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A aposentadoria veio após 23 anos de trabalho na Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) |
A cara nova da Assenag
“Millôr Fernandes diz que é muito fácil ser honesto no Brasil pelo fato de não se ter concorrentes. Acredito que temos de cobrar diariamente a atuação dos nossos políticos, usando para essa cobrança entidades de classe, clubes de serviços... Além de praticar a cidadania com ações, atitudes e fala para reverter a atual situação da nossa sociedade”, este é um dos pontos de vista do entrevistado de hoje, Afonso Celso Pereira Fábio, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag).
Engenheiro eletricista, ele trabalhou por 23 anos na Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) até se aposentar em Bauru, em 2011, como Gerente de Divisão de Manutenção e Operação.
Jovem demais para pendurar o capacete, há três anos e meio Afonso vem se “aventurando” pelo ramo de franquias com a “Restaura Jeans”, empresa de tingimento, lavanderia, costura e couro. “É uma coisa diferente, mas eu estou gostando do contato com os clientes”.
Amante dos esportes, o entrevistado de hoje conta como foi e ainda é a sua trajetória nas quadras de basquete: “Hoje estou no time ABBV (Associação Bauru Basket Veteranos), com o grupo formado por ex-atletas da Luso. O esporte é fundamental para o crescimento humano”, ressalta.
O amor pela família e a relação com pessoas queridas é outro ponto forte na vida do presidente da Assenag que também cita as novas ações já colocadas em prática para dar cara nova à associação: “Podemos dizer que já atraímos cerca de 180 novos sócios em três meses, algo que há muito tempo a associação não via”.
Leia estas e outras histórias de Afonso, como o seu amor pelos animais e o violão como forma de aliviar o estresse do dia a dia na entrevista que segue, abaixo.
JC - Por que a engenharia como profissão?
Afonso - Na minha época, quando a assunto era faculdade, pensava-se em medicina, direito ou engenharia (risos). E eu sempre fui muito ligado aos números. Sou engenheiro eletricista e me formei em 1980 na antiga Fundação Educacional de Bauru.
JC - Guardou boas lembranças da faculdade?
Afonso - Muitas. Eu sempre fui muito ligado aos esportes e, durante os cinco anos da faculdade, estive muito ligado ao handebol, vôlei e basquete. Apesar disso, eu nunca pensei em seguir carreira esportiva. Além dos ensinamentos acadêmicos, participei do grêmio e de muitas viagens pelos jogos universitários com direito à vitórias sob a coordenação dos professores Gualberto, Caetano dos Santos e Celso. Também me lembro da integração e da união dos estudantes na “Boate do Ciente”, coordenada ao longo de sua existência por nomes como Zeca Filho, Veríssimo Barbeiro, Dedão, Santini e Beto Dabus, entre outros.
JC - Sei que o esporte ainda faz parte de sua vida com o basquete.
Afonso - Hoje estou no time ABBV (Associação Bauru Basket Veteranos), com o grupo formado por ex-atletas da Luso. Uma coisa que eu gostaria de frisar é o valor que o esporte tem no crescimento de um ser humano. Espírito de equipe, liderança e força são apenas algumas das contribuições do esporte para o amadurecimento. Tenho em mente que sou a pessoa que sou hoje por causa dos ensinamentos de meu pai e do esporte.
JC - Saindo da faculdade você logo ingressou no mercado de trabalho?
Afonso - Assim que me formei eu fui trabalhar em uma empresa de Santo André, onde fiquei por cinco anos trabalhando em um laboratório de alta tensão. Em 1985, eu fui contratado pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) em Bauru, onde fiquei até 1993. Depois disso, assumi uma gerência na cidade de Votuporanga, ainda na Cesp, que passou a se chamar Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). Fiquei em Votuporanga até 1998, voltei para Bauru e fiquei na companhia até 2007, quando houve a privatização da empresa e eu saí. Em dezembro de 2011 eu me aposentei e este ano entrei na presidência da Assenag.
JC - Novos planos para a Assenag?
