Polícia

Cabo Bruno se formou em Bauru em 1978

Bruna Dias com Redação
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira, 53 anos - conhecido como cabo Bruno -, que foi acusado de comandar um grupo de extermínio em São Paulo, cursou Escola de Soldados e formou-se em 1978 no antigo 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), onde fica atualmente o Comando de Policiamento do Interior - 4 (CPI-4). Segundo o capitão da reserva (aposentado) Jovercy Bergamaschi, professor que chegou a dar aulas de técnica policial para Oliveira, ele era um aluno calmo.

Conforme apurado junto ao setor de relações públicas do CPI-4, Florisvaldo se formou em 1978, não chegou a trabalhar em Bauru e, após a formatura, foi imediatamente classificado e transferido para um Batalhão da cidade de São Paulo.

O capitão da reserva Jovercy Bergamaschi, ex-professor da Escola de Soldados que antes funcionava no antigo 4º BPM-I de Bauru, contou que cabo Bruno sempre demonstrou ser uma pessoa comum.

“Ele nunca aparentou nenhum comportamento anormal. Demonstrava ser uma pessoa comum. Era um aluno mediano, mostrava que gostava da área policial e não tinha nenhuma ideia estranha”, disse.

Por não ter trabalhado em Bauru, ou em nenhuma outra cidade da região, não existe histórico ou pasta de arquivo de cabo Bruno no CPI-4, já que, segundo o setor de relações públicas, tudo foi encaminhado para o batalhão de São Paulo, onde foi classificado depois de sua formatura.

 

A prisão

Depois de começar a exercer sua profissão em São Paulo, cabo Bruno foi preso pouco mais tarde, em 1983, acusado de comandar um grupo de extermínio na zona sul da capital paulista. Ele foi condenado a cumprir 117 anos, quatro meses e três dias de prisão.

No presídio militar Romão Gomes, cabo Bruno se tornou pastor e começou a pintar quadros. Em 2009, a Justiça permitiu que ele cumprisse o restante da pena em regime semiaberto.

No início de agosto deste ano, ele foi liberado para passar cinco dias, durante o Dia dos Pais, com sua família. Por fim, no último dia 23 deste mesmo mês, a Justiça concedeu indulto pleno por “bom comportamento” a Oliveira, que nesta época cumpria pena na penitenciária Doutor José Augusto Salgado, em Tremembé.

No final da noite do dia 26 de setembro, com pouco mais de um mês de liberdade, cabo Bruno foi morto a tiros quando chegava de um culto religioso. No local, foram apreendidas  cerca de 18 cápsulas deflagradas de pistolas calibre .40 e 765, segundo informações da polícia.

 

Reencontro

O professor aposentado da Escola de Soldados de Bauru revelou ainda que encontrou cabo Bruno quando foi prestar um serviço no presídio militar em São Paulo.

“Conversamos bastante e eu perguntei a ele porquê tinha agido daquela maneira. Ele me disse que não achava que estava agindo errado”, disse à reportagem do JC o capitão da reserva Jovercy Bergamaschi, ex-professor da Escola de Soldados da Polícia Militar de Bauru.

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