Nova York - O ministro de Relações Exteriores da Síria acusou ontem Estados Unidos, França, Catar, Arábia Saudita e Turquia de apoiar o “terrorismo” por fornecer armas, dinheiro e combatentes estrangeiros aos rebeldes que buscam derrubar o presidente Bashar al-Assad, enquanto o chefe da ONU condenou os assassinatos e abusos de direitos por parte do governo de Assad.
O chanceler Walid al-Moualem, falando no último dia da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), também acusou a Líbia de apoiar os rebeldes e disse que um braço da rede Al Qaeda havia assumido a responsabilidade por alguns ataques a bomba na Síria.
Moualem afirmou que os pedidos estrangeiros pela renúncia de Assad em meio ao conflito de 18 meses no país são uma “interferência flagrante nos assuntos internos da Síria e na unidade de seu povo e sua soberania”.
Seu discurso ocorreu três dias depois de uma reunião nos bastidores da Assembleia-Geral entre países que defendem a queda de Assad. Eles anunciaram mais ajuda aos opositores, mas não havia nenhum sinal de uma ajuda militar direta.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reuniu com Moualem ontem e levantou as questões “dos assassinatos, destruição em massa, abusos de direitos humanos e ataques aéreos e de artilharia cometidos pelo governo”, disse um porta-voz de Ban em comunicado. “Ele ressaltou que era o povo sírio que estava sendo morto todos os dias e apelou para o governo da Síria para mostrar compaixão a seu próprio povo”, declarou o porta-voz.
Armas químicas
Em uma reunião de alto escalão da Organização para a Proibição de Armas Químicas ontem, Ban destacou a Síria como um dos oito Estados a não assinar a Convenção de Armas Químicas.
Já o regime sírio acusou os EUA ontem de usarem a existência de armas químicas no país como pretexto para uma intervenção militar, assim como foi feito para justificar a ocupação do Iraque, em 2003.
Em entrevista ao canal Al Mayadeen em Nova York, o chanceler sírio, Walid Muallem, disse que Washington ameaça usar a mesma tática para derrubar o ditador iraquiano Saddam Hussein com o governo de Bashar Assad.
“Isso é um invento da administração americana. As armas químicas existem, mas como vamos usá-las contra o nosso povo?”, disse.
A revelação do arsenal de destruição em massa foi confirmada pelo regime sírio em julho, alegando que não pretendia aplicá-lo na crise no país a não ser que haja uma intervenção estrangeira e garantiu que estão em local seguro.
Na semana passada, o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, reafirmou a preocupação com o arsenal, mas descartou até o momento qualquer intervenção de forças dos Estados Unidos no país.
Combates
Os combates entre opositores e governo seguem por mais um dia em todo o território sírio. Pelo menos 21 pessoas morreram em bombardeios do Exército sírio na cidade de Salqine, na Província de Idlib, no norte do país. Na cidade de Aleppo, a segunda maior do país, um mercado histórico, que pertencia à lista de patrimônio mundial da Unesco, foi parcialmente destruído por um incêndio durante confrontos entre rebeldes e forças leais a Assad.