Afonso - Assumimos em abril e estamos dando uma cara nova para a Assenag, que já tem toda uma história e contato com as prefeituras e com a sociedade. Mas a gente está trazendo gente nova. Muitos profissionais se formam em engenharia, arquitetura e agronomia e vão embora ou ficam na região e não entram na associação. Então, para atrair esse pessoal novo, a gente precisa propor e desenvolver atividades. Estamos montando ações sociais, técnicas, assistenciais e esportivas, que é algo que há muito tempo não tínhamos. Temos, por exemplo, a “Assenag Mulheres”, um bonito trabalho de solidariedade coordenado por minha esposa. E estamos tendo excelentes resultados. Podemos dizer que já atraímos cerca de 180 novos sócios em três meses, algo que há muito tempo a associação não via.
JC - E por falar em sua esposa, conte um pouco sobre a sua família.
Afonso - Eu sou casado com a Ludmilla há 28 anos e temos dois filhos: Victor e Vanessa. Os dois estão fora de Bauru por causa dos estudos e do trabalho. Para mim, a família é extremamente importante. É tudo. Acho, inclusive, que a crise que o ser humano vem passando tem bastante relação com a falta de união familiar. Outro dia, por exemplo, eu saí com a minha família e vi uma mesa com todos os presentes mexendo em celulares ou tablets. Aí me lembrei de uma frase de Albert Einstein onde ele dizia temer o dia em que a tecnologia viesse a sobrepor a humanidade e que, se isso acontecesse e quando acontecesse, o mundo teria apenas uma geração de idiotas. Acho que a tecnologia de informação ajuda muito, mas ela pode prejudicar a qualidade dos relacionamentos se não for usada com sabedoria.
JC - Você teve essa mesma relação com seus pais e irmãos?
Afonso - Eu vim de uma família de cinco irmãos, sendo quatro mulheres: Maria Salete, Maria Inês, Maria Cecilia e Maria Tereza. Com meu pai, Alcides Fábio, aprendemos a viver com honestidade e decência. E minha mãe, Nair Pereira Fábio, deu-nos o sorriso e a alegria de viver.
JC - Você cita “Sempre ao seu Lado” como o seu filme preferido. Você é um apaixonado por animais?
Afonso - Sim. Este filme é comovente porque mostra a fidelidade e o amor que os cães têm por seus donos. Há seis meses eu perdi o meu cachorro boxer de nome jordan, um amigo de verdade que tocou toda a família com sua amizade, respeito e fidelidade.
JC - Hoje você também é microempresário, certo?
Afonso - Como eu me aposentei muito cedo, precisava encontrar coisas novas para fazer. Tenho muito pique (risos). Bom, há cerca de três anos e meio eu montei uma franquia chamada “Restaura Jeans”, que envolve tingimento, lavanderia, costura e couro. Fui até uma feira em São Paulo e fiquei praticamente dois anos estudando qual seria o melhor ramo até optar por esta que é de Santa Catarina. É uma coisa diferente, mas eu estou gostando. O atendimento é direto ao cliente, o contato é mais pessoal e eu cresci muito com essa relação com o público.
JC - Além do basquete, você cita o violão como hobby. Então você é músico?
Afonso - (Risos) Não, não sou um músico. Apesar de gostar muito, eu comecei a tocar bem tarde. Gosto de cantar e tocar com minha filha em reuniões de família e amigos. Ela tem uma bela voz, mas não quis seguir pelo caminho da música. Então eu gosto de tocar violão para expulsar o estresse do dia a dia. Quase todas as tardes eu toco para espantar as coisas ruins.
JC - Um desafio.
Afonso - Tive e ainda tenho muitos desafios profissionais. Já no campo pessoal, minha esposa teve um câncer e esse foi um desafio para toda a família. Hoje ela está bem, superou a doença e todos nós tivemos um aprendizado muito grande. Aprendemos a valorizar a vida, a família e a amizade.
Perfil
Nome: Afonso Celso Pereira Fábio
Idade: 57 anos
Local de Nascimento: Bauru/SP
Signo: Virgem
Mulher: Ludmilla
Filhos: Victor e Vanessa
Hobby: Basquete e violão
Livro de cabeceira: “Semente da Vitória”
Filme preferido: “Sempre ao seu Lado”
Estilo musical predileto: MPB
Time: Palmeiras
Para quem dá nota 10: Para a minha família
Para quem dá nota 0: Para a falta de respeito do ser humano
E-mail: alvfabio@terra.com.br
