O Palmeiras entra em campo para enfrentar o Millonarios, hoje, às 22h45 (de Brasília), em Bogotá, em uma situação curiosa e pouco comum no futebol. O jogo e, consequentemente, a Copa Sul-Americana se tornou um estorvo para a equipe, que não admite abertamente a insatisfação, mas sabe que de qualquer jeito o resultado vai atrapalhar a fuga para sair da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, prioridade no momento.
No primeiro jogo, no Pacaembu, o Palmeiras venceu por 3 a 1 e vai até a Colômbia com a vantagem de perder por até um gol de diferença. Se conseguir a classificação, terá pela frente mais viagem e mais motivos para reclamar de cansaço. O Grêmio enfrenta o Barcelona, do Equador, amanhã, e deste jogo sai o adversário palmeirense. “Viajar para o Equador é complicado, hein?” disse Obina, torcendo, mesmo que discretamente, para o Grêmio.
Se for eliminado, por mais que os torcedores estejam preocupados com a situação no Campeonato Brasileiro, será inevitável que algumas críticas aconteçam. O técnico Gilson Kleina admite que a equipe vai para o sacrifício, mas garante que o objetivo é conseguir a classificação. “Queremos seguir em frente e não vou negar isso. Sabemos o desgaste e o sacrifício dos jogadores. Esperamos não perder ninguém, mas sabemos que existe o risco”, admitiu o preocupado treinador.
O fato da equipe poder inscrever apenas 25 jogadores também é um problema, já que alguns atletas que poderiam ser aproveitados - como Patrick Vieira, João Denoni, Leandro e Wesley - terão que ficar em São Paulo por não estarem registrados. E entre machucados e poupados, o treinador não consegue sequer completar o banco de reservas.
A delegação viajou com 17 jogadores e correu o risco de ir só com 14, já que em cima da hora tiveram de trocar as passagens de Marcos Assunção, Maurício Ramos e Henrique, que foram poupados, e em seus lugares entraram Betinho, Román e Wellington. A surpresa ficou para a presença de Barcos, que seria poupado por Gilson Kleina, mas pediu para jogar. “Sua reação só demonstra o comprometimento dele com o Palmeiras. É temerário perder um jogador como ele, mas temos que entender o que ele representa”, explicou o técnico.
Sobre o risco de perder seu principal jogador por lesão na Colômbia, o vice-presidente de futebol do clube, Roberto Frizzo, soltou mais uma pérola para sua coleção. “Viver é um risco. O avião pode nem chegar em Bogotá. Vai saber o que o Pai lá em cima está reservando.”
Mesmo desgastado, Barcos pede para jogar na Colômbia
Artilheiro do Palmeiras no ano com 25 gols, o atacante Hernán Barcos seria poupado da partida com o Millonários, da Colômbia, na Copa Sul-americana, mas convenceu o técnico Gilson Kleina a relacioná-lo após uma conversa. Decisivo na vitória de sábado, sobre o Cruzeiro, quando marcou os dois gols alviverdes, o atacante minimizou a desgastante sequência de jogos que tem participado, tanto pelo clube paulista, quanto pela Seleção Argentina.
“Estou um pouco cansado fisicamente, mas forte da cabeça. Com muita vontade de jogar e ajudar o grupo”, explicou o atacante na chegada da delegação ao Aeroporto de Guarulhos (SP). “Foi uma decisão minha de fazer o pedido. O Kleina preferia que eu descansasse, mas estou em condições e prefiro ajudar o time do que ficar em São Paulo”, acrescentou.
Restando seis jogos para disputar no Brasileiro e ainda quatro pontos atrás do Bahia, primeiro clube fora da zona de rebaixamento, o técnico do Palmeiras decidiu que iria tirar da viagem para a Colômbia, para poupá-los, o zagueiro Maurício Ramos, os meio-campistas Henrique e Marcos Assunção, além de Barcos.
O diálogo, porém, fez até o risco de o atacante sofrer uma lesão ser relevado pela comissão técnica. “Ele está transcendendo a vontade de ganhar com o Palmeiras. Isso é um exemplo para todos nós. É temerário perdê-lo, mas temos que entender o que significa a Sul-americana”, explicou o comandante. “A atitude dele demonstra o comprometimento com o clube”, acrescentou.
Convocado para jogar as Eliminatórias-2014 com a Argentina, Barcos ficou fora das partidas com Náutico e Coritiba, e quase desfalcou o Palmeiras contra o Bahia, na última quarta. Um dia antes, o jogador enfrentou o Chile pela sua seleção e, após dormir pouco mais de três horas, viajou para Salvador. Com o atraso de seu voo, o atacante chegou na capital baiana apenas uma hora antes da partida, mas ainda assim deu o passe para o gol de Betinho na magra vitória, por 1 a 0.
Roberto Frizzo, vice-presidente de futebol, brincou no início do ano com a negociação para ter o jogador - bancada pelo então técnico Luiz Felipe Scolari -, ao dizer que o clube não era a Marinha para pensar em Barcos. Agora, porém, o dirigente alviverde já mostra ter sido contagiado pelos números do atacante, que tem média de 0,58 gol por jogo no Verdão e é tratado, assim como o volante Marcos Assunção como exemplo dentro do elenco. “O Barcos é assim. Ele quer sempre participar de tudo. É uma pessoa fantástica, um cara de caráter, profissional e uma pessoa leal”, elogiou Frizzo.
Para explicar que não se preocupa com a ida do jogador para o encontro com os colombianos, que pode dar ao clube uma vaga nas quartas de final da Sul-americana, o vice-presidente disparou: “Viver já é um risco, vai saber o que o pai lá de cima tem reservado para nós.”