Apesar de somente três casos terem sido confirmados oficialmente pelo município, o secretário de Saúde Fernando Monti confirmou no fim da tarde de ontem, ao Jornal da Cidade, que todas as ocorrências suspeitas foram confirmadas para meningite. Assim, somam-se nove casos em um intervalo de apenas uma semana. Porém, ainda de acordo com o titular da pasta, todos são virais e não há motivo para pânico.
Conforme o JC divulgou anteontem, três casos foram confirmados pela Divisão de Vigilância Epidemiológica. Outros três estariam em investigação aguardando o resultado do Instituto Adolfo Lutz. Ontem, três novos casos suspeitos foram divulgados pela Unimed (leia mais abaixo).
Em nota emitida pela assessoria de comunicação da prefeitura, os seis casos ainda continuavam sob suspeita da doença. O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, entretanto, revelou que já estão confirmados para meningite.
“É realizado um exame, chamado quimiocitológico, que aponta a presença da meningite. É um exame que fica pronto dentro de horas. Então, já sabemos que todos os nove casos realmente se tratam de meningite”, aponta.
O secretário ainda vai além. Segundo ele, mesmo sem a finalização do exame de culturas, já é possível dizer que todas as ocorrências são do tipo viral. “Isso nos tranquiliza. A meningite viral geralmente é benigna. O que vamos fazer agora é identificar qual o vírus é responsável por cada um dos casos”, complementa.
Dos nove casos, somente três pacientes ainda estão internados. Entretanto, Fernando Monti afirma que não há grandes preocupações clínicas, uma vez que todas apresentaram evolução muito boa em seus quadros.
Sem surto
Assim como afirmou a Vigilância Epidemiológica na edição de ontem do JC, o secretário de Saúde destaca que não há motivo para pânico. Mesmo confirmando os nove casos, o titular da pasta explica que o contexto não pode ser considerado um surto.
“Quando identificarmos o vírus, poderemos ver se é o mesmo agente infeccioso. Mas, mesmo que seja o mesmo, não se configura como um surto. O surto preocupante seria de bactéria, que é a forma mais grave da doença”, afirma.
Em relação ao colégio São José, que registrou três casos de crianças com a doença, Monti esclarece que o local não deve ser apontado como o foco da doença. “Essas crianças convivem fora dali. Elas têm o mesmo convívio social. Podem ter pego a doença fora da escola. Por isso, nem falamos em suspender as aulas ainda”, aponta o secretário.
Fernando Monti afirma que as únicas medidas cabíveis no momento são manter uma boa higiene, atentar-se aos principais sintomas da doença - febre, rigidez da nuca, dor de cabeça, vômito e manchas na pele - e, caso constatados, procurar um médico. Somente o profissional pode indicar o tratamento adequado.
Três novos casos
Entre esses nove pacientes, três casos foram divulgados ontem. De acordo com informações da Unimed, eles foram registrados entre o início da noite de anteontem e a tarde de ontem e formalmente notificados à Vigilância Epidemiológica do município.
Tanto a Unimed quanto a prefeitura não oficializaram o diagnóstico de meningite, o que foi confirmado ao JC pelo secretário Fernando Monti.
Segundo a assessoria de comunicação da Unimed, são três crianças, sendo que uma já teve alta e as outras duas estão internadas. Todas estão sendo medicadas preventivamente.
De acordo com que a reportagem do JC apurou, uma das crianças tem apenas 1 ano de idade.
89 registros no ano
Com a confirmação de meningite feita pelo secretário Fernando Monti de todos os casos suspeitos, Bauru já tem, em 2012, 89 ocorrências da doença. Em todo o ano passado, foram 65 casos confirmados.
Apesar de, mesmo faltando mais de dois meses para o ano acabar, o número já ser bem superior a 2011, a gravidade é menor. De acordo com informe técnico divulgado pelo Departamento de Saúde Coletiva e Divisão de Vigilância Epidemiológica, foram duas mortes em 2012, enquanto o ano passado registrou quatro vítimas fatais por conta da doença.
A taxa se deve a pouca incidência de casos de maior gravidade - meningite meningocócica, meningite meningocócica com meningococcemia e meningococcemia. Em 2011 esses casos representaram 16,7% do total, enquanto em 2012 foram 5.4%.
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