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Obama e Romney disputam voto a voto

Folhapress
| Tempo de leitura: 7 min

Brian Snyder/Reuters

Barack Obama e Mitt Romney estão bastante equilibrados em quatro estados cruciais para a eleição presidencial

Washington - O democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney se empenharam ontem em uma verdadeira maratona de campanha pela vaga na Casa Branca, enquanto uma nova pesquisa reforçou o quadro de empate técnico, mas com uma ligeira vantagem para o candidato à reeleição.

O comitê de campanha do republicano confirmou ontem que o candidato vai estender sua maratona eleitoral para o dia das eleições, passando por dois Estados (Ohio e Pensilvânia), enquanto a campanha do democrata previa encerrar ontem a agenda de eventos.

E no mais recente levantamento eleitoral, o presidente estava dois pontos percentuais à frente do rival na preferência do eleitor, conforme pesquisa Reuters/Ipsos divulgada ontem, véspera das eleições.

Entre os 4.725 eleitores ouvidos em nível nacional, 48% declararam seu voto para o democrata, enquanto 46% apoiaram o adversário republicano. A pesquisa tem margem de erro de 3,4 pontos percentuais. 

Em Madison (Wisconsin), Obama insistiu ontem no espírito de união nacional para pedir aos eleitores mais quatro anos.  “Caímos e nos levantamos como uma só nação e uma só pessoa”, disse ele, antes fazer uma referência à tragédia provocada pela tempestade Sandy.

“Não importa o quão terrível essa tempestade tenha sido, nos recuperamos juntos, porque estamos nisso juntos”, acrescentou, acompanhado do cantor Bruce Springsteen, que precedeu sua apresentação.

Eleitores de Romney usaram de ironia para rebater os pedidos do democrata por um segundo mandato.

Enquanto o republicano discursava em Orlando (Flórida), seus simpatizantes gritavam em coro: “Um dia a mais! Um dia a mais”. A frase é uma referência a um dos slogans de campanha de Obama, que pede “quatro anos mais”.

 

Apelo de Romney

Romney, tecnicamente empatado com o adversário em todas as pesquisas, reforçou o apelo para que os eleitores compareçam às urnas.

“Precisamos de cada voto na Flórida. Pedimos a todos que nos sigam até a vitória na noite de terça (hoje)”, discursou ele, em sua primeira parada na agenda de ontem.

Depois da Flórida, o republicano tinha passagens previstas por Virgínia e New Hampshire. A passagem por Ohio foi remarcada para hoje, quando o candidato também deve passar pela Pensilvânia.

Já Obama deveria participar de uma dezena de eventos de campanha em Ohio, Wisconsin e Iowa.

 

Racha nas urnas se refletirá no governo

Chicago - Quando os americanos chegarem amanhã às urnas para assinalar o nome do democrata Barack Hussein Obama II, 51 an os, ou do republicano Willard Mitt Romney, 65 anos, estarão tão divididos como em 2000, tão agressivos como em 2004 e tão frustrados como em 2008.

O que não se vê ao fim de uma campanha presidencial exaustiva ao qual os candidatos chegam rigorosamente empatados é esperança. O dilema na cédula é manter por mais quatro anos um governo que não retirou o país totalmente da crise ou testar outro cujo partido empurrou-o para o abismo.

As pesquisas refletem essa polarização profunda. Após meses de troca de acusações e uma avalanche de comerciais negativos, o levantamento da CNN com o instituto Opinion Research feito entre sexta-feira e domingo mostrava o democrata e o republicano com 49%.

No do Gallup, Romney tinha 49%, ante 48% de Obama. No do instituto Pew, o presidente aparecia três pontos à frente, 50% a 47%, dentro da margem de erro de 2,2 pontos em ambas as direções.

Esse racha deve se refletir não só nos resultados de hoje como no próximo governo e na sua margem de manobra, seja quem for o presidente.

“O país está polarizado, não só as pessoas dos dois lados do espectro político mas os Estados também”, alerta Paul Green, diretor do Departamento de Ciência Política e Gestão Pública da Universidade Roosevelt, em Chicago.

“Será muito difícil chegar a consensos.”

 

Sandy soprou ventos de incerteza na eleição

Washington - A tempestade Sandy, que devastou parte da Costa Leste dos EUA na semana passada, pode soprar ventos de incerteza na eleição presidencial norte-americana, tornando a disputa ainda mais acirrada e lançando dúvidas sobre a legitimidade do resultado.Especialistas dizem que dificilmente a tempestade irá determinar a vitória do presidente Barack Obama ou do desafiante Mitt Romney, mas pode expor falhas no sistema eleitoral dos EUA, levando a uma prolongada disputa judicial e causando um impasse num país já dividido politicamente.

