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Basquete: A mais dolorosa das derrotas

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 6 min

O sonho de voltar a uma final de Campeonato Paulista foi adiado por, pelo menos, mais uma temporada. Ontem à noite, no ginásio Panela de Pressão superlotado, o Paschoalotto/Bauru foi derrotado por São José por 100 a 88, sofreu a virada na série melhor de cinco das semifinais estaduais por 3 a 2, após abrir 2 a 0, e foi eliminado da competição. A frustração de público, jogadores, comissão técnica e diretoria era evidente, pois o time foi montando para disputar o título, com um elenco mais completo e um orçamento maior. Some-se a isso o fato de ter feito a melhor campanha na etapa classificatória – carregando, assim, para as demais fases a condição de favorito – e também a vantagem de decidir a “fatura” em casa. Por isso, mesmo diante de um rival tradicional e poderoso, e, principalmente, pelo ótimo retrospecto do Paschoalotto/Bauru em seus domínios, a derrota feriu e surpreendeu a enorme torcida que apoiou – e chorou – com o time ontem.

Desta forma, a equipe bauruense parou na mesma fase do Paulista e diante do mesmo adversário de 2011, tendo eliminado, em ambas as ocasiões, Mogi nas quartas de final. São José segue na competição e encara Pinheiros na decisão em revanche da final do ano passado, vencida pelo time da Capital.

Os maiores pontuadores de Bauru, ontem, foram o armador Larry Taylor e o ala/pivô DeAndre Coleman, ambos com 15 pontos. Pelo lado de São José, o ala Jefferson foi o cestinha da partida, com 25 pontos. O armador Fúlvio contribuiu com mais 24. Além de Murilo, São José não contou com o ala Dedé, contundido.


Jogo

“Temos que jogar no nosso ritmo”, definiu o técnico Guerrinha, em entrevista ao Jornal da Cidade às vésperas da decisão. Foi justamente isso o que não conseguiu o Paschoalotto, ontem à noite. Bauru não impôs seu jogo e acabou jogando nas características favoráveis a São José. A tradicional transição rápida pouco apareceu no Panela, foram poucos os contra-ataques bauruenses – sinal de que a defesa não funcionou como planejado – e o time se ressentiu de mais consistência no garrafão, um dos setores mais fortes da equipe. Em nenhum momento do jogo, o Paschoalotto esteve em vantagem.

No primeiro quarto, São José saiu na frente com Fúlvio e fez 4 a 0. Pilar descontou de dois, mas o Paschoalotto seguiu atrás. Quando Jefferson, em chute de três, ampliou para 14 a 7, Guerrinha parou o jogo para orientar a equipe. No entanto, as falhas de marcação persistiram, os arremessos de Jefferson seguiram fazendo estrago e São José venceu a parcial: 32 a 27.

O início de segundo quarto de São José novamente foi melhor. Os visitantes abriram dez pontos com cesta de Deivisson e chegaram a fazer 40 a 29. Começou aí o que foi a tônica da partida: um jogo de estica e puxa, com São José abrindo e Bauru encurtando sem, no entanto, conseguir passar à frente até o final da parcial: 53 a 43.

No terceiro quarto, o filme repetitivo do jogo entrou em ação. A pontaria de São José voltou a desequilibrar e a parcial terminou em 72 a 59 para a equipe do Vale do Paraíba. Com a obrigação de tirar 13 pontos em dez minutos, o Paschoalotto conseguiu ficar em desvantagem de um dígito. Mas no momento decisivo a experiência do São José, que soube conter qualquer reação do Bauru e administrar a vantagem construída ao longo do jogo, definiu a série. Final, 100 a 88 e festa para os joseenses. Ao Paschoalotto/Bauru e à torcida só restaram as lágrimas.


