelos outros três adversários. Portanto, haveria a possibilidade de Rodrigo, que busca a reeleição, ser encurralado em várias frentes. No entanto, ninguém arriscou dar oportunidade para outro candidato transformar uma eventual saia justa em palanque. Diferente do tom mais agressivo usado por Rodrigo no debate promovido pela Batra, em 22 de agosto último, o peemedebista adotou um tom ameno sem alterações significativas em praticamente todo o debate de anteontem. No último bloco, os candidatos tiveram 3 minutos para suas considerações finais. Rodrigo, agora, adotou um tom mais emotivo: “Quero assumir um compromisso com todos os bauruenses de fazer um segundo mandato ainda melhor do que o primeiro. Hoje, já conheço toda a máquina administrativa. A cidade está hoje na palma da minha mão. Quero ser o prefeito que vai estar liderando esta cidade e resgatando a autoestima do bauruense”.
Paulo Martins fechou o debate com um contraponto à fala de Rodrigo. O candidato do PSTU questionou os investimentos listados por Rodrigo durante o debate. Paulo questionou que a cidade tem vários problemas nos setores da saúde, educação, infraestrutura, no programa habitacional entre outros. “Essa Bauru que o prefeito está mostrando em que está tudo bonito em que o DAE não está sucateado e não está faltando água para ninguém. Dia 7 está aí e se continuar o 15, com certeza a gente vai ver coisas muito piores daqui para frente”, ironizou Paulo Martins.