No pior cenário, a perturbação causada pela tempestade pode fazer Obama perder na votação popular, mas ainda assim ser reeleito pelo Colégio Eleitoral, a exemplo do que ocorreu na disputa de 2000, quando o republicano George W. Bush foi eleito com menos votos diretos que o democrata Al Gore. No mínimo, o baixo comparecimento às urnas introduzirá uma nova variável numa eleição que deve ser uma das mais acirradas na história dos EUA. Votar pode estar longe de ser uma prioridade para centenas de milhares de pessoas às voltas com a falta de energia, a escassez de combustível e a queda das temperaturas.


Candidatos divergem sobre China e temas comerciais

Washington - A polêmica relação comercial entre Estados Unidos e China foi um dos principais temas da campanha eleitoral O déficit comercial dos EUA com a China tem disparado sob governos democratas e republicanos, saltando de 6 milhões de dólares em 1985 para um recorde de 295 bilhões de dólares em 2011. Romney diz que os EUA não precisam aceitar “um déficit comercial enorme e aparentemente perpétuo” com a China, e que as empresas norte-americanas deveriam ter na China a mesma liberdade comercial que companhias chinesas têm nos EUA.

Em relação ao câmbio, o governo Obama frustrou muitos apoiadores por se recusar a qualificar oficialmente a China como um país manipulador cambial. Obama criticava Bush por adotar a mesma posição.

Romney prometeu que, se for eleito, vai no primeiro dia de mandato declarar a China como manipuladora cambial.

Embora acadêmicos ligados ao comércio continuem apresentando ideias para a retomada e conclusão da chamada Rodada Doha do comércio global, pouco se fala do processo da OMC na atual campanha presidencial.

 

4 Estados cruciais estão indefinidos

Washington - A corrida para a Casa Branca entre o presidente norte-americano, Barack Obama, e o republicano Mitt Romney ainda era um suspense em quatro Estados norte-americanos cruciais que podem influenciar o resultado da eleição de hoje, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada ontem.

Obama mantém uma vantagem de 4 pontos em Ohio e uma liderança mais tímida em Virgínia e Colorado, enquanto Romney liderava por 1 ponto percentual na Flórida, mostrou a pesquisa.

Em Ohio, talvez o Estado mais estratégico, Obama tinha o apoio de 50 por cento dos prováveis eleitores, enquanto Romney estava com 46 por cento. No domingo, Obama estava à frente com 48 por cento, contra 44 por cento de Romney.

Na Virgínia, Obama tinha uma vantagem menor, de 48 por cento, em relação a Romney, com 46 por cento, entre os prováveis eleitores.

No Colorado, Obama também estava com 48 por cento, um ponto à frente de Romney.

Romney lidera na Flórida, onde 48 por cento dos prováveis eleitores declararam voto no republicano e 47 por cento apoiaram o democrata Obama.

 

Dúvidas mais frequentes

Como é a votação presidencial?

Ela ocorre hoje nos 50 Estados mais o Distrito de Colúmbia, onde fica a capital, Washington. Quase todos os Estados permitem aos eleitores votar antecipadamente, na seção eleitoral ou pelo correio. O voto não é obrigatório, e o dia da eleição não é feriado.

O que é Colégio Eleitoral?

É o grupo de delegados, escolhido pela votação popular em cada Estado, que elege oficialmente o presidente.

Como é definido o número de integrantes do Colégio Eleitoral?

São 538, mesmo total da Câmara e do Senado somados. O número de delegados de cada Estado é proporcional à população.


O candidato vencedor em um Estado recebe quantos delegados desse Estado?

Todos, independentemente da vantagem no voto popular. Ganha quem obtiver ao menos 270 delegados (mais da metade do Colégio Eleitoral).


O que são ‘Estados-pêndulo’?

Aqueles que mudam de preferência partidária a cada eleição -diferentemente de Estados como o Texas (tradicionalmente republicano) ou Nova York (democrata). Vencer neles é crucial para os candidatos


Por que a apuração demora mais que a brasileira?

A eleição nos EUA não é totalmente informatizada: muitas seções de votação ainda usam cartões perfurados ou cédulas. Não há sistema eleitoral federalizado; cada Estado define como é a votação e a apuração

 

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