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Aterro diminuirá problema do lixo

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Prefeito Odail, Otávio Okano (Cetesb), Wilson Quintella (Estre) e Mauro Picinato (CGR)

Pensar no lixo como fonte de energia, produção e geração de emprego. Essa é a proposta trazida à região por uma empresa de gestão e valorização ambiental de resíduos, a Estre, que inaugurou ontem um Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR) em Piratininga (12 quilômetros de Bauru). Com perspectiva de atender 1,5 milhão de habitantes em toda região, o empreendimento estimado em R$ 20 milhões, já recebe diariamente 500 toneladas de lixo oriundos, além da cidade sede, de Marília, Lins, Jaú e Cafelândia.

Conforme explica o diretor-presidente da CGR, Mauro Picinato, a capacidade total do aterro, entretanto, é de receber 1 mil toneladas por dia.

Os contratos públicos, que já somam 25, contando com outras sedes da empresa em cidades paulistas como São José dos Campos, Paulínia, Jardinópolis, Guatapará e Ribeirão Preto, demonstram a tendência ao crescimento rápido para dar destinação aos resíduos.

“Investimos na área sem contratos ou garantias para demonstrar a eficiência dos serviços. Essa região é muito carente de áreas apropriadas e o lixo acaba se tornando um problema”, afirma o diretor-presidente da CGR, enfatizando a adequação dos municípios parceiros quanto ao atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovado em 2010.

Para o presidente da Estre, Wilson Quintella Filho, há perspectiva futura de adesão de grandes cidades como Bauru aos serviços. “A empresa existe há 14 anos e está crescendo muito no Estado e no Brasil. Queremos nos tornar os líderes do destino final ao lixo”, completa o empresário.

Na concepção do residente-diretor da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Otávio Okano, o empreendimento é visto como uma garantia para que as cidades não caiam na irregularidade. “Muitos aterros estão com o tempo de vida quase esgotado na região. Essa pode ser uma saída”, afirma Okano.

 

Baixo custo

O empreendimento em Piratininga, que já funciona com metade de sua capacidade, recolhe lixos comerciais, industriais e domésticos, mas ainda não possui um sistema de tratamento, que deve ser implantado no próximo ano.

Com máquinas e motores importados capazes de separar os detritos recicláveis dos orgânicos, a solução se apresenta, segundo os diretores e políticos presentes na inauguração, como uma solução viável para cidades de pequeno porte por conta do baixo custo.

De acordo com o diretor ambiental da Estre, Pedro Stech, o custo para o depósito do lixo no aterro da CGR custa, atualmente, R$ 50,00 a tonelada, cerca de 10% a 20% a menos do que o sistema convencional das cidades.

“Em um futuro próximo utilizaremos o biogás acumulado no aterro para gerar energia elétrica e injetar nas redes concessionárias. Os materiais recicláveis serão separados e revendidos para empresas, garantindo um ciclo renovável”, explica Stech.

 

Estação de tratamento

O CGR de Piratininga também é um dos primeiros aterros sanitários do País a utilizar geocomposto bentonítico no lugar da camada de solo argiloso, usualmente utilizada nos aterros convencionais, o que acaba proporcionando um duplo sistema de impermeabilização que propicia maior ganho volumétrico do espaço.

O CGR Centro-Oeste está instalado em uma área de 757 mil m² e já possui sistema de drenagem, remoção e queima dos gases do efeito estufa.

Além da estação de tratamento e queima do biogás, também estão contempladas no projeto as unidades para recebimento e tratamento de resíduo de serviço de saúde; reciclagem de resíduos da construção civil e central de triagem de materiais recicláveis, que entrarão em operação em breve.

 

Prefeito ressalta o ganho ambiental

Para o prefeito de Piratininga, Odail Falqueiro (PTB), o empreendimento, além de garantir empregos para a cidade, é visto como um alívio por receber as 10 toneladas de lixo que se mostravam como um problema e um desafio a ser solucionado pelo Poder Executivo.

“Daqui a seis meses não teríamos onde colocar nosso lixo. Com toda certeza a prefeitura respira aliviada hoje. A diferença de preço é pouca e o ganho ambiental da cidade é muito”, ressalta Odail.

A mesma opinião é dividida pelo futuro prefeito da cidade, Sandro Bola, que ressalta ainda que os novos desafios da prefeitura será erradicar irregulares cometidas com o lixo pela população e pelo próprio poder público.

“Vários terrenos dentro da cidade são utilizados como depósito de materiais da construção civil, como por exemplo, no Núcleo Eduardo Mota Mendes. A ideia é acabar com isso tudo e destinar o lixo corretamente”, aponta o futuro prefeito do município.


Futuro de Bauru

Questionado sobre a possibilidade de adesão à parceria futura com a CGR de Piratininga, o prefeito Rodrigo Agostinho, que também esteve prestigiando a inauguração da CGR junto a políticos de outras cidades, fechou questão.

“Temos o nosso aterro e estamos ampliando. Já as cidades pequenas, muitas vezes, não têm condições de bancar esse serviço, que acaba saindo caro. Passaremos por uma indecisão no futuro, mas nesse momento não pensamos em aderir a nada desse tipo”, enfatiza Rodrigo, dizendo que novos caminhos dependerão das diretrizes indicadas pelo Plano Municipal de Resíduos Sólidos, em fase de elaboração pela prefeitura.


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