Eder Azevedo |
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A Feira Ubá tem espaço cativo todos os meses no Parque Vitória Régia
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Foi se o tempo em que íamos à feira e só encontrávamos frutas, legumes, pastel e caldo de cana. A demanda aumentou e com ela novos produtos foram ganhando espaços nas barracas que ousaram com opções antes só encontradas em lojas.
Um comércio popular que agrada a uma boa parte da comunidade, a feira transmite uma cumplicidade entre o feirante e o cliente, pela proximidade, confiança e simplicidade do local que é frequentando religiosamente por parte da população.
Elas chamam a atenção especialmente pela simpatia das pessoas que circulam por ali, pelo bom atendimento dos vendedores, que sabem conversar e oferecer seus produtos como ninguém.
Bauru conta hoje com 26 feiras livres, espalhadas por 20 bairros da cidade. São mais de 220 famílias envolvidas neste antigo comércio, o que reforça ainda mais a sensação de sentir-se em casa quando se vai à feira.
Aliás, a feira livre é tradicionalmente marcada por sua conotação familiar. É muito comum famílias inteiras trabalhando nas barracas, o que também ajuda na aproximação com os clientes, ou melhor, com a freguesia.
Dentre as opções de comércio da cidade, sem dúvida é o lugar onde com pouco dinheiro ainda pode-se comprar mais. São pessoas simples negociando com pessoas simples.
Os consumidores circulam por toda a feira, examinam, pechincham à procura do que desejam. Outras já têm suas barracas preferidas, conhecem o feirante de longa data e às vezes parecem mais amigos do que fregueses. Em muitas barracas nota-se que as pessoas que estão trabalhando são todas de uma mesma família.
Em Bauru, as feiras acontecem em diversos bairros da cidade, e em meio às frutas e verduras, tem tudo e o que mais os clientes podem imaginar: calçados, brinquedos, eletrônicos, ferramentas, celulares, panelas e muitas outras opções.
O diferente chama atenção nas feiras
Mesmo em tempos modernos, as feiras livres continuam com grande movimento e cada vez com barracas mais exóticas
O poder místico das pedras
Mística, Vera Lucia Duran, acredita em magias e no poder das bruxas. De incrível simpatia, ela conta sua história misturando lágrimas e gargalhadas, mas principalmente com orgulho próprio.
“Sempre gostei de artesanato. Vivia no litoral e trabalhava em feiras hippies, quando meu marido quis se mudar pra cá, há 16 anos. Viemos nós dois e meu filho. Tentamos de tudo, abrimos duas lojas e falimos. Um ano depois, meu marido faleceu, e passei a fase mais difícil da minha vida, mas tive que ter forças para cuidar do meu filho”, conta emocionada.
Foi então que Vera decidiu ser feirante, quando uma amiga lhe deu essa ideia, ela disse que ficou na dúvida por, até então, nas feiras só terem frutas e legumes, mas arriscou. “Sou feirante há quinze anos e adoro o que faço. Pude dar estudo ao meu filho, fazer amigos e clientes fiéis”.
A barraca de Vera tem desde artesanatos feitos pela própria, como brinquedos feitos com bola de gude. A artesã acredita muito no poder das pedras e que cada uma delas tem um poder de cura.
Com um livro em mãos Vera Lucia aconselha o cliente com o que ele precisa. “A pessoa vem com uma dor, eu leio qual pedra vai curá-la e seus efeitos, se não tiver dinheiro até dou e falo se não curar não precisa me pagar, com isso consigo conquistar o cliente que sempre volta”.
Na barraca exotérica também pode se encontrar plantas fitoterápicas, lenços indianos, roupas, sapatos, tudo importado de São Paulo, segundo Vera.
De Tawian para Bauru
Mary Chang veio de Tawian para Bauru e há oito anos trabalha como feirante na companhia de sua filha Ana Cristina Chang, que também dá aulas de mandarim.
Com dificuldade Mary aprendeu o português para poder se comunicar com seus fregueses, e assim elas vendem diversos produtos como plantas, sapatos e roupas trazidos de São Paulo.
A filha Ana diz que gosta de trabalhar na feira e garante que as vendas são melhores no começo do mês. “Não importa o dia da feira e nem o lugar, mas sim começo, meio e fim de mês. Sentimos uma boa mudança, mas no geral as vendas são boas”, diz.
José Adolfo Rosica Júnior, mais conhecido apenas como Júnior, começou há apenas quatro meses a trabalhar na feira e diz fazer isso como um serviço temporário, já que está com o pé quebrado e não consegue procurar outro tipo de emprego.
Com 24 anos, Júnior monta sua barraca três vezes por semana com produtos feitos pelo próprio, e com uso de produtos recicláveis ele faz mandalas, filtro dos sonhos, carteiras e brinquedos, além de fazer mágica para a criançada que se diverte e se encanta com os produtos.
“Gosto muito de fazer artesanato, criar um produto com reciclagem, coisas que normalmente alguém iria jogar fora, eu crio alguma coisa, é uma arte prazerosa”, conta.
O tradicional vendedor de laranjas
Marcos Dias é o tradicional vendedor de frutas. Há 32 anos com uma barraca somente de laranjas, ele se orgulha de seu trabalho e do crescimento da feira livre. “Mesmo com outras opções, como o sacolão, por exemplo, a feira continua cheia e com boa freguesia. As pessoas buscam o diferente, mas o tradicional como frutas e legumes continua muito forte”.
Richard Norato montou há cinco anos uma barraca de queijos e doces caseiros nas feiras de terça a sexta-feira. Como sempre trabalhou com queijo, Richard quis arriscar e segundo ele valeu a pena. “Tenho uma clientela fiel que vem toda semana comprar ou me fazer encomendas”, conta.
