Tribuna do Leitor

Finados - Dia da Saudade


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"Saudade - gosto amargo de infelizes... delicioso pungir de acerbo espinho"... e quem não as carpe, nesse marnel de lágrimas? Quem não passou pelo transe mortificante de um desenlace? Quem porventura não viu despedir-se para a eternidade um ente querido, uma mãezinha carinhosa, um pai extremoso, um esposo amado, um filho dileto, ou um amor que mal floriu, despedaçou-se indo pairar na frieza marmórea de um túmulo?

Quantos são os desventurados que guardam no escrínio da memória dois olhos lânguidos marejados de prantos, de uma ternura estampada de sofrimento, bondade e resignação! Quantos são os que viram esses mesmos olhos se fecharem para nunca mais abrir... nunca mais... "Consumatum Est". Quantas são as sentidas lágrimas que rolaram nesse dia à beira das lápides onde dormem o sono da eternidade os entes queridos que deixaram indeléveis chagas sangrando em nossos corações...

Quantas são as preces ardentes eivadas das mais desoladora saudade sobre a eterna mudez sepulcral dos que passaram para o além túmulo... Quantas flores lindas enfeitarão a última morada neste dia todo dedicado às almas que alaram junto de Deus...

E quando esse triste dia findar... quando a doce penumbra crepuscular envolver a terra, quando o sino dolente planger e os portões de bronze se fecharem, volvemos um último olhar ao campo santo e vejamos o triste quadro desolador: as flores murchando... as velas apagando e o eco das preces que ali tombaram... Então, elevemos nosso pensamento a Deus lembrando que o Amor é a ponte eterna que nos liga aos entes queridos que partiram deste mundo e que permanecerão sempre em nossa memória.

Sálua Mauad Camera

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