Bombando nas rádios com hits como "Vai, Novinha", do CD e DVD "Ousadia & Alegria", o pagodeiro Thiaguinho, 29 anos, colhe os frutos de uma relação musical que começou ainda bem pequeno, escutando os discos do pai.
Vencedor do Prêmio Multishow de melhor cantor, ele se despediu em fevereiro do grupo Exaltasamba, no qual entrou para substituir o cantor Chrigor, no fim de 2002, após ter ficado entre os finalistas do programa "Fama" (Globo).
No projeto solo, ele tem como convidados Gilberto Gil, Ivete Sangalo, Alexandre Pires e até do jogador Neymar - o amigo não canta, mas faz embaixadinha na apresentação da faixa-título, feita em homenagem ao lema dos dois.
Natural de Presidente Prudente, no interior paulista, ainda bebê, Thiaguinho se mudou com a família para Ponta Porã (MS). O cantor, namorado da atriz Fernanda Souza, conversou com a reportagem.
Reportagem - Como começou sua relação com a música?
Thiaguinho - Comecei a me envolver com música bem pequeno mesmo. Tinha uns 3, 4 anos, são minhas primeiras lembranças com a música. Eu já gostava de mexer nos discos do meu pai, que escutava Tim Maia, Itamar Assumpção, Emílio Santiago. Até assustava um pouquinho a minha família porque não era música de criança, né? Na escola, tudo o que envolvia arte eu estava dentro. Até que, aos 10 anos, mais ou menos, entrei no coral da igreja. Sou católico e minha mãe era coordenadora da Pastoral da Música na igreja. E aí, acho que fiquei um mês e já fui para o coral dos adultos, tocar violão na missa. Depois, comecei a aprender de fato a cantar as músicas que tocavam no rádio. Nessa época, eu morava em Ponta Porã (MS) e tocava sertanejo demais. As primeiras músicas que aprendi a tocar no violão foram as sertanejas. São músicas que gosto até hoje.
Reportagem - E você aprendeu a tocar sozinho ou alguém ensinou você?
Thiaguinho - Fiz três meses de aula de violão. Depois, fui me virando com revistinha. Até os 14 anos, quando me interessei pelo cavaquinho, que aprendi totalmente sozinho, só com revistinha também.
Reportagem - E por que surgiu o interesse pelo cavaquinho?
Thiaguinho - Pagode também sempre fez parte da minha família. Tenho um tio que sempre gostou muito de pagode. E sempre o tive como um ídolo. Ele é irmão do meu pai, mas é muito mais novo que ele, então, é como se fosse um irmão mais velho para mim. Sempre fui muito influenciado por ele e comecei a gostar de pagode mais por causa dele do que qualquer coisa. Com 14 anos, eu vi o cavaquinho pela primeira vez. Fui passar o Natal em Sorocaba, onde tenho familiares, e aí eu vi o cavaquinho, me apaixonei e coloquei na cabeça que queria ser pagodeiro.
Reportagem - Mas você já cantava pagode nessa época também?
Thiaguinho - Já tocava. No meu primeiro grupo, eu tocava pandeiro. Eu tinha uns 12, 13 anos.
Reportagem - Seus pais o apoiaram na carreira musical?
Thiaguinho - Todo mundo sempre gostou muito. Mas quando fui ficando mais velho, com 15, 16 anos, eles foram se preocupando mais. Sempre estudei em escola particular e era muito difícil para mim nesse tipo de escola. Então, a preocupação deles era de que eu estudasse, fizesse faculdade e tal. E eu com esse sonho de músico. Eles não eram contra, mas a profissão de músico é bem instável, é sonho, né? Quem acredita no sonho geralmente é você. Para quem está do seu lado, é mais difícil de acreditar. Então, nesse tempo, teve um pouquinho de preocupação dos meus pais, não desaprovação. Mas sempre me ajudaram.
Reportagem - O programa "Fama" foi decisivo para você entrar no Exaltasamba?
