Acorda, minha bela namorada, que a lua nos convida a passear... Acordei assustada, pulei na cama e pus-me a ouvir. Era meu namorado Décio e seus amigos seresteiros que ao som do dedilhar de um violão e de um violino cantava lindas canções de amor. A noite enluarada e o céu estrelado deixavam seus raios luminosos penetrarem pelo telhado de meu quarto sem forro da pensão da Dona Brazilina na pequena Soturna (hoje Arealva), onde eu morava com mais 8 professoras. Lecionávamos no Grupo Escolar Rural "João Pereira de Souza Leão". Ao abrir a janela pela manhã, que surpresa! A rosa que eu havia deixado lá para tomar sereno já não estava mais. Quem a levou?!...
Na pensão, todos já despertados tomando o café comentavam surpresos sobre a romântica serenata.
Logo mais, a passos largos pelas ruas poeirentas com os livros debaixo do braço, lá íamos nós, professoras, rumo ao Grupo Escolar. Nosso querido diretor Nelson Teixeira Mendes e os alunos uniformizados já nos esperavam para cantar hinos pátrios.
Bons tempos aqueles em que o professor era querido pelos alunos, respeitados e agraciados pelos pais e pela sociedade. Reconhecido também financeiramente pelo poder público. Que diferença nos dias atuais! Mas, queridos colegas, não desanimem, dias melhores virão. Cabeças inteligentes, competentes e com boa vontade trabalham para melhorar essa nobre e importante profissão.
Hoje, aos 85 anos, viúva, relembro com saudades dessa fase de minha vida (eu era feliz, mas eu sabia!). As alegrias são passageiras, temos momentos de alegria que nos estimulam a viver. Diferente da felicidade que, quando temos um Deus e praticamos uma religião que é o leme para nossas vidas, ela permanece mesmo nos momentos difíceis. Feliz Dia do Professor! Em 15/10/2012 e sempre.
Florinda Cesta Croce