Superioridade joseense

O técnico Guerrinha foi objetivo em sua análise da partida de ontem, que determinou a eliminação do Paschoalotto no Paulista. O treinador afirma que o adversário soube se impor e foi superior. “São José soube jogar nas características deles, teve qualidade individual, aproveitamento e jogadores que decidiram o jogo. Do outro lado, nosso time não soube jogar, principalmente defensivamente, não conseguiu ter qualidade individual e não tivemos nenhum jogador iluminado. Diante disso, São José foi bem melhor e, mesmo com desfalques, conseguiu uma grande conquistar com grande mérito. Foi melhor do que a gente”, considera.

O técnico do Paschoalotto aproveita para pedir desculpas à torcida bauruense, que superlotou a Panela. “Temos que pedir desculpas à torcida, que lotou o ginásio, acreditou, apoiou. Nosso time, infelizmente, não mereceu uma torcida como esta. Uma quadra que eu não me lembro, desde a época do Tilibra, estar lotada desta forma. A única coisa que me cabe como líder do projeto é pedir desculpas”, reitera.

O armador Larry, muito abatido, procurou pensar no futuro. “É muito triste, a gente queria muito vencer e ir para a final, mas não conseguiu. O São José jogou muito bem, teve bom aproveitamento e não conseguimos parar o Fúlvio e o Jefferson. A gente vai sentir a derrota, mas tem que esquecer o Paulista logo, já está fora, e nosso foco tem que estar no NBB”, projeta.

 

John Thomas não continua

Com a eliminação do Paschoalotto no Paulista, começam as mudanças no elenco. O ala/pivô John Thomas, que tem contrato até o final do Estadual, não seguirá no time para o Novo Basquete Brasil. Além dele, o também ala/pivô Mosso depende de avaliação da diretoria para saber se continha defendendo a equipe. “Já falamos para o agente do Thomas que não renovaremos o contrato. Ele vinha muito abaixo (do esperado) e hoje (ontem) correspondeu. Mas a gente precisa de muito mais”, definiu Guerrinha.

O diretor técnico, Vítor Jacob, confirmou a saída de Thomas e comentou sobre a situação de Mosso. “Com o Mosso vamos conversar ainda”, declarou. Jacob revelou que o time vem cogitando reforços estrangeiros para o NBB. “Estamos analisando e com a saída do Thomas podemos substituir um estrangeiro”, destacou. Outros alvos, segundo o diretor, são jovens brasileiros jogando fora do País. “Não é da noite para dia que vamos achar, mas vamos ficar atentos. Na virada da temporada, sim, podemos fazer um trabalho com mais tranquilidade”, salientou.

 

Foguetório na madrugada

Moradores da região do Obeid Plaza Hotel, local onde São José se hospedou em Bauru, entraram em contato com o Jornal da Cidade reclamando que não conseguiram dormir durante a noite por causa do barulho de fogos de artifício acionados durante a madrugada repetidamente. Fica a constatação óbvia de que os alvos não eram os vizinhos do hotel, mas a delegação joseense e o objetivo era impedir um sono tranquilo do adversário do Paschoalotto.

A ação teria sido executada por torcedores do Paschoalotto para tentar “ajudar” o time nas semifinais do Paulista. O pivô Deivison, de São José, relata a noite mal dormida. “Eram 3h da manhã veio uma leva de cinco, seis minutos de fogos. 4h30, outra leva e, 5h30, outra atrapalhando nosso sono. Mas a vontade foi tanta de ganhar que não influenciou”, festejou.

O técnico Guerrinha condenou veementemente a atitude dos supostos torcedores. “Fiquei sabendo hoje (ontem) e reprovei completamente. Isso é atitude de torcida de futebol de baixo nível. A gente tem que ganhar na quadra. São José ganhou na quadra”, resume. O diretor técnico Vítor Jacob também reprovou a “noite de fogos”. “Isso não leva a nada, não muda nada. No basquete temos uma cultura diferente do futebol. Não sei quem fez e sou totalmente contra”, salienta. 

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