Política

Obras de atacado geram protestos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Motoristas que trafegam pela avenida Nações Unidas, no trecho em frente à Ceagesp e à alça de acesso ao Núcleo Geisel, têm reclamado das intervenções viárias que estão sendo executadas no local. As obras são de responsabilidade do supermercado Atacadão, do grupo Carrefour, e foram exigidas pelo Grupo de Análise de Empreendimentos (GAE) como contrapartida pela inauguração do estabelecimento, em maio deste ano.

As intervenções no sistema viário deveriam ter sido feitas antes do início dos trabalhos do atacadista. Mas o poder público municipal fez concessões à empresa, que assinou termo de responsabilidade, cujos prazos foram descumpridos. A obra começou tardiamente, em agosto, quando já deveria ter sido entregue. A previsão é de que ainda dure mais uma semana.

Questões formais – mas importantes – à parte, a principal preocupação dos motoristas é o possível impacto negativo que a intervenção pode ter causado. A antiga rotatória que ficava em frente à Ceagesp perdeu o formato circular e ficou mais extensa, como um grande canteiro central.

Condutores que ligaram para o Jornal da Cidade alegam que a pista ficou mais estreita, prejudicando o tráfego dos veículos. Na Tribuna do Leitor de ontem, por exemplo, Rafael de Almeida chega a questionar se não seria melhor deixar o dispositivo como estava antes.

“Neste momento de resultado desta obra, temos um trânsito confuso, onde no sentido centro-bairro você se depara com o fim da faixa da esquerda e uma calçada na sua frente, um desvio um tanto quanto estranho. Ao invés de aumentar a largura da avenida promovendo os recuos para quem faz os retornos e, aí sim, colocar semáforo, o que se vê é a avenida mais estreita no local onde deveria ser mais larga, com desvio e canteiros centrais bem grandes”, avaliou.

Outro motorista relatou ao JC que presenciou o tráfego impedido por conta de uma cegonheira que não conseguia passar por lá na semana passada.

A empresa responsável pelas obras é a Fortpav, de Pederneiras, contratada pelo Atacadão do Carrefour para executar as mudanças. Profissionais da empreiteira consultados pela reportagem negam ter ciência sobre problemas no tráfego e atribuem a autoria do projeto de intervenção à prefeitura.

Já a assessoria de imprensa do supermercado se limitou a informar que, em novembro, as obras devem chegar ao fim.

Recape complica

O Jornal da Cidade foi até o local na tarde desta quarta-feira e constatou que a situação estava ainda mais complicada. A pista no sentido bairro-Centro estava interditada por conta do recapeamento.

Devido a isso, o tráfego estava sendo desviado pela alça de entrada ao Geisel. A previsão é de que esta fase do serviço seja concluída hoje, segundo a Fortpav.


Sem sanção

Apesar dos diversos casos de desrespeito às obrigações junto ao poder público, a empresa responsável pelo supermercado Atacadão não deve receber sanções da prefeitura. Em entrevista recente ao JC, o secretário Rodrigo Said explicou que preferiu optar pelo ‘bom senso’.

O poder público informou que o atraso depois do termo de compromisso se deu em razão da solicitação de mudança de projeto pela empresa. O pedido teve como objetivo mudar o desenho do sistema viário proposto para que não fossem necessárias mudanças na localização dos postes de iluminação pública, o que geraria mais custos.

 

Secretário explica obra e pede paciência à população do bairro

Titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) e presidente do Grupo de Análise de Empreendimentos (GAE), Rodrigo Said rebateu as críticas à obra solicitada ao mercado atacadista, alegando que o projeto foi desenvolvido com base em Estudo de Impacto Viário. Ele conta ainda com a aprovação da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). “Peço que os motoristas tenham paciência. Nada foi feito no escuro. As pessoas têm dificuldade de se acostumar com as mudanças, mas essas vêm para melhor”, diz o secretário.

Ele explica que o novo traçado da rotatória traz faixas de desaceleração nos dois sentidos da Nações Unidas, permitindo a concentração de um maior número de veículos que necessitam realizar os retornos, sem impedir as faixas para os motoristas que vão seguir adiante. “Mudou um pouco porque antes a pista era mais reta. Agora existe uma curvatura, mas é tudo questão de costume”, minimiza Said.

Além disso, dois pontos de semáforos também vão facilitar, segundo o secretário, o acesso de veículos e pedestres ao Geisel e ao Ceagesp/Atacadão. Todas essas intervenções são custeadas pelo empreendedor, que também foi obrigado a realizar obras de drenagem no interior do empreendimento.

Rodrigo Said lembra ainda que o dispositivo central da avenida também foi projetado com calçadas em alguns trechos.

 

Prazo e mais prazos

Por conta do aumento do tráfego na região, em função do estabelecimento, o município exigiu a execução de obras viárias. Afinal, era certeiro o aumento do tráfego no local, que já era intenso e palco de acidentes.

Acontece que essas intervenções deveriam ter sido entregues antes de maio, quando o atacado foi inaugurado. Como não cumpriu a exigência do GAE, a empresa assinou termo de compromisso para que entregasse as obras em 90 dias. Mais uma vez, porém, isso não aconteceu.

No dia 6 de agosto, o Jornal da Cidade publicou reportagem em que Rodrigo Said garantia que o serviço começaria em 15 dias. No entanto, as obras só tiveram início no final daquele mês.

Segundo o secretário Said, a demora seria, então, de 45 dias. A previsão, portanto, é de que fossem concluídas até o dia 15 de outubro passado, mas a expectativa de agora é que acabem em uma semana, registrando-se novo atraso na entrega. 

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