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Fora do mercado de trabalho

Luiz Gonzaga Bertelli
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar de o Brasil viver atualmente com baixas taxas de desemprego e uma escassez evidente de mão de obra qualificada, os jovens entre 18 e 25 anos ainda encontram dificuldades para se inserir no mercado de trabalho, principalmente os 5,3 milhões que compõem a geração dos "nem-nem", assim chamados aqueles que nem trabalham e nem estudam. Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), baseada em dados do IBGE, mostra que nesse grupo já estão 19,5% dos 27 milhões de pessoas dessa faixa etária. O dado é preocupante porque mostra que esses jovens não estão em busca de uma qualificação e não conseguem enxergar a educação como um benefício prático para suas vidas no futuro. A situação é ainda mais complexa para as mulheres, que permanecem mais tempo em casa que os rapazes: 3,5 milhões ante 1,8 milhão.

Uma das causas para esse quadro é a baixa procura pelo ensino médio no País. Pelo menos 50% dos jovens que já atuam no mercado de trabalho ainda não completaram os três anos do antigo 2.º grau. E, se pensarmos em termos de renda, os que mais sofrem com a situação são os mais desfavorecidos: 46% estão entre os 10% mais pobres da população, com renda per capita de R$ 77,75.

A conta torna-se ainda mais complicada no instante em que o País comemora anos de estabilidade econômica. A situação permite que uma parcela dessa população consiga respaldo familiar, sem que busque sobrevivência na criminalidade. Mas se a crise internacional se agravar, o que pode acontecer com esses jovens? Nações como Espanha, Portugal, Itália e Grécia, nas quais a crise internacional se intensificou nos últimos anos, estão deixando uma herança perigosa à juventude que não consegue se inserir no mercado, mas não por falta de qualificação, e sim pela ausência de postos de trabalho, diferentemente do que acontece hoje no Brasil: sobram vagas, mas falta gente qualificada para assumi-las.

Para que esses jovens possam ter um futuro digno, que se insiram com mais qualidade no mercado de trabalho e saiam da desocupação, diminuindo o contingente da geração "nem-nem", é necessário investimentos no ensino básico. Mostrar que é pela educação que eles podem ascender socialmente. O estágio ou aprendizagem podem ser instrumentos facilitadores da permanência dos estudantes no ensino médio, não só pela bolsa-auxílio, mas pela importância de aprender na prática uma profissão.

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE, da Academia Paulista de História - APH - e diretor da Fiesp

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