Polícia

Menos de 12 horas, dois homicídios

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Em menos de 12h, entre a tarde de sexta-feira e a madrugada de sábado, Bauru registrou dois homicídios. No mais recente, a vítima foi um jovem de 23 anos, encontrado morto com tiros na nuca e ou no tórax. Estava num imóvel abandonado, localizado na altura da quadra 1 da avenida Amapá, próximo à rodovia Marechal Rondon, na Vila Carolina. De acordo com informações obtidas junto ao Centro de Operações da Polícia Militar, o assassinato aconteceu por volta das 3 horas deste sábado.

A PM recebeu a informação por meio de uma denúncia anônima. Ao chegar ao local, deparou-se com o cadáver de Rodrigo Carlos da Silva estirado em um dos cômodos do imóvel, de bruços.

A suspeita é de que o rapaz, usuário de crack, tenha sido morto por conta de dívidas com traficantes. Nas imediações do imóvel, que não possui cercas ou portões, o lixo espalhado, além de restos de papéis, papelões e objetos queimados, evidenciam que o local tem sido frequentado.

A área do crime foi preservada para perícia. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) atua no caso na tentativa de encontrar o autor ou os supostos autores do crime. A ocorrência foi apresentada no Plantão Policial, depois do titular da DIG, Kleber Granja, também dirigir-se ao local, conhecido como ‘casarão’.


Queima-roupa

Nas avaliações preliminares, constatou-se que Silva, cujo apelido era “Di Menor”, foi alvejado à queima-roupa, na altura do coração. Pela área chamuscada da camisa da vítima, o cano da arma chegou a encostar no peito do rapaz, que caiu ferido aparentemente sem tentar escapar pelos cômodos ‘vazados’ do imóvel. Por fim, o ‘tiro de misericórdia’ o atingiu na nuca.

Ainda segundo o delegado, ao que tudo indica, vítima e autor se conheciam e conversavam antes do homicídio. Silva, cuja a família é de Lins, morava sob o viaduto da Rondon e era dependente químico. Para sustentar o vício, cometia vários delitos na região. Por conta de um roubo, foi preso. Antes, porém, foi ameaçado de morte por conta de R$ 500,00, valor de uma dívida contraída com vários traficantes. Ganhou liberdade no dia 9 deste mês. Exatos 18 dias depois, sucumbiu.

 

‘Usuários perambulam’

Moradores das proximidades do local onde o corpo do rapaz foi encontrado reclamavam ontem sobre a situação de insegurança vivida atualmente no bairro. “Os usuários perambulam dia e noite usando drogas e vivem pedindo dinheiro nas casas por aqui. Deviam demolir esse lugar, já que está abandonado”, ressalta um deles, que mora há mais de 22 anos em uma rua próxima ao imóvel abandonado onde o crime ocorreu.

“Estamos com medo de sair de casa. Não escutei disparos, só vi os carros de polícia e da funerária parados aí hoje [ontem] de manhã”, revela outra vizinha. Por razões de segurança, o nome dos entrevistados foi preservado.

 

Caso anterior

 

A morte de Rodrigo Carlos da Silva é o segundo registrado na cidade em menos de 12 horas. Ao final da tarde de anteontem, Valdemiro Mancinho da Silva, 40 anos – e não Waldomiro Mancinho da Silva, como o JC havia publicado na edição de ontem- morador do Parque Jaraguá, foi assassinado com quatro tiros em frente a um frigorífico, no Núcleo Mary Dota.

Na ocasião, o rapaz saia da empresa em que trabalhava com outros dois amigos em um Monza. O carro foi cercado e, a vítima, baleada.

Algumas horas depois, a Polícia Militar conseguiu localizar o autor dos disparos.

Leandro Gonçalves, 25 anos, foi preso enquanto tentava entrar em uma clínica de reabilitação. À polícia, o rapaz confessou o crime e alegou que matou Valdemiro por ciúmes, alegando que sua esposa estaria sendo assediada pela vítima.

Ele foi preso em flagrante por homicídio qualificado e encaminhado para a Cadeia Pública de Avaí.

 

 

 

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