Polícia

Crimes em SP: bauruense vira vítima

Vitor Oshiro e Rita de Cássia
| Tempo de leitura: 3 min

Mario Ângelo/Estadão Conteúdo

Movimentação no local onde policial foi baleado no bairro Elisa Maria, zona norte de São Paulo: tiros pelas costas

O que começou com números camuflados já se tornou mais que evidente. A Capital paulista passa por uma verdadeira guerra entre polícia e criminosos. Todas as noites, vidas se tornam estatísticas de ambos os lados. A situação é tão preocupante que foi proposta a criação de um gabinete de crise para combater as ações criminosas (leia mais na página 15). E a onda de violência vitimou um investigador bauruense, que foi baleado pelas costas e está internado com o quadro de saúde estável.

O crime ocorreu na última quinta-feira por volta das 22h30 em São Paulo. Vinícius Scriptore, 31 anos, trafegava com sua motocicleta pela avenida Inajar de Souza, na Freguesia do Ó, quando foi atacado. Segundo informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública, levou três tiros pelas costas. A secretaria confirmou ainda que o homem é nascido em Bauru. Ele trabalha como investigador da Polícia Civil na Capital. De acordo com a reportagem apurou, quando foi atingido, ele estaria vindo para o Interior a fim de passar o feriado prolongado com sua família.

No momento em que foi alvo da emboscada, havia uma colega de trabalho perto do local. Com seu veículo, a escrivã acompanhava Scriptore. A mulher, que não teve o nome divulgado, foi quem chamou o socorro.

A vítima foi levada ao Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e submetida a uma cirurgia.

A motocicleta em que o investigador estava foi apreendida para as investigações. O carro da escrivã que o acompanhava também foi recolhido pela polícia.

Apesar de o homem ter sido atingido por três disparos, não foram localizados quaisquer projéteis na cena do crime.

Até agora, ninguém foi preso pelo caso. Apesar das fortes suspeitas de que se trata de mais uma tentativa de execução, o fato ainda não foi confirmado oficialmente.

 

Estável

Segundo a assessoria de comunicação do Hospital das Clínicas, o último boletim médico do investigador dava conta de que seu quadro era estável. A instituição, porém, não divulgou mais detalhes dos procedimentos pelo qual o paciente passava.

A reportagem não conseguiu contato com a família de Vinícius Scriptore.  De acordo com o apurado extraoficialmente, todos os familiares da vítima que moram em Bauru teriam ido a Capital acompanhar a recuperação do policial civil.

 

Bauru: comando orienta seus policiais

Até o momento, a onda de violência está restrita à Capital. Em Bauru e região, nenhum caso que possa ser relacionado às ações criminosas foi registrado até agora. Entretanto, há recomendações diárias para que os policiais militares redobrem suas seguranças pessoais, principalmente nos horários de folga.

A Polícia Militar (PM) é a corporação mais presente nos embates, justamente por sua atuação ostensiva. O comandante do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), coronel Maximiano Cássio Soares, afirma que, nas preleções (instruções dadas antes do início das atividades), os policiais recebem instruções para que não se descuidem de seus procedimentos de segurança.

“Eles estão sendo orientados a redobrar a segurança. A PM também recebe informações quase diárias sobre tudo que vem ocorrendo em São Paulo”, declara.

O coronel faz a ressalva de que isso se aplica somente aos policiais. “O cidadão está seguindo sua vida normal. Isso que quero destacar. A população de Bauru e região não está sendo afetada”, complementa.

Maximiano Cássio Soares ainda faz questão de ressaltar que a onda de violência em São Paulo não reflete na atuação da PM na região. “Prova disso são nossos números. Em outubro, conseguimos manter vários indicadores criminais. Outros até foram reduziram”, conclui o comandante do CPI-4.

 

Calmaria assustadora

O que seria para dar tranquilidade tem tido efeito contrário em Bauru. De acordo com um oficial ouvido pela reportagem de JC, há uma calmaria grande na região atualmente, o que amplia o nível de alerta.

O policial militar, que pediu para ter a identidade preservada, relata que, logo que os ataques começaram na Capital, foram colhidas várias informações que indicavam possíveis ações em Bauru e região. Felizmente, nada ocorreu. Ele explica que, como não há informações de possíveis ataques recentemente, a polícia vive o paradoxo de uma calmaria assustadora. “Tudo está calmo demais. Isso nos deixa ainda mais em alerta”, pontua.

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