São Paulo - A inflação está se espalhando e a alta de preços atingindo cada vez um número maior de produtos e serviços. A disseminação dos aumentos é um sinal importante de que a aceleração da inflação encontrou terreno fértil para se espalhar, diante da retomada da atividade, da massa de salários em alta e da indexação de contratos que persiste na economia.
Em setembro, 66,3% dos itens que compõem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tiveram elevação, segundo cálculos da Rosenberg Consultores, feitos a partir da medida oficial de inflação apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse é o maior resultado do índice de difusão desde janeiro deste ano (69,01%). O índice de difusão de setembro ficou acima do de agosto (65,48%) e da média mensal desde janeiro de 2007 (63,56%).
Houve também aumento da disseminação da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe. Em setembro, 462 itens respondiam por 38% da alta do IPC-Fipe e seis por 62% do indicador. Já na primeira quadrissemana deste mês, a fatia dos 462 itens foi ampliada para 55% do índice e seis itens ficaram com uma participação menor, de 45%.
“A trajetória de aumento do índice de difusão no contexto atual de aceleração da atividade é preocupante”, diz a economista da Rosenberg Consultores, responsável pelo índice de difusão, Priscila Godoy. Ela pondera que a aceleração do IPCA, que saiu de 0.08% em junho para 0,57% em setembro, foi desencadeada pelo choque na oferta de commodities agrícolas, provocado pela seca nos EUA.
Mas o que se vê agora é que outros produtos e também os serviços estão na esteira desses aumentos. “Faz três meses que os serviços estão em níveis elevados e não cedem”, diz.
O coordenador do IPC da Fipe, Rafael da Costa Lima, explica que o impacto do choque agrícola se dá em ondas, que contamina os serviços por meio dos IGPs e também outros produtos. A escassez de grãos, por exemplo, provoca hoje uma alta do preço dos derivados de carnes.
Pressão dos alimentos só deve durar até este mês
São Paulo - A pressão dos alimentos na inflação deve durar apenas até este mês, projeta o economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores, Flávio Combat. “O pior já ficou para trás. Um choque de oferta de grãos marcou os indicadores no primeiro semestre deste ano e os seus resquícios ainda pesam sobre a inflação dos alimentos. Este movimento, no entanto, deve acabar em outubro”, afirmou.
Em setembro, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu 0,88%, influenciado, sobretudo, pela alta da inflação dos alimentos derivados da soja e do milho. Para os próximos meses, a projeção é que as principais contribuições partam dos grupos de vestuário e transporte, acredita Combat.
O grupo dos vestuários foi também destaque de aceleração na inflação no varejo do mês passado (0,60%), por conta da mudança de estação e de uma alta de preços do algodão no mercado internacional, destacou Combat.