Tribuna do Leitor

E agora? A greve acaba e o cidadão paga a conta?


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O que leva uma categoria a deflagar uma greve em detrimento aos usuários do transporte coletivo, quiçá os grandes prejudicados antes, durante e depois da greve? Tudo parece insuficiente para justificar a greve de uma categoria que, para reivindicar seus direitos, desrespeita o direito do cidadão usuário na liberdade de locomover-se. Essa, com certeza, não é a preocupação dos responsáveis pela greve. O egoísmo, a prepotência, a intolerância, prevalecem na luta desigual entre o direito de uma minoria sobre o direito da maioria.

Se o problema que originou a greve é de responsabilidade dos empresários, por que envolver o usuário que paga os salários do patrão e dos empregados? Por que fazer o usuário do transporte coletivo de escudo de defesa na negociação? Pedir apoio, cooperação aos usuários é hipocrisia nesse momento. Todos sabemos que, terminada a greve, os graves problemas do transporte coletivo continuarão.

Ao invés de usar de escudo os usuários, por que não circular os ônibus sem cobrança de tarifa? Não é interessante e viável para motoristas e empresários. Ok. Pelo menos nisso há o acordo de cavalheiros. Do lado da Justiça, que exige rigorosa obediência nas suas decisões, o que acontece? Nada. Após o conflito, o acordo feito entre as partes, cada um pro seu lado, e que a conta venha para o usuário.

Senhores usuários do sofrível transporte coletivo, deixem de ser omissos, seja qual for a decisão tomada para o fim da greve, não aceitemos pagar um novo reajuste de tarifa! Não esqueçamos da humilhação, do sofrimento que nos impuseram a todos durante a greve. Reivindicar é justo? Sim. O que não é justo é a forma com que estamos sendo usados como marionetes para conquista do direito de terceiros.

Antonio Carlos Dezimbalsis

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