A partir do artigo do jornalista e amigo Pedro Grava, publicado na coluna Opinião desse prestigioso jornal, fiquei indignada com a falta de tato da presidente Dilma ao não consultar os bauruenses sobre a homenagem que se queria fazer ao jauense comandante aviador João Ribeiro de Barros.
Não se nega a sua importância para a aviação do Brasil e mundial, pela sua travessia do Oceano Atlântico com o seu hidroavião Jahu, mas o nome do nosso aeroclube deve ser Luiz de Gonzaga Bevilacqua, este incansável "carioca" como vários que vieram para Bauru trabalhar na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Além de trabalhar na Controladoria Federal junto à NOB, ele lecionou matemática financeira no curso de contabilidade no Colégio Guedes de Azevedo, do meu querido pai, o professor Durval Guedes de Azevedo e meus tios Antônio, Valdomiro, Juquinha, Everaldo e tia Maria.
Fundador do Aeroclube de Bauru com o major Américo Marinho Lutz e vários outros ilustres funcionários da NOB, ele proporcionou alguns folguedos da minha infância bauruense quando eu e vários colegas subíamos ao Aeroclube para observar a movimentação dos planadores e, por várias vezes, auxiliávamos no reparo desses artefatos voadores. Bauru na minha infância e adolescência era um lugar calmo para se viver e um dos lugares onde se admirava o avanço técnico do Brasil e do mundo era o Aeroclube. "Não podemos esquecer que Bevilacqua foi um dos maiores astrônomos do Brasil, conhecimento que ele desenvolveu como autodidata." (Marília Guedes de Azevedo Pallotta, educadora e professora)
Com a fala apaixonada da minha mãe, a educadora e professora Marília Guedes de Azevedo Pallotta, que viveu em Bauru desde a sua infância, me sinto na obrigação de intervir nessa saudável discussão para lembrar alguns detalhes sobre o Aeroclube de Bauru, fundado em 1939, como parte de uma estratégia de interiorização do país, levada a cabo pelo major Marinho Lutz e seu colaborador civil, Luiz de Gonzaga Bevilacqua.
Esse Aeroclube que foi batizado sem a consulta dos interessados, a população de Bauru, além da importância histórica que deve ser preservada, continua sendo essencial para a aviação brasileira por formar os futuros aviadores que cobrirão os céus do país e de outras nações. Em consulta recente pelo Codepac-Bauru, fiquei sabendo que temos alunos de Angola fazendo o curso de piloto no Aeroclube de Bauru. Além dessa importância estratégica, vale lembrar que entre os milhares de pilotos formados em Bauru temos o aviador coronel e engenheiro aeronáutico formado pelo ITA Ozires Silva, fundador da Embraer, terceira maior empresa de aviação do mundo, e o tenente coronel da FAB Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro. Como se vê, o nosso Aeroclube deve ter, pela sua importância, o nome de alguém com raízes mais próximas de nós, como Luiz de Gonzaga Bevilacqua.
Devemos lembrar também que além dos pilotos de aeronaves comerciais e civis o Aeroclube de Bauru forma pilotos de planadores, modalidade introduzida pelo alemão Hendrich Kurt a partir de 1942. Hoje Bauru possui 25 títulos nacionais de planadores e é considerada a Capital Brasileira do Voo a Vela.
Como se vê, devemos cuidar melhor das nossas "jóias históricas" e nomeá-las como elas merecem: com nome de pessoas com relação direta com a nossa história e comunidade.
Fabio Paride Pallotta, educador, historiador e professor