Belo Horizonte - Executivos do Banco BMG e os ex-dirigentes petistas José Genoino e Delúbio Soares foram condenados pela Justiça Federal em Minas Gerais pela montagem de empréstimos “fictícios” e “falsos” ao PT e ao grupo de Marcos Valério nos anos de 2003 e 2004.
Na sentença, a juíza Camila Velano, da 4.ª Vara da Justiça Federal, diz que empréstimos milionários feitos às empresas de Valério foram irregulares, sem verificar garantias e normas do Banco Central. O processo é um desdobramento do mensalão.
O BMG foi apontado pela Procuradoria-Geral da República como o banco que, ao lado do Rural, concedeu empréstimos fraudulentos ao PT.
Por falsidade ideológica, Delúbio e Genoino foram condenados a quatro anos de prisão cada um. As penas para Valério, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach e Rogério Tolentino variaram de três anos e quatro meses a quatro anos e seis meses de prisão.
A mulher de Valério, Renilda Santiago, foi absolvida.
Pelo BMG, pelo crime de gestão fraudulenta de instituição financeira, Ricardo Guimarães, presidente do banco, foi condenado a sete anos; João Batista de Abreu, a seis anos e três meses; e Márcio Alaôr de Araújo e Flávio Pentagna Guimarães, a cinco anos e seis meses cada.
Na sentença, de 129 páginas, a juíza diz que o BMG “pagou para emprestar”, porque o banco fez vários empréstimos ao grupo de Valério de forma que cada um deles era para pagar o anterior. Assim a fraude ficaria fora das vistas do Banco Central.
A juíza escreve que os contratos eram instrumentos “fictícios” e tinham como objetivo “dissimular o repasse de recursos aos tomadores”.
Os valores dos empréstimos não foram divulgados.
Luiz Fernando Pacheco, defensor de Genoino, diz que recorrerá por entender que há “contradição” em relação à denúncia do mensalão. “Discordamos dessa acusação, não apresentada na ação penal 470 (do mensalão)”, diz.
Os advogados de Cristiano Paz, Rogério Tolentino e Ramon Hollerbach também disseram que recorrerão.
O BMG informou apenas que “não vai se pronunciar no momento”. Celso Vilardi, advogado de Delúbio Soares, disse que não se manifestaria antes de ler a sentença e o advogado de Marcos Valério não foi localizado.