Marília - A Justiça Eleitoral de Marília (100 quilômetros de Bauru) aceitou o pedido de liberdade provisória solicitado pelo advogado do presidente da Câmara de Marília, Yoshio Sérgio Takaoka (PSB), de uma assessora e um motorista. Os três foram presos anteontem em flagrante pela Polícia Federal (PF) acusados de suposta falsificação de documento público e fraude processual. Eles tiveram que pagar fiança arbitrada pela Justiça para serem libertados. No caso de Takaoka, o valor foi de R$ 18.660,00, a assessora R$ 6.222,00 e o motorista R$ 3.110,00.
A prisão ocorreu após denúncias anônimas contra os três por tentativa de forjar documentos para ludibriar a PF na condução do inquérito que apura compra de votos. Dois policiais foram designados para seguir o veículo oficial da Câmara, que foi a três residências, e nessa abordagem encontraram contratos em branco, cheques assinados de campanha eleitoral, sem preencher e diversos outros documentos, inclusive uma relação de nomes que prestaram depoimento na Polícia Federal, com a inscrição “PF”.
Com base nos documentos e vários outros indícios, o delegado Sandro Viana resolveu autuar em flagrante as duas pessoas que estavam com o material e solicitou que o vereador fosse levado para a sede da Polícia Federal, para prestar depoimentos. Ao ser ouvido, o delegado entendeu que Takaoka também estava envolvido no crime e resolveu autuá-lo em flagrante.
Pela falsidade de documento público, o vereador pode pegar pena que varia de dois a seis anos, sendo que no caso de fraude processual, pode ser condenado de três meses a dois anos de prisão.
Ontem o advogado do presidente da Câmara, Cristiano Mazeto, disse por telefone ao JC que seu cliente é inocente. Para ele, a prisão foi ilegal e os policias federais não tinham mandado expedido pela Justiça. O presidente da Câmara foi detido em sua casa, quando almoçava. “Não há provas, o vereador nem sabia o que estava acontecendo. Os assessores estavam acertando a prestação de contas da campanha eleitoral”, declarou.
Os nomes dos assessores não foram divulgados. Eles e mais Takaoka foram libertados ontem no início da noite, segundo o advogado Mazeto. A invesigação da PF sobre compra de voto na eleição continua.
Compra de votos
A investigação já vinha sendo feita há semanas pela Polícia Federal de Marília para apurar suposta compra de votos, com suspeita de envolvimento de Yoshio Takaoka, de dois vereadores eleitos e um candidato que não se elegeu. O promotor de Justiça Jairo José Gênova irá aguardar a conclusão das investigações para emitir uma opinião, mas deve oferecer denúncia sobre o crime eleitoral e entrar com uma ação de cassação de registro da candidatura de Takaoka. Em caso de perda do mandato de Takaoka, deve assumir o primeiro suplente Herval Seabra.