Assim é o caso de Elizete Haddad que duas vezes por semana vai atrás da barraca de queijos buscar seus preferidos. “Venho duas vezes por semana comprar queijo aqui, vou até o centro de domingo só para pegar minhas encomendas. Levo até para minhas amigas”, afirma.
Feira de Artes e Artesanato de Bauru
Bauru também tem Feira de Artesanatos todo fim de semana. É um grande incentivo para produzir e para comprar. São duas feiras que ocorrem nos fins de semana.
A primeira é a Feira da Ficar (Feira da Integração Comunitária), que acontece aos sábados, sendo no primeiro e segundo sábados na Praça Rui Barbosa, no Centro da cidade, das 9h às 17h, e no terceiro sábado do mês acontece na Praça Portugal, nos Altos, zona sul da cidade, também das 9h às 17h.
Já a Feira de Artes e Artesanato Ubá acontece todo segundo domingo do mês, no Parque Vitória Regia, na Avenida Nações Unidas, das 9h às 17h. As feiras já se tornaram tradicionais na cidade, chamando muita atenção do público e visitantes.
Trabalho em família.
As irmãs Helena e Rosangela Maranho há oito anos vendem enxoval completo na feira, a ideia surgiu pela própria família que já vendia produtos de cama, mesa e banho de porta em porta. “Resolvemos trazer para feira e ver o resultado, e para nossa surpresa foi um sucesso”.
Com uma grande variedade de produtos, as irmãs sempre renovam seu estoque e garantem uma clientela fiel, que aparece toda semana para ver as novidades.
Eneide Carvalho garante que vai à feira para ver as novidades das irmãs e a variedade dos produtos oferecidos na feira hoje em dia. “Adoro esse leque de opções na feira. Hoje, por exemplo, vim comprar um presente, antigamente eu teria que ir ao centro para isso”.
Feira do Rolo
Aos domingos, na rua Gustavo Maciel, no Centro da cidade, é realizada a tradicional Feira do Rolo, que funciona desde meados dos anos 1970. Trata-se de um grande comércio informal ao ar livre, onde se pode encontrar, comprar, trocar e pechinchar de tudo, desde móveis, peças de carros antigos, eletrodomésticos, até sapatos, utilidades domésticas, revistas e LPs.
Normalmente, os produtos são usados e chegam a custar menos da metade dos novos. Além disso, trocas também são permitidas e dão o nome à feira. O famoso “rolo” feito entre vendedor e consumidor é muito comum nesses locais.
Os vendedores dessas feiras são chamados de roleiros. A maioria das mercadorias fica no chão mesmo e tem todo tipo de objetos, de peças de carro e TV até roda de carriola e bichos de pelúcia. Até filhotes de cachorros, coelhos e galinhas fazem parte dos rolos e o movimento é muito grande.
Tiago Della Barba Motta frequentador da famosa feira do rolo conta que desde pequeno ia passear por lá e ficava surpreendido com tantas coisas diferentes que ela oferecia. “Encontrei de tudo por lá, desde animais a peças de carros e antiguidades”.
Apesar do nome Tiago fala que a feira é um ambiente muito tranquilo para toda a família. “Essa miscigenação de produtos faz parte da cultura brasileira, acredito que em qualquer cidade tem feiras e que você pode encontrar os mais diversos produtos”.
Alguns até a consideram uma “segunda feira do rolo”, na Praça Rui Barbosa, além de ser um marco histórico de Bauru e ponto de encontro, principalmente de aposentados que aproveitam as tardes sentados sob as belas árvores ali existentes conversando entre amigos, agora também tornou-se um ponto de troca de vários produtos.Origem das feiras livres
Acredita-se que a principal causa da origem das feiras tenha sido o excedente nas produções. Como anteriormente se produzia apenas para próprio consumo as feiras não tinham razão para acontecer.
Foi a partir de trocas, de maneira comercial, que, na Idade Média, se obtiveram os primeiros registros de feiras livres, nas quais eram comercializados os mais diversos produtos, tais como especiarias, perfumes, joias e sedas.
A partir de então as feiras foram sendo organizadas, a princípio sem um lugar específico, movidas apenas pela oportunidade e pela necessidade de suprir as próprias faltas e cada qual, a sua maneira, trocava seus excessos por outros produtos que não tivesse condições de produzir. Tal prática foi de grande importância para a consolidação das feiras da maneira que as vemos hoje.
As feiras contribuíram para o desenvolvimento e até mesmo a formação dos mercados e supermercados, e atraem o interesse de boa parte da população.
Como ser um feirante
A pessoa que deseja virar um feirante deve se inscrever na Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Sagra), onde vai ter sua primeira entrevista. Se for aceito, ele tem uma autorização provisória de trinta dias, e, não tendo nenhum problema obtém o alvará de um ano, assim deverá pagar a taxa anual de feirante.
Diretor do Departamento de Abastecimento da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Otaviano Alves Pereira, fala que a abertura de novos produtos nas feiras é consequência da demanda. "Antigamente produtos como bijuterias, cosméticos, plantas e roupas eram encontrados apenas em lojas, e devido à solicitação do freguês foram incluindo os mais diferentes produtos".
A vigilância sanitária fiscaliza as feiras e tem o poder de autorizar ou não os produtos vendidos lá. "Um exemplo de restrição da vigilância é o espetinho, pois dizem que o produto exposto estraga com facilidade podendo causar danos aos clientes", conta o diretor.
Ainda segundo o diretor, os valores que a secretaria prega para um bom feirante são de comprometimento, respeito, cooperação, dedicação e participação.