Thiaguinho - Não tem uma relação direta. Foram seis meses, quando saí do "Fama", até entrar no Exalta. Fiquei esses seis meses correndo atrás das coisas. Gravei uma música, que foi "Estrela", que depois foi a primeira música que gravei no Exalta. Saí da minha cidade, vim para São Paulo, fiquei um pouquinho aqui e depois fui para o Rio. Morei com amigos que eu tinha feito na época do "Fama". Foi uma época bem difícil, com a música embaixo do braço e correndo atrás de rádio, até aparecer a oportunidade do Exalta, no final de 2002.
Reportagem - Mas então eles vieram até você com a proposta?
Thiaguinho - Exato. Foi maravilhoso. A princípio, fiquei com um pouco de receio por entrar num grupo que já tinha uma história, e eu sabia o tamanho dela porque sempre fui muito fã de todos eles, inclusive do Chrigor. Então, sabia que ia ser uma responsabilidade muito grande. Mas encarei de frente. Foram nove anos de muita luta, conquista e aprendizado. Foi um desafio grande, mas que, graças a Deus, eu consegui vencer.
Reportagem - Em que momento você viu que poderia ter uma carreira solo?
Thiaguinho - Foi supernatural. Nunca faço planos muito distantes assim. As coisas vão acontecendo. E o lance da carreira solo foi assim também. Eu entrei no grupo, a gente foi conquistando um público que já era do Exalta, depois, conquistamos novos fãs e essa história foi crescendo até a gente gravar o DVD de 25 anos, em 2010. Senti que tinha encerrado meu ciclo no grupo. Quando me propus a fazer parte do grupo, entrei de cabeça mesmo, de alma, de coração, e foi assim até o final. E a gente tem de seguir o coração. Nesse momento, senti que era hora de seguir uma carreira sozinho, que já tinha maturidade suficiente para levar meu trabalho.
Reportagem - Foi difícil comunicar a eles?
Thiaguinho - Foi muito. É uma relação que acaba sendo mais forte que de amigo. Eles me viram crescer, praticamente: eu tinha 19 quando entrei e tinha 28 quando saí. Por mais que a gente não trabalhe mais junto, a gente está sempre se relacionando. Nossa relação é muito forte, tanto que é que por isso que deu muito certo.
Reportagem - Como você está lidando com esse sucesso da carreira solo?
Thiaguinho - Sempre tive esse sonho de ter minha música tocando na rádio, de gravar um CD - DVD nem era da época ainda, mas depois que surgiu também tive o sonho de ter um show eternizado. Não me deslumbro em nenhum momento porque sempre sonhei com isso e, na minha cabeça, sempre me preparei para esse momento. Acho que o sucesso é só o reconhecimento de um trabalho feito com seriedade, com competência, e isso eu sempre tive na minha vida.
Reportagem - A Fernanda te acompanha nos shows?
Thiaguinho - A vida dela também é corrida, né? Então, sempre que dá, ela acompanha. Até porque ela gosta bastante do meu trabalho. Também sempre que posso acompanho o trabalho dela, também sou fã.
Reportagem - Tem planos de casamento?
Thiaguinho - Assim como todos os seres humanos da face da Terra que namoram.
Reportagem - A questão de consciência negra é uma preocupação para você?
Thiaguinho - Acho que o preconceito acaba quando a gente para de pensar assim "ah, eu sou negro, ah eu sou branco, ah, eu sou japonês". O preconceito começa a acabar quando enxergamos as pessoas como ser humano.
Reportagem - Você já sofreu preconceito?
Thiaguinho - Ah, sim, claro. Isso é uma questão cultural, né?
Reportagem - Mas em relação à carreira ou na vida pessoal mesmo?
Thiaguinho - Na vida pessoal, isso acontece com qualquer negro, isso acontece com qualquer baixinho. Todo tipo de preconceito existe. Às vezes, a pessoa acha que está brincando, mas acaba atingindo. E no caso do negro não é diferente. Com certeza, já sofri preconceito, até porque a escravidão não faz tanto tempo assim que acabou. Mas acho que hoje em dia a questão de o negro se gostar tem uma influência muito grande no respeito que as pessoas têm pelo negro no Brasil.