Éder Azevedo |
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Canhoto exibe medalha de ouro no tênis em 1970 e placa de homenagem do BTC
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Se existe um atleta que foi símbolo de determinação e entrega pela cidade nos Jogos Abertos de 1970, quando Bauru sediou a disputa pela segunda vez, este foi César Roberto Tayar. O tenista/artilheiro, conhecido como Canhoto, foi reconhecido por ter abraçado duas competições simultâneas.
Tayar esteve em todas as partidas do tênis de campo, que na época era dividido em três categorias (A, B e C), e ainda teve fôlego para representar a cidade Sem Limites no futebol.
O apelido Canhoto veio das quadras, onde integrou a geração que ainda contava com Roberto Cardoso, José Roberto Segalla, Cláudio Sacomandi (na categoria A); João Roger Guedes, Francisco Monteiro (que formavam com ele a categoria B); Haroldo Segalla, Sérgio Cardoso e Carlos Sacomandi (categoria C). “Muita gente pensa que foi o contrário, que ganhei este apelido quando jogava futebol. Mas foi no tênis mesmo, já que tinha características parecidas com as do Roberto Cardoso, que era chamado de Esquerdinha”, lembra o também ex-centroavante de Fortaleza, Portuguesa de Bauru e do aspirante do Noroeste.
Com seus 68 anos, Canhoto recorda de quando se dividiu entre a quadra e a raquete, e o campo de futebol. “A disputa de tênis era como na Copa Davis da época: jogávamos as simples e, se necessário, a disputa iria para as duplas, isso em cada uma das categorias”.
A façanha de Canhoto começou a se desenhar quando a tabela do futebol dos Jogos de 1970 coincidiu com os horários estabelecidos para as partidas de simples do tênis. “Lembro que o Roger Guedes faria o primeiro jogo, e falei para ele dar tudo para poder ganhar logo de cara. Assim, uma vitória minha já me liberava do duelo de duplas. Se tivesse que jogar as duplas, ficaria inviável chegar a tempo no campo (na época, o Alfredo de Castilho)”, relata.
E deu certo...
A projeção de Canhoto se concretizou e começou então uma verdadeira maratona.
“O Roger ganhou e, em seguida, com cerca de 40 minutos fiz 6x0 e 6x1 em cima do meu adversário”. Mal a bolinha amarela carimbou a quadra adversária no Bauru Tênis Clube (BTC), e Canhoto já estava com a cabeça no Alfredão. “Só cumprimentei meu adversário e já sai correndo. Nem recebi a medalha na hora. Quando sai pelo portão, o doutor Barreto, na época diretor do Fortaleza, já estava com o carro me esperando. Entrei e fui me trocando, tirando o uniforme do tênis e calçando as chuteiras”, recorda.
A correria tinha motivo. Canhoto era centroavante, o camisa 9 do time bauruense. “Para se ter uma ideia, cheguei no campo e o jogo já estava com três minutos. Nosso time com dez jogadores em campo. Não porque não tínhamos reservas, mas porque o treinador sabia que eu estava para chegar”.
O esforço foi recompensado. Na partida que valia uma vaga na próxima fase, Canhoto brilhou. “Entrei em campo e ainda fiz o gol decisivo. Foi no segundo tempo, já nos minutos finais”.
Questionado sobre o desgaste de disputar duas competições distintas, Canhoto, que também é formado em Educação Física, faz sua análise. “Tênis e futebol são esportes que exigem mais de partes diferentes do corpo. Na época, eu tinha um ótimo preparo físico. Mas a vontade, claro, foi imprescindível”.
Naquele ano, o tênis bauruense faturou as três divisões, com certa tranquilidade. Já o futebol não avançou. O time de campo bauruense só conquistaria a glória nos Jogos Abertos em 1971, quando Canhoto também fez parte do grupo que brilhou nos Jogos Abertos de Marília.
Por Bauru, Canhoto disputou os Jogos Abertos de 1964 a 1971. Porém, a “loucura” de disputar duas modalidades só aconteceu nas duas últimas edições que atuou.
