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Síria: regime e oposição aceitam trégua

Folhapress
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Damasco - A partir de hoje, e pelos quatro dias do feriado sagrado muçulmano de Eid al Adha, soldados sírios e rebeldes prometem baixar as armas e parar os confrontos em todo o país.

O cessar-fogo, proposto pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, foi oficialmente aceito ontem pelo governo de Bashar Assad e por grupos opositores.

O regime sírio, contudo, anunciou que responderá a eventuais ataques de grupos rebeldes. A mesma ressalva foi feita pelos opositores.

Em nota, o comando do Exército Livre Sírio, a principal milícia da oposição, disse que vai honrar a medida, mas que “responderá” a ataques de forças leais ao ditador caso estes aconteçam.

O grupo, formado em grande parte por desertores das forças de Assad, disse também que protegerá as manifestações de opositores e criticou a falta de supervisão internacional para vigiar o cumprimento da trégua.

 

Progresso

Washington celebrou ontem o anúncio do cessar-fogo, apesar de ressaltar que o regime sírio não é muito bom em “cumprir promessas”.

O governo americano assegurou que vai “vigiar muito de perto” o cumprimento da trégua.

“Qualquer dia sem violência na Síria é um progresso”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland. “Convocamos a todos a aderirem ao cessar-fogo, e esperamos que cumpram o que prometeram. Mas, como vimos no último ano, o regime sírio é bom em fazer promessas e pior em cumpri-las.”

Em abril passado, o governo Assad aceitou uma trégua com a oposição, como parte do plano proposto pelo então enviado da ONU Kofi Annan, que nunca foi cumprida.

A nova proposta de cessar-fogo foi feita no último fim de semana ao regime e aos rebeldes e enviada a países vizinhos, como Irã, Turquia, Egito e Arábia Saudita, que apoiaram a trégua.

Mas ainda não está definido o que acontecerá após a segunda-feira, dia previsto para terminar a pausa nos confrontos.

Brahimi disse apenas que, se a iniciativa der certo, espera poder fazer “um cessar-fogo mais longo e efetivo”. “E isso faz parte de um longo processo político.”

Segundo opositores, os confrontos duravam até a noite de ontem. Em Damasco, moradores relataram ataques do governo horas antes do início do cessar-fogo.

 

Eid al Adha

O Eid al Adha é um dos principais feriados religiosos para os muçulmanos.   Nele, os religiosos celebram a devoção do profeta Abraão, que ofereceu sacrificar seu filho a Deus. Segundo o Corão, Deus dispensou Abraão do sacrifício, e, no lugar de seu filho, um carneiro foi sacrificado.

 

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