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Sem violência, polícia ocupa favelas


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Rio - A ação, que já vinha sendo anunciada há alguns dias, foi rápida e quase não enfrentou resistências: ontem, por volta das 5h, 2 mil homens das polícias Civil, Militar e Federal, além de fuzileiros navais, ocuparam as favelas do Complexo de Manguinhos, um dos pontos mais violentos do Rio.

Enquanto olheiros do tráfico soltavam fogos de artifício para avisar da chegada dos policiais, blindados dos fuzileiros navais destruíam bloqueios que impediam acesso às ruas da favela.

Ao mesmo tempo, agentes faziam uma incursão pela favela do Jacarezinho, vizinha a Manguinhos. Ali foram recebidos a tiros, mas não houve feridos. A favela ainda não foi ocupada definitivamente.

Nos próximos meses, até a ocupação, será monitorada com operações pontuais.

Após 20 minutos, a Secretaria de Segurança já considerava concluída a ocupação.

Manguinhos e Jacarezinho são conhecidas pela ação do tráfico de drogas. No Jacarezinho funciona uma das maiores cracolândias da cidade. A histórica disputa territorial entre facções, assim como os enfrentamentos com a polícia, levou um trecho daquela região a ser conhecido como “Faixa de Gaza”.

O plano do governo do Rio é instalar Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas de Manguinhos, Varginha e Mandela até dezembro. A do Jacarezinho deve entrar em operação em janeiro.


Desapropriação

“É um processo definitivo de presença das forças de segurança”, afirmou o governador Sérgio Cabral, que pretende desapropriar a refinaria existente em Manguinhos para iniciar um projeto de reurbanização no local.

“A ação devolveu o território e vias em que o cidadão temia passar”, disse o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, em referência à avenida Brasil e às linhas Vermelha e Amarela, que cruzam a região.

Quatro pessoas suspeitas de envolvimento com o tráfico foram presas. Segundo o secretário, a busca pelos criminosos da região começou em operações pontuais realizadas nos últimos dias, que resultaram na prisão de 51 pessoas.

Hoje, foram apreendidos uma submetralhadora, dois revólveres, uma pistola, duas granadas, 666 trouxinhas e 13 tabletes de maconha, pasta base e 4 quilos de cocaína.

Na ocupação, a secretaria municipal de Assistência Social localizou 104 usuários de crack, levados para unidades de acolhimento da prefeitura.

Maré

Beltrame sinalizou que o processo de ocupação deve prosseguir em direção às favelas do Complexo da Maré, na zona norte da cidade. Na medida em que a gente avança, vai ficando muito fácil ver para onde seguir. Obviamente, não vou dizer (se a Maré será ocupada). Mas no final as comunidades ocupadas vão formar o desenho de uma parábola. Basta acompanhar esta parábola para perceber para onde estamos indo.

Na linha imaginária citada por Beltrame, após Jacarezinho e Manguinhos, estaria o conjunto de 16 favelas do complexo da Maré, território hoje loteado entre facções rivais de traficantes e grupos de milicianos.

A disputa dentro da Maré já resultou em tiroteios que causaram pânico entre os motoristas que circulavam pelas vias mais próximas. O complexo está localizado entre a Linha Vermelha e a avenida Brasil.

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